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176 pages, Paperback
First published January 1, 2018
Em vez de se fechar em sua dor, prendendo-se a uma ideia absoluta e inequívoca, o narrador-personagem-autor se volta para o mundo; ele busca fora, no outro, através de um exercício empático de imaginação, entender a própria dor. Sai à procura de algo impreciso, recorrendo à Yoga, à religião, à terapia, à memória, ao sexo, à experimentação, ao pensamento suicida, à ficcionalização... Tudo para reconstruir-se, manter-se, estar vivo.
A Filha Morta, sempre ausente e onipresente, ocupa cada palavra do romance com o peso descomunal que recai sobre o Pai. Ela nunca será superada. Ao final dessas páginas desconexas de um fluxo de consciência frenético e montagens gráficas em várias mídias, porém, chego à mesma conclusão que ele: ao desfazer todas as suas certezas, esse desencanto lhe fez perder tudo e ganhar o prêmio máximo. Permitiu a ele reencontrar o mundo e a si mesmo — não por seu nome, profissão ou mesmo pela paternidade, e sim pela Ficção, num dos mais belos e doídos romances que já li.