À época de seu vigésimo aniversário, Bianca narra em tempo real sua vida em uma casa de prostituição no interior, misturando o tempo da narração aos seus devaneios de infância. O universo fantástico da menina gira num sufocante ciclo de vínculos que ela ao mesmo tempo nutre e corrompe, enquanto procura disfarçar, com certa arrogância, a profunda carência que a mantém dependente dos outros. O monólogo ágil, permeado por falas dos outros personagens em discurso livre, flui em vários ritmos, em sintonia com as ocorrências na vida de Bianca, que variam de uma lenta e digressiva tarde ao sol para graves episódios de violência. A narradora é fantasiosa, revolvendo fatos muitas vezes obscuros, ainda sob a "pseudonévoa da sua imaginação", mas aos poucos revela os dados revoltantes da sua biografia e um passado rompido pela perversidade e moralismo masculinos. Sentimos a voz da menina amadurecer ao longo de suas tragédias atuais ou revividas, enquanto abandona seu esforço de simular um desapego geral. O que não sucumbe, apenas, é a contundente solidão que dá o tom de todo o romance. Romance finalista e menção honrosa do Prêmio Nascente USP 2009
Mariana Salomão Carrara é paulistana, escritora e Defensora Pública, nascida em 1986. Tem publicados um livro de contos (Delicada uma de nós – Off-Flip, 2015), e os romances Idílico (EI, 2007), Fadas e copos no canto da casa (Quintal Edições, 2017), Se deus me chamar não vou (Editora nós, 2019, entre os 10 indicados ao Prêmio Jabuti 2020, em Romance Literário), “É sempre a hora da nossa morte amém” (Editora Nós, 2021, finalista do Prêmio São Paulo 2022 e entre os 10 indicados ao Jabuti 2022),”Não fossem as sílabas do sábado” (Todavia, junho/2022, Vencedor do Prêmio São Paulo 2023, Melhor Romance do Ano) e A árvore mais sozinha do mundo (Todavia, agosto/2024). Por contos e poemas avulsos, recebeu na juventude prêmios nacionais como Off-flip (2012), SESC-DF, Felippe D’Oliveira (2015 e 2016), Sinecol, Josué Guimarães e Ignácio de Loyola Brandão. Recebeu o segundo lugar no Prêmio Guiões (Portugal, 2019) pelo roteiro de longa-metragem É lá que eu quero morar.
Livro envolvente, de ritmo acelerado, principalmente no final. Poucas vezes me prendi tanto a um livro como em Fadas. Terminei em uma madrugada. A narradora é uma menina mulher ingênua que em meio a sonhos tem momentos de profunda compreensão da natureza humana.
Maravilhoso! Da forma ao conteúdo. Bianca, a protagonista, é magnética e a fada é apaixonante. É muito dolorido e, ao mesmo tempo, poderoso. Recomendo demais!