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A Casa Grande de Romarigães

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Este romance reproduz a mundividência das terras nortenhas e aproxima o texto ficcional da realidade narrada, numa Beira rural e analfabeta ancorada numa sociedade patriarcal. Misturando erudição com a linguagem popular, Aquilino capta esse ambiente arreigado na religiosidade e na crendice e revela o instinto camponês com todas as superstições e todos os subterfúgios associados à obsessão de propriedade. Crónica romanceada assim chamada pelo autor, e que o é. Três séculos de uma casa grande, apalaçada, como há muitas pelo Minho, esta em terras de Coura. Crónica que é como uma novela esticada, quase argumento televisivo, onde paixões, temores, loucuras e desagravos se sucedem, página após página. Moral da história existirá e é a casa, que cresce e se arruína ao som dos desvarios de senhorio. É Aquilino mestre na enunciação dos quereres e das paixões, pois por aqui se movem os seus artistas, sem parar. Análises profundas do humano, psicologismo estendido não se encontra, personagens desenhados em duas, três pinceladas. A Casa Grande de Romarigães de Aquilino Ribeiro

Mass Market Paperback

First published January 1, 1957

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About the author

Aquilino Ribeiro

107 books87 followers
Aquilino Gomes Ribeiro was a Portuguese writer and diplomat. He is considered as one of the great Portuguese novelists of the 20th century. He was nominated for the Nobel Literature Prize in 1960.

Natural son of Joaquim Francisco Ribeiro, a priest, and Mariana do Rosário Gomes, he had three older siblings: Maria do Rosário, Melchior and Joaquim. Destinated to priesthood, Aquilino Ribeiro got involved in republican politics, opposing the Portuguese monarchy, and had to exile himself in Paris; he returned to Portugal in 1914, after the Republican Revolution of 1910.

He was involved in the opposition to António de Oliveira Salazar and the Estado Novo, whose government tried to censor or ban several of his books.

He married twice, firstly in 1913 to German Grete Tiedemann (ca. 1890-1927), by whom he had a son Aníbal Aquilino Fritz Tiedeman Ribeiro in 1914, and secondly in Paris in 1929 to Jerónima Dantas Machado, daughter of the deposed President of Portugal Bernardino Machado, by whom he had a son Aquilino Ribeiro Machado, born in Paris in 1930, who became the 60th Mayor of Lisbon (1977–1979).

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5 (1%)
1 star
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Displaying 1 - 30 of 43 reviews
Profile Image for Luís.
2,385 reviews1,377 followers
November 1, 2025
The narrative of A Casa Grande de Romarigães (The Great House of Romarigães) tells us the story of the successive generations that inhabited it for better or worse. A fictional plot that begins in the time of the Philips but extends through numerous pivotal moments in the History of Portugal, including the War of Independence, the French Invasions, and the War of the Two Brothers.
Profile Image for Felipe Oquendo.
180 reviews25 followers
February 18, 2016
Você sabe aonde você mora?

A essa pergunta muitos responderiam com um endereço, ou com um cretiníssimo “na minha casa”. Quando muito, os mais sensíveis, notando o inusitado da pergunta, procurariam dar mais informações, como a data de construção do imóvel, ou relacioná-lo a algum fato ou pessoa notável.

Aquilino Ribeiro, escritor português cuja atividade concentrou-se na primeira metade do século XX, não se contentou nem mesmo com uma resposta de guia turístico. Ao mudar-se com sua esposa para a Casa Grande de Romarigães, na região entre douro e minho, deve ter sentido sua alma vibrar de forma especial ante à imponência daquela construção multissecular. Fosse um músico, e talvez tivesse composto uma suíte ou sinfonia. Pintor, e teria reimaginado pictoricamente aqueles espaços que ecoavam muitas eras passadas. Como era narrador por excelência, resolveu-se por preencher imaginativamente toda a história da família Cunha e Antas, fundadora do solar, até sua venda a terceiro que não se ligara à história da casa pelos laços de sangue.

Aquilino, como é sabido, não é um escritor de fácil leitura. Considerado praticamente uma reencarnação de Camilo Castelo Branco, compartilha com seu conterrâneo o amor pela palavra rara, a expressão típica de sua região, e as formas de dizer, geralmente oblíquas, empregadas pelo povo. Isso, evidentemente, cria uma barreira, mas definitivamente não impede o acesso à obra.

Por um lado, assim como Camilo, Aquilino tinha um espírito fogoso e passou a melhor parte de sua juventude lutando em movimentos revolucionários, até ser proscrito da vida civil, embora conseguisse manter-se no Portugal de Salazar sobretudo pelo casamento com a filha do ilustre ex-presidente Bernardino Machado. Contudo, ao contrário de Camilo, escreveu pouco e não precisava do produto da venda de seus livros para viver. Isto deu à “crônica romanceada” Casa Grande de Romarigães todo um ar de calma e tranquilidade, firmeza e confiança na composição, espaçamentos e encurtamentos cheios de mestria, incompatíveis com o ritmo frenético com que Camilo punha fora seus romances, contos e novelas. Some-se a isso a idade avançada de Aquilino, refreando naturalmente as paixões ideológicas, que praticamente não se imiscuem na obra, e temos um romance seguro, bem escrito, divertido e indelével.

A idade do autor ecoa na obra. No prefácio do livro, Aquilino, ao explicar com fina ironia como fez para compor a crônica romanceada, torna-se êmulo de Cervantes, a cuja obra, também de maturidade, Dom Quixote de la Mancha, alude diretamente ao comparar-se com o eminente – e perfeitamente imaginário – narrador da grande obra Cervantina, Cid Hamete Benengeli, que se traduz ao português divertidamente como Senhor Pasta de Beringela (ou Baba Ganuch, se preferirem).

Mas ao contrário de um grande personagem metido em diversas peripécias, Aquilino toma ares épicos e conta a história de uma família, cuja unidade aparentemente é apenas geográfica: tudo se passa dentro, no entorno ou em conexão com o grande solar que dá título ao livro.

Por isso, não se pode dizer propriamente que o livro tem um protagonista. Para cada fase narrada, há um membro da família que se destaca: O safadíssimo e senhoril Gonçalo da Cunha, típico caso de Júpiter na casa 2, Domingos, Luís Antas, Plácido, Fernando, Luís de Azevedo, Don Telmo e Telminho, até a dissolução total dos vínculos e a aquisição do imóvel por um homem totalmente estranho, com alma de poeta, que talvez seja o pai do sogro de Aquilino.

Contudo, ainda que a narrativa acompanhe a ação e paixão desses personagens, por vezes até indo parar em terras estrangeiras, em Braga ou em Lisboa, volta inevitavelmente para o sítio onde Gonçalo da Cunha disse seu fiat lux, num movimento de idas e vindas que se assemelha à atração gravitacional.

Por isso, de certo e esquisito modo, a Casa Grande é o protagonista, pois é a única coisa que continua no transcorrer da crônica, como um país ou uma instituição são as únicas coisas que se mantêm entre a primeira e última páginas de um livro de historiografia. É o elemento mais importante, paradoxalmente, não age, apenas sofre ações.

Essa mesma tensão serve ao desenrolar do livro, às “últimas e extravagantes páginas” que são da “lavra” de Aquilino. Abandonando o estilo sóbrio e realista que dominou a crônica, Aquilino enche-se de lirismo para sugerir que as ações dos homens vêm e vão, mas aquela Quinta de Nossa Senhor do Amparo e a natureza em volta ficam como suspensas em eterna indiferença pelas vidas que ali passam.

A Quinta e a linhagem começam com uma tara originária, pois sendo Gonçalo da Cunha um licenciado, são todos seus descendentes filhos de padre, mancha que, mais dia menos dia, teria de cobrar seu preço. Apesar disso, Gonçalo tem as qualidades de um grão-senhor e homem extremamente prático, otimista e generoso. Assim como seus defeitos, a glutonice e a luxúria, vemos as mais diversas combinações surgirem nos donos da Casa Grande, gerando melancolia, loucura, honradez, bravura, a luxúria quase força da natureza de Telmo, avareza, gastança descontrolada, bom tino para negócios, amabilidade e rancor. A Casa Grande de Romarigães torna-se palco de um épico szondiano de pulsões, tendências e sínteses hereditárias.

Tudo isso é narrado com grande arte. Vencida a primeira parte, cuja lentidão é vastamente compensada pelo estilo de Gênesis politeísta, o texto nos pega pouco a pouco pelo colarinho e vai nos seduzindo, seja pela empatia com os personagens e o desejo de saber-lhes o fim, seja pelo “golpe baixo” de colocar-nos numa cena em que pequenos movimentos sensuais são prolongados e realçados, como ocorre no capítulo da viagem de Braga para a Casa Grande, dentro da chaleça, e debaixo da manta que cobria Telmo e Dionísia (nomen est omen).

Se uma busca de mãos, uma tensão sexual mal resolvida, se arrasta por muitos parágrafos, de forma a prender-nos completamente a atenção, por vezes a mais ansiada resolução de complicações intrincadas, detalhadas em capítulos anteriores, é dada dum golpe em narrativa abreviada, como ocorre com o litígio instaurado entre Luís de Menezes e Anísio do Bento Lado pela guarda de Telmo.

Às vezes, o narrador planta a semente da desconfiança, como no caso da morte misteriosa e muito conveniente de Plácido, sem dar resolução certa, mas constantemente insinuando uma explicação com a impressionante cena das vozes que assombram a Dom Fernando.

Seja como for, nada nos é escondido, e tudo é narrado com franqueza, embora o texto por vezes seja oblíquo, em sacrifício à arte romanesca. Narrador onisciente é uma expressão que nunca se aplicou tão bem como ao Aquilino de Casa Grande de Romarigães. Não só tem ele a liberdade total do cronista, de viajar no tempo e no espaço, de deixar escapar certas indiscrições íntimas, como sabe até mesmo quem foi para o céu e para o inferno e o que se passa na mente de um priápico em busca da satisfação de seu prazer, cujo ápice da loucura é a oração à Nossa Senhora do Amparo para que lhe permitisse estuprar, na santa paz de Deus, sua própria cunhada.

Não se pode taxar, sob pena de injustiça, a história dos Antas da Cunha como um simples descenso moral, como se tratasse este romance de uma daquelas histórias de famílias bem ao gosto naturalista. Não, os Antas da Cunha não são Rougon-Macquarts nem Buddenbrooks, coisa que as circunstâncias históricas e culturais de um romancista do porte de Aquilino Ribeiro não o permitiriam. Às vezes há até mesmo uma clara ascendente, como no caso de Luís Antas em relação a seu avô Gonçalo, e os perigos que rondam a Quinta são muitas vezes superados, em ciclos de prosperidade e pobreza, essa geralmente causada por desonestidades e generosidades mal orientadas.

É inegável contudo que o fim é a decadência, com o filho de Telmo, neto de Luís de Menezes. Mas a Quinta, ainda que vilipendiada, permanece inviolada em sua essência. O solar, descuidado e bolorento, continua de pé, sendo hoje um museu aberto à visitação.

Talvez, contudo, não seja essa construção de mãos humanas digna de ser a protagonista da crônica. É bem possível que o leitor, como o último dono listado na crônica, se depare ao fim com a única força que, além da natureza, estava ali antes mesmo da chegada de Gonçalo da Cunha:

(...) só encontrou verdadeiramente incólume o olhar puro de Nossa Senhora do Amparo. Mas tanto bastou, ajudado duma mirada angustiosa do Cristo setecentista, que assistia na fumareda da casa dos caseiros a suas rixas e bodeganas, para se declarar rendido.
Profile Image for João Miranda.
259 reviews10 followers
June 12, 2019
É interessante ver comentários sobre a riqueza de vocabulário quando tantas vezes nos queixamos da falta dela. A dificuldade apresentada pelo autor não impede uma leitura rápida das aventuras vividas na Casa Grande.

Sim, o vocabulário é distinto. Por vezes complicado de diferenciar. Mas lá descobrimos as construções de décadas anteriores, as expressões astutas e a riqueza do povo português. Várias vezes lembrei A ilustre casa de Ramires e o quotidiano daquelas décadas. É um documentário disfarçado de romance, são décadas de fidalguia em menos de trezentas páginas.
Profile Image for Margarida Galante.
468 reviews42 followers
November 25, 2024
No início da minha adolescência, quando as férias de verão eram enormes, explorava as estantes de casa em busca de livros que pudesse ler. Foi nessa fase que li alguns livros de Júlio Dinis e de Eça de Queiroz. Foi também por essa altura que peguei neste livro. Escusado será dizer que, com 13 ou 14 anos, não o consegui ler. Talvez devido a esse primeiro contacto, nunca voltei a Aquilino Ribeiro.

Agora, em resposta ao #desafio1001livros decidi que tinha chegado a hora de ler Aquilino Ribeiro e o seu romance mais famoso.

O enredo centra-se na história das várias gerações que habitaram a Casa Grande de Romarigães, ao longo de vários séculos, desde a época dos Filipes, passando pela Guerra da Restauração, pelas invasões francesas e pelas Guerras Liberais. Estes momentos da história vão surgindo apenas pontualmente, como pano de fundo na história dos nobres proprietários da quinta.

A linguagem é intrincada, regionalista, com termos rurais e antigos, tornando a leitura lenta e desafiante. Senti que a minha dificuldade se foi esbatendo ao longo do livro, à medida que me fui habituando à narrativa e quando me deixei levar pelo texto sem estar preocupada em saber o significado de tudo, guiando-me pelo contexto.

Fui surpreendida pelo tom irónico e sarcástico do autor, que retrata a pequena nobreza e o clero de forma bastante crítica e jocosa. É um retrato mordaz e, por vezes, cómico da sociedade naqueles tempos. Esta foi a dimensão que mais me agradou nesta leitura.

A Casa Grande de Romarigães fica no Minho, no concelho de Paredes de Coura, e foi reabilitada recentemente como centro de literatura e cultura. Fiquei com imensa vontade de visitar a casa, onde Aquilino Ribeiro chegou a viver, e a sua Capela do Amparo.
Profile Image for João Vaz.
254 reviews27 followers
January 30, 2022
Que galhofada. A Casa Grande segue várias gerações duma família de fidalgos com um solar no Minho, e a narrativa vai atravessando vários períodos históricos, como a restauração da independência, o terramoto de Lisboa, as invasões francesas e a guerra civil encabeçada pelos manos Pedro e Miguel. Mas o melhor é mesmo o tom jocoso. Aquilino passa o tempo a picar os personagens. Se estiverem à procura dum relato cómico do Portugal antigo, rural, patriarcal, analfabeto e religioso, encontraram-no. Foi o meu primeiro contacto com o autor e gostei imenso. Teria dado cinco estrelas, se não fosse por em cada página ter havido uma média de 20 palavras que não conhecia (sem exagero), o que ia arrefecendo o entusiasmo pela leitura. Até consultei o dicionário a início, mas tive que desistir, teria demorado horrores a acabar, deixei-me antes levar pelo contexto e, olhem, resultou bem.
Profile Image for Francisco.
15 reviews2 followers
October 17, 2022
Um absoluto dicionário em forma de romance. Ler Aquilino é a cada 3 palavras não conhecer 4.
Also, Alto Minho ❤️
Profile Image for Rita (the_bookthiefgirl).
359 reviews84 followers
February 6, 2021
“A vida (...) não era mais que o momento do equilíbrio, efémero como abrir e cerrar as pálpebras, dos corpos organizados debaixo da ação combinada destas forças.”
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Aquilino Ribeiro transporta-nos para uma história romanceada de várias gerações na casa de Romarigães , em Paredes de Coura. Desde o licenciado Gonçalo da Cunha até D. António Telmo , existe um retrato realístico da nobreza decadente , do clero hipócrita e do povo analfabeto.
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Nos meandros da história , paixões , amor , ódio , intrigas ridículas e emocionantes se misturam, levando-nos a uma crónica como só os portugueses o conseguem traduzir na literatura.
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Aquilino Ribeiro tem uma escrita erudita, alcançando os prosaicos da linguagem popular, evocando um ambiente muito satírico e até cómico.
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Após esta leitura, deu-me uma vontade de conhecer a capela de Amparo que acompanhou a crónica de três séculos de famílias. Ah, e fiquei a saber que o próprio Aquilino viria a morar lá uma vez que casou com uma filha do ex-Presidente Bernardino Machado. Daí a reflexão final do autor nas últimas páginas 🤫
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Profile Image for Joana.
225 reviews5 followers
July 1, 2021
Foi um parto um bocadinho difícil, porque a história enrola um bocadinho. Mas a beleza que este escritor consegue dar à língua Portuguesa supera tudo!
Profile Image for Ricardo.
140 reviews6 followers
January 8, 2017
De acordo com o método que costumo aplicar na avaliação dos livros que vou lendo, divido a avaliação em duas partes (aproximadamente iguais): o que considero como valor literário da obra e a satisfação que a leitura me proporcionou. Neste caso a satisfação foi zero. Numa obra que nem é muito extensa (250 páginas), mais de quatro meses de leitura (e muitas paragens pelo meio) parecem reveladores da penúria que foi acabar de ler este livro. Para quem já o leu não é difícil encontrar a razão.
A "narrativa" estende-se através de 7 ou 8 gerações de nobreza do alto Minho, desde a Restauração ao final do século XIX. O retrato da nobreza da Casa Grande é o expectável: gerações de perdulários que viveram à custa do trabalho dos servos (e muitas vezes nem isso chegava). Claro que isto podia aplicar-se a muitas (e boas) obras de literatura. No fim de contas, um Meneses e Montenegro dissipa tão bem uma fortuna como um Orlov. O problema é que a descrição dos acontecimentos nunca passa disso mesmo: uma descrição. Com tantas gerações retratadas não há espaço narrativo para o leitor se familiarizar e identificar com as personagens, já de si estereotipadas.
Com isto chegamos à particularidade maior desta obra, as expressões populares. Quase nenhum parágrafo do livro está escrito em português comum. Ironicamente, esta é a única particularidade que lhe oferece um toque singular. O autor incluiu centenas de ditos e expressões populares (que vou tomar do princípio que se encontram enquadradas nas épocas de cada uma das diferentes gerações). Acredito que o trabalho de pesquisa foi extenso e meritório mas este facto elimina qualquer vestígio de prazer na leitura, além de parecer uma máscara atrás da qual o escritor esconde o vazio de ideias da obra. Ainda assim, não é fácil encontrar palavras que descrevam quão má foi a experiência de acabar a leitura desta peça. Naturalmente quase nada ficou gravado na memória, pois só a custo se entende o que as personagens pretendem transmitir (que normalmente nem é nada de especial, nem julgo que as personagens mais rústicas sequer tivessem noção, numa situação real, do significado do que diziam, o que retira ainda mais verosimilhança à obra). Em resumo, nada sobrou senão uma masturbação linguística da qual pouco ou nada se infere da natureza humana, como é apanágio das verdadeiras obras de literatura.
Profile Image for Cláudia Ferreira.
117 reviews3 followers
August 22, 2020
3,5
No entanto, a escrita é fenomenal.
Ler Aquilino é manter viva a língua portuguesa.
Profile Image for Pedro Bicá.
22 reviews3 followers
October 22, 2024
Peguei num Aquilino pela primeira vez por graça da minha avó Zinda, que anda entretida a ler outro livro dele e me tem falado muito da sua riqueza em matéria de língua portuguesa e da descrição da índole do povo que a fala, principalmente das gentes lá do Douro e do Minho.

A escrita de Aquilino Ribeiro é descomunal. Em cada página existem 5 ou 10 palavras que nunca li nem escutei. Não admira que exista até um “Glossário sucinto para melhor compreensão de Aquilino Ribeiro” (1959). Porém, nada temam. Ainda que o significado de alguns termos não seja possível de apanhar, não perde o texto o sentido nem o ritmo. O que se perde em palavras obscuras ganha-se em antigos dizeres que infelizmente se vão perdendo e que são absolutamente hilariantes e que temos que voltar a pôr na berra.

É isso mesmo que levo desta primeira leitura do autor. Ainda que o discorrimento de Aquilino seja por vezes demasiado longo neste livro, a sua escrita é mormente cómica. Há um sem fim de histórias inusitadas contadas com acutilante perícia e de cada vez que alguém abre a boca seguem-se diálogos super cómicos, mesmo quando são trágicos.

Quanto à história digo apenas que me agarrou mais do que supus. Chego ao fim com um sentimento de ter vivido as várias vidas daquela casa e com vontade de a visitar um dia que passe em Paredes de Coura.

Esta foi uma ótima introdução a Aquilino Ribeiro e suspeito que vou gostar ainda mais de outras obras. Quando a minha avó terminar o Terras do Demo peço-lhe o livro emprestado.
Profile Image for Sérgio Filipe.
38 reviews3 followers
August 31, 2022
The rise and fall of the House of Romarigães. Excelente. 👌🏻
1 review
September 6, 2024
Adorei ler. Vocabulário difícil e muito rico. Muito descritivo mas visual. A história sempre encadeada entusiasma até ao fim.
331 reviews3 followers
April 5, 2023
Quería leer en portugués y encontré este libro en un listado de mejores libros en ese idioma. Me ha costado un poco ya que utiliza expresiones rurales y, sospecho, antiguas. Gracias al diccionario integrado del e-book he podido consultar muchas de ellas y continuar la lectura. Cuenta, como indica el propio título, la historia de la casa grande de Romarigaes, en el pueblo del mismo nombre muy cerca de la frontera española que forma el Muño. Narra la historia de varias generaciones de propietarios, desde el primero, un cura que edifica la casa y la ermita a Nuestra Señora del Amparo en el siglo XVIII. La historia de la familia corre paralela a la de Portugal, con la ¿segunda? independencia de España, la invasión de Napoleón y la huida de la corte a Brasil, así como los distintos movimientos políticos en el siglo 19. El primer dueño deja embarazada a una joven campesina con la que tiene un hijo y a la que casa con otro labriego para darle cierta honorabilidad. El gusto por las faldas es una de las constantes de la familia y lo que traerá por la calle de la perdición (económica y, según a quién preguntes, moral) a las últimas generaciones. El hijo del cura, ya heredero oficial, participa en la guerra con España y se enamora de una prima que estaba monja en La Guardia en España. Tienen lío con la familia porque le acusan de raptar a una novicia pero todo queda arreglado. Uno de los hijos mata al otro y se casa con su prometida. Cuando hereda la finca empobrecida un sobrino va donde una solterona rica que pelea físicamente con sus pretendientes y a quien gana. Cuando el siguiente descendiente pierde a sus hijos en el hundimiento de un puente en la rebelión contra los franceses, recupera un hijo que tuvo con una sirvienta y que habían dado a la inclusa y había sido adoptado por un rico cerero. El padre termina muriendo asaltado por unos bandidos antimonárquicos y el niño, educado por el abuelo materno, un español con ínfulas, termina siendo un sátiro que se acuesta con todo lo que se mueve y dilapida gran parte de la fortuna. Su hijo, que sale igual, termina amancebando con su cuñada delante de los ojos de su esposa enferma, y dilapida lo que queda. Hay historias bonitas pero se me ha hecho un poco larga y. O es fácil en su versión original.
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Profile Image for Jose Santos.
Author 3 books167 followers
December 31, 2024
Várias histórias à volta de uma casa. Muito interessante. Uma viagem longa mas saborosa sobre o Minho e as suas gentes e sobre a história de Portugal. Fez-me sorrir e reflectir e lembrou-me da riqueza que é a língua portuguesa. A escrita de Aquilino Ribeiro é fabulosa. Quero regressar a este autor já no próximo ano.
Profile Image for André.
26 reviews18 followers
October 4, 2013
Este livro que fala de uma casa ilustre em que diversas personagens interagem e concluem o seu propósito de vida, de uma assentada pode-se dizer que Aquilino Ribeiro foi um escritor com alguma tendência para fazer introduções um pouco vagarosas e com um vocabulário um pouco irritante. Quando nos fez a descrição da própria casa e nos falou do criado, e das muitas namoradas que este teve, a singular facilitação desta pessoa começa tornar o leitor numa pessoa extremamente conhecida em termos de referências literárias e a outras obras.
Dito isto, passo a dizer que os finais de obra são sempre muito intrigantes. Para um escritor tão prolífero é difífil estar a dizer como foi tão esquecido.
Provavelmente deveria ser um escritor que fizesse parte de um curriculo escolar, embora para alunos que se especializassem em literatura portuguesa.
Para finalizar, neste romance o que se pode concluir também seria a fórmula habitual de desenvolvimento de personagens na parte intermédia da obra, na qual é necessária uma atenção mais detalhada por parte do leitor, e para isso já ter lido muitas obras de Aquilino Ribeiro.

Tenho estado a comentar estes livros, porque os considero um importante marco no século XX português, apesar de tudo, e a partir do que entendi, foi um dos escritores mais consagrados, valendo-lhe uma nomeação para prémio Nobel da Literatura.

Aconcelho a leitura destas obras para quem pretenda ter uma noção da definição de várias palávras que compõem a obra - existem várias cujo significado é tão oclusivo que nem os dicionários conseguem deslindar.
Profile Image for Ana.
2 reviews
September 9, 2013
Um livro que se aconselha ler com um dicionário ao lado, "...Com os cavalos a bater o trote nos plainos ou a arrastar o passo nas subidas, as campainhas nas coleiras a tanger a sua tarantela, foi-se criando o clima de viagem. Iam silenciosos, desapegadamente a contemplar o painel do mundo. Os olhos comportavam-se quase como vidraças, viradas para a rua, que não têm ninguém por trás a ver. Os campos marchetados de prímulas e corimbos roxos, lá estavam, e eles bem os viam, mas sem apreensão interior, como reza a sentença dos passantes passados..." . Na minha opinião, uma obra muito rica e interessante pelas vivências das gentes do Alto Minho, pela sociedade da época, pelas classes sociais bem diferenciadas, pela forma da escrita, fascinante.
Profile Image for Luís.
102 reviews
November 24, 2020
Foi o primeiro livro de Aquilino Ribeiro e, inicialmente, estranhei a sua linguagem e fui obrigado a consultar dicionários com frequência.
Por duas vezes parei a leitura do livro.
Quando a ele voltei, tive que recomeçar quase do início.
Com o tempo fui-me habituando à sua forma de escrever e, a partir de certa altura, comecei a ficar deliciado com a forma como ele ia descrevendo a história dos sucessivos donos da Casa Grande.
A forma de descrever os campos do Minho é um autêntico hino à natureza.
A descrição da viagem numa carruagem de D. Telmo com a sua cunhada Dionísia e D. Escolástica tem uma carga erótica que não esperava encontrar em Aquilino.
Um grande livro!
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Cobramor.
Author 2 books20 followers
February 23, 2022
O Aquilino é um gajo tramado para ler, mas vale cada palavra
Profile Image for Lurdes Martins.
35 reviews
May 14, 2024
A CASA GRANDE DE ROMARIGÃES, de Aquilino Ribeiro...
Uma obra densa que começa com uma belíssima descrição da criação.
Destaco:
A Virgem do Amparo;
A fazenda do reverendo Gonçalo da Cunha;
Os canastros vazios e a Quinta do Desamparo, paradoxo da Quinta de Nossa Senhora do Amparo;
A Honra de Frazão, mencionada nesta obra;
Luís Antas e Joana de Azevedo e a ermida de Nossa Senhora do Amparo;
As famílias rivais, a construção da Capela e a descrição da fachada da mesma;
Plácido e seu irmão Fernando de Mendonça;
As rixas por terrenos e águas;
O casamento concertado entre Plácido e Joana Angélica, da casa de Outeiro Meão, em Calheiros;
A notícia que trouxe a zagala e o irmão Fernando Luís que se carregou de luto e deitou "com despacho a sotaina às urtigas" para casar com Joana Angélica;
As descrições da vida, das tradições e dos costumes minhotos e os brasões das casas senhoriais cobertos com panos pretos;
O casamento de Luís de Azevedo e Silvana Sousa de Meneses;
A partida para banhos;
As pilhagens dos franceses na Casa Grande e o tesouro debaixo da ara;
Os filhos enjeitados e o cirieiro de Braga;
A viagem à capital e o Zé da Calçada em Amarante;
O herdeiro da Casa Grande, Telmo, o filho do cirieiro;
Os pavões com a sua "capa de asperges de arcebispos de Bizâncio";
A procura da netinha nos conventos;
O pintor de Astorga e a descrição da ascendência da Casa Grande;
O "embevecimento" de Telmo face a Dionísia;
Nossa Senhora do Amparo, entre São Pedro e São Paulo, rodeada por vessadas e almargeais...
Nesta saga de Cunhas e Montenegros, as expressões ouvidas há muitos anos:
"A moinha"
"Peneirar o milho"
"Migar a tigela"
"Tocar com a coroa"
"Nem chus nem bus"
"As sopas de vinho"
"Uma canada"...
Uma obra de difícil leitura, com vocábulos peculiares do Minho e alguns que caíram em desuso.
Saliento ainda as frases: "É pena que se não possa regular a vida como um relógio, andando com os ponteiros para diante e para trás segundo a nossa conveniência." e "A primavera, tantas vezes rebelde ao calendário, rejuvenesce tudo menos o homem."
E pergunta retórica a "triste planta humana" "Será ela a obra-prima da Criação ou a pior de todas?"
Profile Image for João Filipe.
114 reviews1 follower
May 19, 2018
A Casa Grande de Romarigães, de Aquilino Ribeiro. Uma leitura difícil, cansativa e que exige um grande compromisso. Aquilino Ribeiro era um erudito, com o dom da escrita, um conhecimento exaustivo da língua portuguesa e que deixou um património literário que servirá de guardião da linguagem, das palavras e do regionalismo das palavras.

A Grande Casa de Romarigães, é uma crónica romanceada sobre a mesma, a evolução genealógica da família Cunhas e Montenegros e que faz o caminho entre 1640 até 1834, sem que isto seja assim tão hermético. A padroeira da mesma foi Nossa Senhora do Amparo, uma característica das grandes casas burguesas, que passava por ter uma referência religiosa, igualmente um lugar de culto para a mesma. Episódios que passam por um casamento entre primos (terá isto marcado negativamente a evolução familiar?), o abuso sexual, a traição, a arrogância política e social. Um romance que é igualmente uma caracterização social.

Ler Aquilino Ribeiro obriga que haja um dicionário em paralelo. Esta exigência quebra o ritmo de leitura, torna difícil a compreensão e o prazer que é suposto existir na leitura acaba por tornar-se quase inexistente.
Profile Image for Rui Vivas.
Author 1 book7 followers
June 19, 2017
"Joana (...) não era formosa, mas extremamente sedutora. As mulheres porém não precisam de ser bonitas para serem amadas até à idolatria. Basta-lhes que possuam o quid magnético que chama o pirilampo para a pirilampa através do escuro incomensurável. Era mediana de corpo, enxuta de carnes, dentes muito brancos e regulares, olhos pretos de que se não via o fundo, e um sorriso brando, destes que, sem jamais se descomporem, variam de suavidade como os dos felinos que reflectem nas pupilas os cambiantes da luz. Da cinta era fina e, no andar, um tudo-nada flexuoso, punha um dengue tão involuntário que se quedava em requebro natural, promissor de temperamento. Pertencia em suma à classe de mulheres que, a começar pelo corpo e a acabar pela alma, se tornam amantes perfeitas. Lianças com elas jamais se rompem. Quem as ama, ama-as até à morte. Quando desaparecem, deixam inextinguível braseiro." p. 37 da edição do Círculo de Leitores, 1979
Profile Image for Luniluni.
263 reviews19 followers
December 29, 2022
Jamás pensé ponerle tan poca nota a este libro pero desgraciadamente su lectura para mí se convirtió en una tortura. Lo leí traducido al gallego y más de la mitad del tiempo no sabía lo que estaba leyendo: vocabulario completamente desconocido, construcciones gramaticales que para mí no tienen sentido... un horror. No sé hasta qué punto será culpa de la traducción o de la forma de escribir del autor, pero por los comentarios que he visto en portugués creo que el señor en cuestión es de armas tomar. Por lo demás, la idea era muy interesante, la historia de varias generaciones que viven en la Casa Grande con todas sus alegrías y miserias, y sé que escrito de otra manera lo hubiera disfrutado mucho. Una pena, tenía muchas ganas de iniciarme con la literatura portuguesa y no he podido empezar con peor pie; tengo intención de seguir leyendo cosas pero eso sí, con este autor no creo que repita.
Profile Image for Martinho Sá.
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July 12, 2025
Aquilino Ribeiro, o escritor mais fraco a escrever com um dicionário de sinónimos ao lado.

Esta foi a obra literária mais densa que já experienciei. Há uma média de 5-10 palavras desconhecidas ou nada usuais em cada santa página, o que torna esta leitura difícil e, por vezes, algo sorumbática.

Contudo, este tipo de erudição agrada-me e, após alguma insistência, a narrativa flui.

“A Primavera, tantas vezes rebelde ao calendário, rejuvenesce tudo menos o homem. As leis da ciclidade física assim o mandam. Para o ano, por esta altura, voltarão as aves a cantar. Que chova, que faça um sol radioso, com o mundo vegetal pletórico de seiva ou mais aganado, à triste planta humana é que nada afasta da sua carreira para a morte. Será ela a obra-prima da Criação ou a pior de todas?”
447 reviews2 followers
February 17, 2023
Uma grande estrela da literatura portuguesa.
A prosa única de Aquilino é um desafio para qualquer leitor, por mais experiente que seja; uma prosa ecléctica, misturada com a linguagem popular minhota e beirã de outros tempos.
Um livro, como ele diz no inicio do capitulo XX "fastidioso de ler", mas que compensa pelo assombramento da prosa, do vocábulo e da estruturação das frases.
História sem personagens centrais, resume-se a várias gerações que passaram pela casa, com os seus declínios e auges.
Trabalhoso de ler, mas compensador.
Profile Image for Ana Monteiro.
310 reviews1 follower
May 6, 2025
A história de uma família, com as especificidades da vida no Alto Minho (a casa que inspirou a história fica perto de Rubiães, Paredes de Coura).
Lembro-me de ter gostado bastante de mergulhar neste romance (já decorreram muitos anos, mas a sensação ficou).
Uma escrita riquíssima, brilhante, menções históricas interessantes.
Não foi a única obra do autor que li, e esta serviu para confirmar o seu talento superior, sem margem para dúvidas.
853 reviews
June 20, 2025
O subtítulo deste romance é particularmente relevante - crónica romanceada-. Parte da ideia de que o autor encontrou uma crónica do século XVII que contava a história de uma família e da sua casa, e que a reconta para prazer e edificação do leitor. A história de Portugal dos medianos que querem ser grandes é-nos contada até ao século XX, sempre pela perspectiva dos morgados da Casa de Romarigães. O texto é vivo, cheio de vocábulos que hoje já não usamos, mas de que intuímos o significado pelo contexto, e, por vezes, não se consegue parar de ler, tais são as peripécias.
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