Não lembro exatamente por que coloquei esse livro em minha lista de leitura. Nas primeiras páginas, logo percebi que é bastante desatualizado, como se imagina que seria um livro sobre tecnologia escrito em 2008 e sendo lido em 2026. Contudo, não deixa de ser interessante ver como era a percepção da época em relação à rede cada vez maior de elos que estava se criando entre os diferentes tipos de mídias.
De qualquer forma, é possível traçar paralelos. Recentemente, acabei me inserindo, mais involuntária do que voluntariamente, no redemoinho de teorias envolvendo a última temporada da série Stranger Things. Lendo o primeiro capítulo do livro, no qual o autor descreve as comunidades de discussão em torno de séries que foram surgindo na internet, é possível ter insights notáveis sobre o comportamento dos fãs durante o processo de desvelamento dos últimos capítulos de uma trama tão amada. Os diversos exemplos apresentados pela autor servem a um propósito: trazem luz a processos de consumo midiático que vemos acontecendo o tempo todo ao nosso redor e com nós mesmos, mas que não percebemos conscientemente.
Analisando as testes do autor e suas projeções para o futuro, não se pode dizer que nada do que ele escreveu ali se provou efetivamente falso com o passar do tempo, o que confirma que foi uma boa leitura da realidade por parte dele. A ideia de que mídias não morrem, mas apenas trocam para dispositivos mais atualizados, e a necessidade de consumir diferentes tipos de mídias por parte da população para se integrar a um "mundo" construído pelas produtoras de conteúdo, tudo isso foi levantado no livro.
Pode-se dizer que algumas teses foram otimistas demais, isso sim. O autor frequentemente fala sobre a democratização da informação que seria promovida pelas redes, e, claro, não havia como imaginar naquela época o poder que o algoritmo teria, o poder que as Big Techs teriam de comandar quase de forma exata o tipo de informação que chega em cada um. Nem é preciso comentar que não era possível imaginar a revolução que ocorreria a partir da evolução da inteligência artificial (embora o autor aborde manipulações feitas pelo Photoshop, que era o auge em edição de imagem da época).
Não sei se há alguma obra parecida com essa que tenha sido escrita em tempos mais recentes. A tecnologia é uma área que se modifica extremamente rápido, então o livro sofre com essas defasagens, e uma abordagem mais atualizada certamente valeria a pena para complementar esse conteúdo. Entretanto, historicamente, a obra é muito válida e entra em especificidades sobre o cenário midiático que dificilmente outros autores conseguiriam tratar com tantos detalhes.