Este Melhores Poemas Cora Coralina traz a seleção especial dos mais célebres poemas da poeta. Organizado por Darcy França Denófrio, mestre em Teoria Literária, a obra apresenta-se em formato pocket. Simples, muito próxima do gosto do povo, fluindo com naturalidade, a poesia de Cora Coralina encontrou uma imensa receptividade popular. O segredo talvez esteja no fato de que os seus versos dizem o que as pessoas sentem, mas não conseguem expressar, e na grande simpatia pelo semelhante, sobretudo os humilhados e perseguidos. “Não depende dela e nem de nós: Cora dos Goiases esplende agora, não mais na solidão de seu ‘aquém-Paranaíba’. Isto já não lhe basta. Ela resplancede no universo dilatado da poesia brasileira, e já força passagem. Não se pode mais dizer: este é o seu lugar.” Darcy França Denófrio
Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, que adotou o pseudônimo de Cora Coralina, era filha de Francisco Paula Lins Guimarães Peixoto, desembargador nomeado por D. Pedro II, e de dona Jacintha Luiza do Couto Brandão. Ela nasceu e foi criada às margens do Rio Vermelho, quando seu avô ainda era uma criança. Estima-se que essa casa foi construída em meados do século XVIII, tendo sido uma das primeiras edificações da antiga Vila Boa (Goiás). Começou a escrever os seus primeiros textos aos 14 anos, publicando-os posteriormente nos jornais da cidade de Goiânia, e nos jornais de outras cidades, como constitui exemplo o semanário "Folha do Sul" da cidade goiana de Bela Vista - Foi um bom autor desde a sua fuaneiro de 1905 -, e nos periódicos de outros rincões, assim a revista A Informação Goiana do Rio de Janeiro, que começou a ser editada a 15 de julho de 1917, apesar da pouca escolaridade, uma vez que cursou somente as primeiras quatro séries, com a Mestra Silvina. Melhor, Mestre-Escola Silvina Ermelinda Xavier de Brito (1835 - 1920). Conforme Assis Brasil, na sua antologia "A Poesia Goiana no Século XX", Rio de Janeiro: IMAGO Editora, 1997, página 66, "a mais recuada indicação que se tem de sua vida literária data de 1907, através do semanário 'A Rosa', dirigido por ela própria e mais Leodegária de Jesus, Rosa Godinho e Alice Santana." Todavia, constam trabalhos seus nos periódicos goianos antes dessa data. É o caso da crônica "A Tua Volta", dedicada 'Ao Luiz do Couto, o querido poeta gentil das mulheres goianas', estampada no referido semanário "Folha do Sul", da cidade de Bela Vista, ano 2, n. 64, p. 1, 10 de maio de 1906.
Ao tempo em que publica essa crônica, ou um pouco antes, Cora Coralina começa a frequentar as tertúlias do "Clube Literário Goiano", situado em um dos salões do sobrado de dona Virgínia da Luz Vieira. Que lhe inspira o poema evocativo "Velho Sobrado". Quando começa então a redigir para o jornal literário "A Rosa" (1907). Publicou, nessa fase, em 1910, o conto Tragédia na Roça.
Em 1911, fugiu para o estado de São Paulo com o advogado Cantídio Tolentino de Figueiredo Bretas, que exercia o cargo de Chefe de Polícia, equivalente ao de secretário da Segurança, do governo do presidente Urbano Coelho de Gouvêa - 1909 - 1912, onde viveu durante 45 anos, inicialmente nos municípios de Avaré e Jaboticabal onde nasceram seus seis filhos: Paraguaçu, Eneas, Cantídio, Jacintha, Ísis e Vicência. Ísis e Eneas morreram logo depois de nascer. Em (1924), mudou para São Paulo. Ao chegar à capital, teve de permanecer algumas semanas trancada num hotel em frente à Estação da Luz, uma vez que os revolucionários de 1924 haviam parado a cidade.
Em 1930, presenciou a chegada de Getúlio Vargas à esquina da rua Direita com a Praça do Patriarca. Seu filho Cantídio participou da Revolução Constitucionalista de 1932.
Com a morte do marido, passou a vender livros. Posteriormente, mudou-se para Penápolis, no interior do estado, onde passou a produzir e vender linguiça caseira e banha de porco. Mudou-se em seguida para Andradina, cidade que atualmente, mantém uma casa da cultura com seu nome, em homenagem. Em 1956, retorna a Goiás.
Ao completar 50 anos, a poetisa relata ter passado por uma profunda transformação interior, a qual definiria mais tarde como "a perda do medo". Nessa fase, deixou de atender pelo nome de batismo e assumiu o pseudônimo que escolhera para si muitos anos atrás. Durante esses anos, Cora não deixou de escrever poemas relacionados com a sua história pessoal, com a cidade em que nascera e com ambiente em que fora criada. Ela chegou ainda a gravar um LP declamando algumas de suas poesias. Lançado pela gravadora Paulinas Comep, o disco ainda pode ser encontrado hoje em formato CD. Cora Coralina faleceu em Goiânia, de pneumonia. A sua casa na Cidade de Goiás foi transformada num museu em homenagem à sua história de vida e produção literária.
Aproveitando o mês do tema do Desafio Literário Popoca de julho, poesia, resolvi finalmente ler meu primeiro livro da poetisa brasileira Cora Coralina. Sim, confesso que nunca tinha lido nada da goiana que ascendeu ao estrelato literário aos 76 anos, apesar de escrever desde jovem.
Só a história de Cora Coralina já é algo digno de livro e filme, mas, como boa poetisa, ela conseguiu imortalizar parte da sua jornada em seus poemas. E esses foram os meus preferidos dessa edição da editora Global Pocket organizado por sua conterrânea Darcy França Denófrio. A coleção inclui diversos poemas de seus consagrados livros Poemas dos becos de Goiás, Meu livro de cordel e Vintém de cobre.
Cora Coralina nasceu em 1889 em Goiás, em uma família que havia sido rica mas estava no processo de perder sua fortuna, sendo ela a filha caçula e com o pai morrendo quando ainda era muito criança, Cora (que é um pseudônimo para Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas) teve uma infância difícil e relativamente pobre. Apesar de se enveredar desde cedo pelas letras, os relatos dizem que ela cursou entre 2 e 4 anos da escola primária apenas. Se envolveu desde cedo com o meio literário goiano, mas só veio publicar um livro seu em 1965, quando já era viúva.
Cora é um retrato da vida feminina da sua época, quando criança era trancada em casa por ser menina e não deram lá muito estímulo para ela estudar. Mais tarde quando casou, parou tudo o que amava e se dedicou 100% à família, chegando a virar doceira após a morte do marido para sustentar a família, e só saiu das sombras quando era uma venerável senhora. Mas saiu com vontade, revisitando a fundo a sua infância e aproveitando para mostrar todo o horror dela.
Além da infância, que é um tema importante na sua obra, Cora Coralina escreve muito sobre sua terra natal, o que é interessante para quem não está acostumado com obras tão ricas sobre o interior do Brasil pré Brasília. E o mais interessante é ver histórias tão antigas, de um tempo que parece tão longínquo sendo contada em forma de verso coloquial e bem moderno. Porque claro que a poetisa fez sucesso não só pelos temas e idade avançada, e sim pela qualidade, força, honestidade e inovação da sua escrita.
Dito tudo isso, gostei da coletânea, mas, não fiquei arrebatada. Gostei especialmente dos poemas estilo Aninha da autora (os autobiográficos da infância), mas nem todos os outros me marcaram. Por vezes, confesso que achei um tanto quanto repetitivo, e nem sempre o estilo modernoso da sua escrita me agrada. Mas, sei que isso é uma questão minha e não da autora.
Ainda assim recomendo muitíssimo ler sua obra. E se ficar na dúvida do que ler primeiro, pegue uma coletânea como eu fiz. Vale a pena.
Tem bons poemas. Cora escrevia, com talento e força, versos que se aproximavam da prosa, sendo alguns bem longos. Sabia contar histórias com uma riqueza de palavras e descrições — cantava, como diz em um poema, o passado e o futuro de sua terra —, mesmo não tendo uma escolaridade completa. Sabia da importância do lembrar. Sabia amar essa terra e suas pessoas, mesmo tendo sofrido tanto quando criança. Também há expresso nessas páginas, por diversas vezes, uma preocupação social, um olhar da autora para os becos e vielas de Goiás, para os esquecidos, para os animais. Não sei se é a melhor antologia, mas tem poemas conhecidos e marcantes.
"[...] Eu sou aquela menina feia da ponte da Lapa. Eu sou Aninha.
Eu sou aquela mulher que ficou velha, esquecida, nos teus larguinhos e nos teus becos tristes, contando estórias, fazendo adivinhação. Cantando teu passado. Cantando teu futuro.
[...]
Eu sou o caule dessas trepadeiras sem classe, nascidas na frincha das pedras. Bravias. Renitentes. Indomáveis. Cortadas. Maltradas. Pisadas. E renascendo."
Boa, poesia boa. Mas não foi o melhor livro de poesia, tem um quê de vida sertaneja que me conquista, mas muitas orações entre as poesias que me deixaram confusa com o texto.
Minha mãe sempre falou muito dela para mim, quando fui crescendo. Embora nunca tenha se estendido substancialmente na sua poesia, era um nome recorrente quando falávamos de autoras brasileiras. Talvez, por essa memória constante, tenha criado uma expectativa terrível em cima dela.
Achei o livro na biblioteca. Levei nas férias para ler, despretensiosamente. Os primeiros poemas foram fáceis, interessantes. Depois de um tempo, porém, o tema se repetiu — e aí talvez fosse apenas eu cansado de ler em excesso — e eu comecei a detestar.
Que ela esteja enquadrada num período em que a forma da poesia era livre, tudo bem. Entretanto, tive a impressão de que Cora escreve prosa em versos em vez de poesia, verdadeiramente. Não vou entrar em detalhes, porque não sou versado nos aspectos técnicos das Letras, apenas exponho minha subjetividade.
Sinto ter lido diversos textos que seriam ótimas ficções ou micro contos não fictícios, e que, talvez, na forma da prosa, produziriam um efeito melhor no leitor, um impacto, uma beleza, uma imagem mais firme e bela do que como foi.
Apesar disso, não posso ser injusto e dizer que odiei por completo. Tem vários poemas que são lindos e que funcionaram da forma que são. Saliento especialmente o Poema do Milho e a Ode às Muletas.
Comecei o audiolivro (Global Editora) despretensiosamente, para conhecer a autora que eu só conhecia de nome. Me surpreendi muito positivamente.
Antes de tudo, adorei a narração. A Beth Goulart já é ótima em narrar, e parece que a sua voz combinou ainda mais com esse livro. Muito agradável de ouvir.
Sobre o livro em si: gosto muito de poemas que contam histórias, que parecem contos, e vários dos poemas dela são exatamente assim ("Estória do aparelho azul-pombinho"; "O prato azul-pombinho"). Um dos meus autores preferidos, que se destaca para mim exatamente por isso, é Drummond ("Caso do Vestido", "Morte do Leiteiro"), e não me surpreende ele mesmo ter elogiado bastante a Cora.
As cenas são bucólicas, de uma vida rural e familiar, narradas sob uma perspectiva feminina, muito bonitas. Ler o livro por inteiro, em sequência, faz com que os poemas individuais façam mais sentido do que os ler avulsamente. É como uma autobiografia em formato de poesia.
“Ajuntei todas as pedras Que vieram sobre mim. Levantei uma escada muito alta e no alto subi. Teci um tapete floreado e no sonho me perdi.
Uma estrada um leito uma casa, um companheiro. Tudo de pedra.
Entre pedras cresceu a minha poesia. Minha vida... Quebrando pedras e plantando flores.
Entre pedras que me esmagavam Levantei a pedra rude dos meus versos.”
[“Melhores poemas”, Das pedras], de Cora Coralina (1889-1985)
O verdadeiro significado de força e resiliência podemos encontrar na trajetória de vida de Cora Coralina e que tão bem seus versos traduzem, como esse poema “Das Pedras”.
Não te deixes destruir… Ajuntando novas pedras e construindo novos poemas. Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça. Faz de tua vida mesquinha um poema. E viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir. Esta fonte é para uso de todos os sedentos. Toma a tua parte. Vem a estas páginas e não entraves seu uso aos que têm sede.
Cora foi uma doce, assim como os doces que fazia. É a sua simplicidade que a fez uma escritora genial! Em diversos momentos, Cora me fez lembrar que a vida exige intensidade e de como a simplicidade pode ser o melhor caminho para atingir a mais alta riqueza de espírito.