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Ensina-me a Voar Sobre os Telhados

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Japão, 1917. Por desonrar o nome da família, o jovem Katsuro é exilado pelo seu próprio pai, um poderoso governador, num ilhéu inóspito. Abandonado, o rapaz irá deparar-se, pela primeira vez, com o terrível segredo da família Tsukuda, enquanto luta para sobreviver à fome, à sede e à culpa.

Lisboa, cem anos depois. No Liceu Camões, um dos mais antigos da cidade, um professor de Geografia suicida-se numa sala de aula. O nosso narrador, funcionário do liceu e alcoólico em recuperação, decide inaugurar uma reunião semanal para ajudar os colegas a superar o choque.

Numa noite de Inverno, um misterioso desconhecido aparece no encontro. É japonês e chama-se Tsukuda. O seu estranho comportamento desperta no narrador um fascínio doentio. Ambos são perseguidos pelo passado, ambos desejam o impossível.

Algures entre o sonho e a mais pura realidade, "Ensina-me a Voar Sobre os Telhados" é um lugar onde um pai e um filho aprendem a amar-se, é um espaço onde se procura aceitar dores antigas e abraçar a fragilidade humana. Um romance que é uma elegia à beleza imperfeita da vida.

487 pages, Paperback

First published March 20, 2018

81 people are currently reading
1328 people want to read

About the author

João Tordo

44 books1,766 followers
João Tordo was born in 1975. He has published twenty-one books - novels, crime novels and essays - and received several awards, including the José Saramago Literary Prize 2009, the Fernando Namora Prize 2021 and the GQ Prize. He was a finalist for many other awards, including the European Literary Prize, the Fernando Namora Prize, the Oceanos Prize and the PEN Club Prize. His books have been published in several countries, including France, Italy, Germany, Hungary, Spain, Croatia, Serbia, Czech Republic, Mexico, Argentina, Brazil, Uruguay and Colombia.

João Tordo nasceu em Lisboa em 1975. Publicou vinte e um livros - divididos entre o romance, o policial e o ensaio - e recebeu diversos prémios, incluindo o Prémio Literário José Saramago 2009, o Prémio Fernando Namora 2021 e o Prémio GQ. Foi finalista de muitos outros prémios, incluindo o Prémio Literário Europeu, o Prémio Fernando Namora, o Prémio Oceanos e o Prémio PEN Club. Os seus livros foram publicados em diversos países, incluindo França, Itália, Alemanha, Hungria, Espanha, Croácia, Sérvia, República Checa, México, Argentina, Brasil, Uruguai, Colômbia.

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Community Reviews

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257 (21%)
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47 (4%)
1 star
14 (1%)
Displaying 1 - 30 of 140 reviews
Profile Image for Sofia Teixeira.
608 reviews132 followers
January 21, 2020
No Verão de 2017 estive a viver no Japão enquanto investigadora científica convidada na Universidade de Kyushu, em Fukuoka. As pessoas ficam sempre muito espantadas quando digo que não gostei da experiência. Gostei das paisagens, gostei de alguns locais que visitei (como não adorar dar festinhas a veados em pleno parque da cidade ou estar em pequenas ilhas que parecem tiradas de um imaginário mágico e místico?), mas a sensação que se manteve sempre à flor da pele foi a de uma frieza emocional e de alguma loucura repelente. Quando li a sinopse de Ensina-me a Voar Sobre os Telhados senti um misto de emoções. Primeiro, porque tudo o que envolva o Japão e algum tipo de embelezamento romântico me deixa de pé atrás, depois porque tudo aquilo que de alguma maneira nos marca acaba por nos atrair sempre com uma espécie de fascínio retorcido. Foi neste estado de espírito, cauteloso, que avancei para este livro que se veio a tornar numa obsessão.

Engraçado que é precisamente este o grande tema, digo eu para mim mesma, desta obra - a obsessão. Seja obsessão por um qualquer vício (perdoem-me o pleonasmo), estado de espírito, tema ou pessoa. Cheguei a uma altura da leitura, principalmente no último terço do livro, em que dava por mim a querer que o dia terminasse para que finalmente pudesse retomá-la. Não é dos romances mais fáceis de ler, mas é certamente daqueles em que o desafio se torna numa espécie de concretização, qual amante nas sombras à espera do seu par. São percorridos vários locais e espaços temporais diferentes. Japão, Portugal, presente, passado, gerações que se cruzam de forma inteligente e perspicaz, prendendo o leitor e surpreendendo-o. Muitas vezes tive a sensação de estar a ler histórias dentro de histórias para a seu tempo João Tordo nos dar a cereja no topo do bolo e de alguma maneira pacificar a nossa constante inquietação.

Sim, este é um livro que nos inquieta, que nos revolve, que nos faz questionar não só a nossa postura na vida e a nossa personalidade como também as nossas crenças. A grande proeza em Ensina-me a Voar Sobre os Telhados é a forma como o escritor português consegue transmitir todos os acontecimentos de forma tão intrigante e eloquente, mesmo quando entramos em terrenos sensíveis. Nesta narrativa, o quotidiano e o corriqueiro contrastam com uma espécie de mitologia de que nos atrai e comove, tendo esta mistura como efeito um certo deslumbramento pela própria melancolia na qual o enredo está fortemente embebido. Tanto o narrador como Tsukuda são, sem dúvida, dois protagonistas de excelência, mas foi Katsuro e Saburo que mais mexeram comigo, talvez pela violência inerente às suas existências que se vê reflectida agora em Tsukuda. Ah! E Ludmila, a querida Ludmila, a personagem feminina que tem um papel singelo, mas que faz toda a diferença, e um dos capítulos mais bonitos do romance.

João Tordo teve a capacidade de criar inúmeras personagens e de as orquestrar numa trama complexa, porém também sublime. A sua escrita inteligente, aliada à sua capacidade descritiva que nos transporta directamente para os cenários que descreve, mostra-se a nossa grande aliada nesta epopeia pelos escombros emocionais do ser humano. O pontapé de saída é dado por um suicídio que se torna a razão pela qual o nosso narrador se cruza com Tsukuda, mas muito mais é explorado. Aliás, o tema do romance não é de todo inocente e reflecte precisamente uma espécie de vazio que necessita ser conquistado para que uma pessoa possa assim levitar e "voar sobre os telhados". Uma coisa eu sei, certamente tão cedo não esquecerei algumas das passagens, seja porque visualmente se tornaram tão reais em mim, seja porque emocionalmente houve uma espécie de espelho que por vezes me apanhou desprevenida. Com Ensina-me a Voar Sobre os Telhados, João Tordo acrescenta ainda mais profundidade a uma bibliografia admirável.
Profile Image for Ana Cruz.
51 reviews16 followers
July 7, 2020
A história que mais gostei de ler nos meus anos de maioridade, este livro foi uma prenda de aniversário incrível. Li Camilo Castelo Branco e li Saramago e quis continuar a progredir na cronologia da literatura portuguesa até à contemporaneidade, da qual conheço tão pouco. A escolha por esta obra foi algo aleatória. Chamou-me a atenção o facto de intercalar dois locais na sua narrativa: Portugal e Japão. Pensei no livro que tinha lido de Valter Hugo Mãe também passado no Japão e senti curiosidade. Em geral, na verdade, estou sempre curiosa em relação ao Japão.
Eu sei que este parágrafo de motivação é pouco relevante para a Review que se segue, mas é importante para mim contextualizar. É útil para perceber que não tinha expectativas, nem ideias pré-estabelecidas e é interessante para mim, a nível pessoal, para me poder recordar mais tarde sobre o que aconteceu em redor desta leitura.
É uma história muito bonita que me sensibilizou bastante e por essa razão senti prazer em demorar a sua conclusão.
Aborda a doença mental. Mas, sobretudo, a forma como a própria condição humana nos condena a um estado de melancolia inultrapassável. Tal deve-se, tal como retratado na orquestração impecável de João Tordo, a dois factores.
Em primeiro lugar, os humanos têm dificuldade em alinhar a realidade com as expectativas que têm para ela. Por isso, muitas vezes, procuram fugas: um sonho, o jogo, a bebida, a religião, qualquer coisa que ofusque o que é real com o que é ilusório. Algumas pessoas, deixam-se levar, abandonam-se à loucura, porque não podem aceitar esta discordância fatal. No fundo, o que afeta o bem-estar da breve vida humana é a patologia conhecida pela mania de grandeza. A incapacidade de ultrapassar a ilusão coletiva de que o contributo individual conseguirá elevar-se para além das limitações de cada um. Todos as têm, apenas alguns se adaptam e encontram a felicidade, encarando de frente a sua realidade.
Em segundo lugar, a dor é hereditária, passa de geração para geração. Esse mal-estar adiciona-se à baseline da tristeza geral da humanidade e modula-a, personaliza-a. Assim, muitas pessoas encaram uma vida de solidão, não conseguindo rever na dor nos outros o bocadinho que lá está que pertence também à sua. Para além disso, ainda a dificultar esse reconhecimento, existe ainda essa tristeza que advém da própria doença, contra a qual ainda não há grande remédio no contexto clínico atual.
No entanto, a chave para aliviar este estado depressivo é mesmo o contacto humano, em particular, a realização de que alguém se preocupa, ou, pelo menos, nos ouve.
Nisto surge mais um desafio, o de guardar espaço para a preocupação com o próprio, para além da salvação do vizinho. Aliás, com o tempo, estamos condenados a esquecer quem fomos no passado, bem como o futuro que antevimos nesses tempos longínquos. Para além disso, na tentativa de evasão, de alívio, surge um fascínio pela dor dos outros, a busca pelo absurdo maior que aquele com que se lida. Ou então, o profundo desejo de encontrar alguém que compreenda. Sentir refletida num estranho, num conhecido, num amigo, uma compreensão mútua.
O que nos une é esta melancolia, a doença coletiva do tempo atual em que vivemos. A melancolia de que padece uma sociedade fragmentada no seu processo de globalização.
João Tordo escreve esta tese numa narrativa incrivelmente eficaz e precisa, mas não menos bela e emotiva. Senti-me obcecada em relação ao mistério da vida de Tsukuda, tal como a personagem principal, o homem inominável que podia ser o autor ou apenas a voz que lê livros na minha cabeça, palavra atras de palavra, a qual nunca poderia contar-me uma história destas de sua própria invenção, mas parece ter sido criada para ler especificamente esta obra. O seu tom, estou misticamente convencida, é o exacto tom da voz do narrador.
Chamei-lhe mistério, é isso mesmo. As linhas temporais cruzam-se magicamente, para frente e para trás, vamos recolhendo pedaço a pedaço. A personagem principal é como um detetive, sabe pouco mais que nós sobre onde a história o leva. Mas é profundamente sensível a ela, tal como o leitor.
De uma perspectiva mais objetiva, ou melhor, menos pessoal, a narração está muito bem escrita. Atinge os pontos certos, em termos de ação, de estilo, de personagens, de circunstâncias, de transmissão da sua mensagem. Aos meus olhos, perfeito.
Outro fator para o deleite do leitor é a junção do folclore japonês com a realidade lisboeta tão concreta. Não leio muitos livros com referências a espaços que me são tão conhecidos, neste caso, as ruas de Lisboa. A experiência é muito gira. Especialmente porque é contraposta com a realidade tão contrastante do Oriente, em particular da cultura japonesa, não deixando, contudo, de tocar na sua herança portuguesa.
Encontras um estranho com um impacto imprevisto e inegável na tua vida. Foi isto que o livro me descreveu e foi isto o que o livro foi para mim.
Portanto, claro que o recomendo. O tema principal é sem duvida a saúde mental. Ajuda ao gosto algum interesse por misticismo ou folclore E, especialmente, sobre temas filosóficos e introspectivos.
Em conclusão, é óbvio que adorei. Também é óbvio, para mim, que quero muito continuar a explorar a obra deste autor. Contudo, de agora em diante, com o risco das expectativas elevadas
Profile Image for Ana | The Phoenix Flight.
242 reviews182 followers
November 6, 2019
Sugestão de leitura aqui: https://youtu.be/aRagsYVyJQ4

Costumo fugir dos autores portugueses, quase como o diabo foge da cruz, para ser sincera. Costuma haver uma espécie de pedantismo na escrita de autores portugueses que não me agrada de todo.
Mas a escrita de João Tordo está longe de ser assim. É bonita, com alguns floreados, mas sem exageros.
O livro tem uma narrativa fluída, mesmo transitando entre vários pontos da história que conta, entre passado distante, passado mais recente e o presente.
As histórias são melancólicas, que de certa forma é um estado de espírito recorrente para mim. A fatalidade do nosso fim sempre presente, com alguma esperança em algo fantástico que dê algum significado à nossa passagem por este planeta, uma justificação para todo o sofrimento que tantos vivem, cada um à sua maneira.

Gostei muito do livro, relembrou-me algo que a minha mãe me disse: "Não podes salvar toda a gente". Mas podemos muito bem tentar...
Profile Image for Os Livros da Lena.
299 reviews322 followers
Read
January 10, 2022
Abandonei à página 356. Uma necessidade absurda de torturar uma personagem.
Profile Image for Maria João (A Biblioteca da João).
1,387 reviews250 followers
August 29, 2018
9,5 de 10*

Em regra, quando leio um livro, racionalizo bastante aquilo que leio e tento ser objectiva na leitura. Iniciei este “Ensina-me a Voar Sobre os Telhados” com a mesma filosofia. Cedo percebi que não era a maneira certa de ler este livro. Rendida à beleza da escrita, deixei-me simplesmente levar pela narrativa. Que experiência fantástica!

Comentário completo em:
http://abibliotecadajoao.blogspot.com...
Profile Image for Sofia Marques.
294 reviews15 followers
April 21, 2020
Foi a minha estreia com João Tordo e depois de tantas opiniões, não desiludiu em nada. A escrita dele é viciante, a melancólica das personagens é tão real, tão sentida. Não podemos ajudar toda a gente, é certo, mas podemos tentar...
Profile Image for Claudia.
347 reviews202 followers
April 7, 2018
O mais recente livro do João Tordo chama-se "Ensina-me a Voar Sobre os Telhados", saiu no dia 20 de Março pela Companhia das Letras. Tem 486 paginas de pura melancolia e tristeza.



Entre o Japão e Portugal numa distância de 100 anos, o romance dá lugar a duas histórias distintas com algo em comum. Começa em Portugal, com um acontecimento trágico, o suicídio de um professor de Geografia em pleno Colégio Camões. O narrador é um homem que está divorciado, com um filho surdo, alcoólico, que decide reunir os colegas para conseguirem conversar sobre a tragédia. No Japão, a história também é trágica, dois amigos são separados devido a uma situação muito triste. O governador, pai de um dos amigos, castiga brutalmente o seu filho desprezando-o de forma a honrar a família.



Durante todo o livro senti uma carga pesada de tristeza. Lia um bocadinho todos os dias, mas sentia que a história não avançava. Requer paciência. Perturba-me ler um livro tão triste em dias felizes. A escrita do João Tordo foi o elemento essencial para continuar a tentar conectar-me com as personagens. Gostei bastante das primeiras cem páginas, mas depois senti-me perdida e desconectada. O romance não cresce, tem tantas personagens e detalhes que acaba por ser frustrante não sentir nenhum entusiasmo por nada do que acontece.



"Há quem diga que o suicídio é a forma suprema de egoísmo; que o suicida deixa, na sua esteira, um rasto indelével de dor. A verdade é que, para os que partem, as perguntas cessam."



Gostei particularidade da existência de diversidade e representatividade. As personagens são muito distintas do que costumamos encontrar nos romances contemporâneos. Vozes dos rejeitados e ignorados pela sociedade. Culturas e tradições ricas, sobretudo nas passagens dedicadas ao Japão. Questões de fé e esperança durante momentos de agonia e fracasso. Como lidam com a dor e a morte? Como continuam os seus dias afogados nos próprios erros? A questão da surdez é abordada no romance através do filho do narrador e da relação que ambos têm. Como é ser pai de um filho surdo?



Achei muito interessante a abordagem que o autor fez em relação à levitação, sendo uma prática difícil de acreditar como algo existente. O título é uma pequena referência a esse mundo incógnito e místico. Li numa das notas do autor sobre este romance, que esta história nasceu de uma conversa com um homem japonês. Transcrevo de seguindo um bocadinho:



"Eu tinha estado na China alguns anos antes, mais propriamente em Xangai, onde conheci um homem japonês que, durante um jantar, me confessou, embriagado, que descendia de uma linhagem de praticantes de levitação – que o seu trisavô pairara sobre a cordilheira dos Himalaias... Nunca sabemos de onde nos chegam estas associações e, no que diz respeito ao meu ofício, aprendi a não fazer demasiadas perguntas nem a sabotar as ligações inesperadas da imaginação. "



João Tordo tem uma escrita belíssima e bastante rica. Um romance primaveril, numa narrativa muito introspectiva. Não dá para resistir a um novo romance de um nossos escritores preferidos, não é verdade? Apesar de ter ficado pouco impactada, valeu a pena.
Profile Image for Ana Carvalheira.
253 reviews68 followers
January 15, 2021
Bem!! O que me ocorre dizer do primeiro livro que li em 2021 “Ensina-me a Voar sobre os Telhados” da autoria do meu autor português preferido: como é possível alguém com apenas com 45 anos demonstrar tanta experiência de vida! Embora mais velha, Tordo com esta narrativa não só me abriu novas perspetivas de pensamento, filosóficas, experimentalistas, chamem o que quiserem, mas também senti a oportunidade de confirmação, ou negação, de muitos dos meus estados de espírito. Não é isso que procuramos? A aceitação que nos complete ou a interrogação que nos faça questionar quem somos e o nosso papel nesta extraordinária aventura que é a vida.

À semelhança de uma review que fiz sobre um livro de um autor de quem já não me lembro (o anátema dos leitores compulsivos reside no facto de muito poucas lembranças, apenas dando valor à apropriação momentânea, como se todos os sentidos estivessem alertas nessa altura, depois sendo emoldurados por um inapropriado esquecimento. Os ingleses possuem uma palavra que acho absolutamente espetacular para esses momentos … oblivion (que é algo que se mantém no nosso espírito embora não esteja perfeitamente localizado na nossa mente).

Anyway, voltando àquilo que Tordo explana, muita coisa veio confirmar os processos solitários de quem não sabe lidar com o facto de que a vida nos transforma, nos transporta, nos transfigura para seres que não queremos ser mas que por força desse imutável universo, somos obrigados a ser.
Muitas marcas fiz neste extraordinário livro que nem sem bem por onde começar. Talvez por um princípio que a todos nos diz respeito. Agora, pensando melhor, encontrem vocês as vossas próprias marcas, descubram, explorem, aprendam, identifiquem-se!

Para mim, funcionou! E nada mais acrescento apenas para que possas perceber aquilo que este incrível rapaz de apenas 45 anos de idade pode acrescentar a esta vida inútil da qual todos fazemos parte!

Profile Image for Cat.
1,161 reviews145 followers
Read
March 31, 2018
Não sei o que pensar deste livro, muito menos escrever, ou mesmo como o classificar.

João Tordo é um excelente escritor.

Leiam.
Profile Image for Rita.
163 reviews
April 12, 2018
Post de opinião no blog:
https://clarocomoaagua.blogs.sapo.pt/...


"Ensina-me a Voar Sobre os Telhados" é o mais recente romance de João Tordo, o autor que nos habituo a uma escrita incomparável e personagens complexas. Este foi o quarto livro do autor que li e foi, sem dúvida, o mais triste.
 
A narrativa alterna entre o Japão e Portugal com um desfasamento temporal de cerca de 100 anos, focando-se na história de duas famílias. Ao longo do livro vamos compreendendo a relação entre as personagens bem como as suas histórias, o que se por um lado foi alimentando o meu interesse e curiosidade, por outro também me levou (por vezes) a sentir que perdia o fio à meada.
 
Sendo esta uma história focado em duas famílias, as personagens são inúmeras e, como não poderia deixar de ser, a sua complexidade é imensa (essa é mesmo uma das características das personagens dos romances de João Tordo). Ao longo das páginas procurei criar empatia com as personagens, expectante de que aconteceria em breve, virei páginas, li capítulos atrás de capítulos e quando cheguei a meio do livro comecei a perceber que nunca iria acontecer.
 
Se tivesse de caracterizar esta história através de uma só palavra não seria difícil, escolheria tristeza. São quase 500 páginas de infelicidade, monotonia, expectativa de que o autor nos surpreenda a qualquer momento sem, no entanto, que isso chegue a acontecer. Neste contexto, sinto que foram demasiadas páginas, com algumas partes aborrecidas(principalmente as partes portuguesas) e um sentimento de que esta leitura não mexeu comigo da mesma forma que as outras obras do autor fizeram.
 
As partes de que mais gostei foram os devaneios da personagens luso-japonesa Henrique Tsukuda, a minha preferida sem dúvida. Quanto à escrita de João Tordo, já inúmeras vezes referi que é qualquer coisa de incrível, muito delicada e rica em passagens que deixam qualquer leitor maravilhado.
 
"(...) os deuses não dormem, nem estão acordados, simplesmente são, e os sonhos são exclusivos de quem ainda não é. Não é o quê? Isso saberás tu, mas escuta o que te digo, não partilhes os teus sonhos, guarda-os para ti, os sonhos dos homens são para serem mantidos em segredo para que os deuses invejosos não os descubram. "
 
No final, o balanço é positivo. Foi uma leitura diferente, com uma componente cultural interessante, ainda que não me tenha conquistado como o havia conseguido "O Luto de Elias Gro".
Profile Image for Marta.
257 reviews20 followers
March 31, 2018
Esta é a história de duas personagens (uma portuguesa, outra japonesa) que, apesar de terem um papel preponderante no decorrer da narrativa, no meu ponto de vista, apenas são fruto dos seus antepassados. Atenção, não perdem a sua importância por isso, mas penso que ficam mais frágeis à medida que a história avança, o que faz com que, para mim, o livro não seja tão bom como esperava.
Todavia, gostei do livro; não é fantástico mas lê-se bem. Senti que a parte destinada ao Japão e aos devaneios de Katsuro são brilhantes, mas, por outro lado, a parte portuguesa, digamos assim, achei-a chata, lenta e com pouco sumo. Não gostava nada quando chegava a esta parte.
Ambas as personagens principais são semelhantes entre si (expressão que depois é aprofundada no livro), vivem dependentes uma da outra para a resolução do seu dia a dia, do seu passado... porém, sinto que faltou mais vivência em comum, sinto que faltou uma maior ligação direta entre elas no seu presente. Por causa disso, em alguns momentos achei o livro aborrecido, monótono, sem grandes desenvolvimentos.
Para mim, o início do livro e até meio, mais ou menos, é altamente cativante mas depois vai perdendo o ritmo, a meu ver.
Acho que tinha tudo para ser um livro brilhante mas devido a tudo o que expliquei, ficou aquém das expectativas.
Profile Image for Joana.
370 reviews
October 10, 2020
Gostei muito desta leitura. Estória algo triste, mas com um final de certa forma feliz. Tudo começa com um suicídio. A partir daí, o autor leva-nos numa reflexão sobre a vida e de como o narrador ultrapassa a sua apatia em relação à vida. É-nos apresentado também o paralelismo e as diferenças entre as culturas ocidentais e orientais, por intermédio de duas estórias passadas em locais e tempos diferentes.
Recomendo bastante esta leitura.
Profile Image for Vanessa Teixeira.
221 reviews
June 25, 2018
3.5 estrelas. Ficou um pouco aquém das minhas expectativas, tanto a história em si como o seu desenvolvimento e final. Adorei a escrita e vou, sem dúvida, continuar a explorar a obra do autor.
Opinião no blog
Profile Image for Lúcia Fonseca.
301 reviews53 followers
October 14, 2021
De forma geral gostei. Mas a partir de meio achei que acontecia pouco e que a história e as personagens mereciam mais. Está lá o João Tordo mas o desfecho não me pareceu o mais justo. Recomendo o livro para quem já leu uns quantos romances do autor. Não é, de facto, o melhor para se começar a conhecer a sua obra.
Profile Image for Carla.
184 reviews25 followers
August 4, 2019
Há algum tempo que tinha curiosidade em ler um livro de João Tordo, não apenas por pertencer a uma geração de escritores portugueses nascida na década de setenta do século XX, tal como Afonso Cruz, José Luís Peixoto e Valter Hugo Mãe, entre outros, que trouxeram temas inovadores para a literatura portuguesa, mas também pelas críticas positivas que faziam das obras daquele autor.

"Ensina-me a voar sobre os telhados" é, assim, o primeiro livro que leio de João Tordo e de que gostei muito, pois as personagens do mesmo, longe de serem heróis e de viverem vidas felizes, tentam todos os dias reerguer-se perante os problemas internos e externos que atravessam.

A personagem principal e narrador é um ex-alcoólico, que continua muitos anos depois de deixar de beber, a frequentar as reuniões do que designa por "irmandade", onde participam pessoas que se encontram em recuperação. Tem um filho adulto que é surdo e com o qual tenta retomar o relacionamento que perdeu com o mesmo na infância e adolescência. Vive um segundo casamento em desagregação. E é o coordenador pedagógico de uma escola, onde os professores e os funcionários entram numa espécie de crise existencial quando um professor de que quem toda a comunidade escolar gostava muito se suicida na sala dos professores, pois esse acontecimento faz despoletar nos outros medo, angústia, solidão e também faz vir ao de cima algumas memórias dolorosas.

Pelo que, o narrador teve a ideia de iniciar uma reunião na escola, às quartas-feiras à noite, onde os professores e restantes funcionários podiam falar livremente sobre o falecimento do colega e sobre as suas vidas pessoais.

Essas reuniões tornam-se regulares e às mesmas assistem cada vez mais pessoas, algumas familiares e amigos dos primeiros e até estranhos à escola, como um filho de um ex-embaixador do Japão e de uma portuguesa emigrada no Japão, de nome Henrique Tsukuda, que sofria de perturbações psiquiátricas, encontrando-se muitas vezes internado, o qual se torna um provocador e desestabilizador dessas reuniões, mas que acaba por conquistar a simpatia de alguns por causa de revelar uma infância eventualmente traumática provocada pelo pai e passada no Japão. No entanto, o narrador acaba por descobrir que essas histórias foram por ele inventadas.

O maior sonho de Henrique Tsukuda era voar e por causa disso sofre vários acidentes, um dos quais bastante grave, mas o narrador nunca deixa de o tentar ajudar, tal como passa o tempo todo a tentar auxiliar outros colegas, amigos e conhecidos, esquecendo-se de si e da sua vida própria. Quanto a mim, para não ter que se confrontar com o seu mal-estar presente e desgostos passados.

E é através do quotidiano do narrador e das pessoas que com ele convivem que conhecemos a vida de outras personagens, como a de Henrique Tsukuda, do seu bondoso pai, o ex-embaixador que consegue levitar, apesar de ter uma deficiência nas pernas causada por uma queda de um telhado quando tinha doze anos, ao ter sido empurrado pelo seu pai, um violento, tirano e louco governador de uma província do Japão, deste último e do seu pai, também governador e tetravô de Henrique.

João Tordo tem a capacidade de neste livro contar-nos as histórias de muitas personagens em vários países, como Portugal e Japão, durante o período de um século, sem que os leitores se percam no tempo e no espaço e deixem de seguir o fio condutor dessas histórias.
Profile Image for Filipa Ribeiro Ferreira.
472 reviews15 followers
July 5, 2021
Ai João Tordo, João Tordo. Há uns meses li o paraíso segundo Lars D. e fiquei desiludida com o tratamento que o autor dava às mulheres. Mas quando o criticava percebia que tem muitas defensoras femininas que me incentivaram a dar-lhe uma nova hipótese. Sei que é muito bom escritor, o livro é ótimo, estranho, intrigante, prende a atenção, solta a imaginação. Mas adivinhem lá... As mulheres não são bem tratadas no livro... São acéfalas, planas, estereótipos. E claro que nem sequer sonham em voar sobre os telhados. Apesar de tudo, sinto que posso estar a ser injusta com o João Tordo, porque calhou de ter lido o 1o livro dele depois de um livro que adorei, que era sobre uma mulher (escrito com tanto respeito que só depois de acabado percebi que o autor era um homem: an unnecessary woman de Rabih Alameddine). Mas o que é certo é que como a atenção está espicaçada, foi com esse prisma que abordei mais este livro, e a minha opinião ficou consolidada...
Profile Image for Marisa Fernandes.
Author 2 books49 followers
March 26, 2019
"Ensina-me a Voar sobre os Telhados" é o primeiro livro que leio de João Tordo. Decidi lê-lo porque queria ler algo deste autor, o título apela ao imaginário, uma parte da história passa-se no Liceu Camões onde estudei e passei uma fase marcante do meu desenvolvimento e, a par de outras "paixões", percebi que faço parte dos admiradores da cultura japonesa, aspecto também explorado neste livro.

Não é um livro leve. Está longe de o ser. E também não é assim tão simples. Requer paciência e vontade. Vontade de perceber qual é o destino de tudo o que ali está escrito e a mensagem que Tordo pretende transmitir. Admito que tive momentos de arrependimento, de cansaço e tédio, apesar do livro estar bem escrito. Senti que, em algumas circunstâncias, o autor abusou da densidade e disponibilizou um pequeno-grande fardo ao leitor mais corajoso. A carga emocional da parte japonesa da história é qualquer coisa de... muito intenso e doloroso, embora essa parte da história seja para mim a mais bonita. A parte portuguesa da história teve alturas que me pareceu não levar a lado nenhum e só senti essa sensação desaparecer quando se dá o cruzamento desta parte com a parte japonesa.

É um livro triste. Com histórias de sofrimento, vicio, obsessão e descontrolo. Com algumas personagens extremamente bem arquitectadas, sobretudo do lado japonês. Tordo aborda a questão do alcoolismo, da violência do pai para com o filho, da surdez e do suicidio.

Gostei, mas não adorei. Tive uns momentos em que pensei se tinha escolhido o livro certo, e na dúvida talvez fosse melhor deixá-lo de lado, e outros momentos em que desejei ler o mais rápido possível para chegar ao fim e poder largar todas aquelas "dores"...!
Profile Image for João Barradas.
275 reviews31 followers
December 23, 2021
Na sua busca por um estatuto divino, o Homem iniciou uma refrega ímpar - a conquista de todos os cantos do mundo, com que foi bafejado. Enquanto nómada, tentou trilhar todos os caminhos possíveis, conquistando as terras. Insatisfeito, desafiou a imensidão do mar e, como navegador, “descobriu novas terras”. Mas, a voracidade não mirrava e a conquista do ar tornou-se o seguinte objectivo - iniciado pelo mito de Ícaro e das suas asas de cera, catapultado para a realidade pelos auspiciosos projectos de Da Vinci, com o seu parafuso helicoidal aéreo. Voar sempre foi um sonho…

Ao longos destas pesadas páginas, quais seres alados, omniscientes e omnipresentes, vamos acompanhado o desenrolar sofrido de vários eventos - desconexos, à partida (como bem me lembro em “A Mulher Que Correu Atrás do Vento”). São os nós da linha da vida, que a esfiapam, qual tesoura enferrujada. A par da perseverança, vem a loucura; entremeado no altruismo patológico, surgem as dúvidas permanentes e os vícios tentadores. No fundo, um sofrimento humano levado ao extremo, entre um mundo escarpado, num fio de prumo, sem cama de rede.

Numa tentativa metafísica de violar as leis de Newton, a gravidade é colocada em causa, no sentido de apartar mais ainda os problemas terrenos. Deixar que a pedra, que cabe a cada um, permaneça no solo, deixando-nos libertos para levitar, livres e soltos. As referências não terminam na mitologia (amada) e exploram vários terrenos acidentados, desde a literatura ao cinema. A construção em puzzle pode fazer esmorecer a leitura, como um travão, e a escrita, só aos solavancos, consegue manter a viagem, levantando o trem de aterragem, para pairar sobre telhados de vidro.
Profile Image for Ana Rodrigues.
184 reviews12 followers
September 22, 2024
Este livro foi comprado em 2018 na Feira do Livro de Lisboa e ficou na minha estante, até agora, à espera da sua vez. Olhava algumas vezes para ele mas nunca chegava o seu dia.
Até que o grupo de leitura “Leituras e Tertúlias” colocou o desafio de ser ler João Tordo em Setembro de 2024, e aí pensei: é agora, chegou a tua vez.

Um livro robusto com 487 páginas, que impunha respeito. Mas vamos lá…

Pois bem, o primeiro contato com a escrita do autor não foi fácil, é uma escrita com a qual dei por mim a ler duas ou três vezes a mesma frase para dar continuidade à leitura.
Depois eu que gosto de capítulos curtos, deparei-me com um livro separado por partes em que algumas delas eram separadas por mais de 50 páginas.
Se não bastasse ainda houve verdadeiros obstáculos com palavras difíceis e desconhecidas para mim.
Pergunto qual a necessidade de se utilizarem palavras tais como “pusilânime”. Alguém conhece o seu significado? Alguém a usa no seu dia-a-dia? Sim, aprendi uma nova palavra, sim fui ao dicionário ver o seu significado (alguém excessivamente tímido), mas não seria mais fácil para quem está a ler interpretar de uma forma mais natural?

Passo agora à história em concreto, é uma história contada por um narrador sem nome, que se torna a personagem principal da história. Tem um passado de alcoolismo, trabalha como coordenador pedagógico do liceu Camões, é divorciado, e a sua ex-mulher abalou para Itália com o seu filho surdo.
Após o suicidio de um professor de geografia numa sala de aula, o narrador decide inaugurar uma reunião semanal para ajudar os seus colegas a superar o choque.
E assim começa a descoberta.

Ao ler a segunda parte da história o autor passa para uma história diferente, quase mitológica, para a qual parece não ter havido ponte, o que me dá a perceber, que aqui o autor vai intercalar as partes entre o presente “real” com um passado “fantástico”.

E assim se desenrola toda a história, entre sonho e realidade, onde o narrador desenvolve um fascínio doentio por um misterioso desconhecido que representava a fronteira entre a sanidade e a loucura.
Com uma necessidade ridícula de salvar os outros, e de uma luta contra a impotência.

Contudo como mensagem principal está a fragilidade humana, onde muitas vezes se tem que aceitar passados dolorosos e dar passos seguros rumo ao futuro.

Não posso dizer que gostei mas também não vou mentir ao dizer que foi um livro de tão estranho que é me dava vontade de ler sempre mais um pouco.

Se irei mais livros do autor? Não sei, não costumo dizer nunca.
Mas não será fácil, porque na verdade a sua escrita não me fascinou e desde a primeira à última página achei sempre tudo muito estranho.

Sim , porque estranho será sempre a palavra que irá definir este livro e esta primeira experiência com o autor.
Profile Image for Dalila.
55 reviews18 followers
August 8, 2021
4,5
Uma obra contemporânea com uma beleza tão peculiar. Uma história completa e acessível. Fica a vontade de ler mais de João Tordo.
Profile Image for Sofia Fidalgo Vicente .
36 reviews1 follower
October 8, 2020
Trata-se de um livro que vai viciando à medida que se avança na sua leitura.
João Tordo, constrói uma história bem contada, provocando a curiosidade crescente do leitor.
A surdez de uma das personagens e todo o impacto em torno dessa questão, foi um dos aspetos que mais me marcou, porque fez-me relembrar que não há impossíveis, sobretudo para os mais audazes.
"Por vezes, a sinceridade de um surdo-mudo é insuportável para uma pessoa com audição normal."
O autor leva-nos também a refletir sobre as nossas zonas cinzentas, sobre os impossíveis. Dei por mim a desejar que uma personagem voasse, mesmo sendo humanamente impossível.
Embora tal não tenha acontecido, João Tordo soube dar-nos essa expectativa e depois trazer-nos à realidade na dose certa, com cabimento.
É uma leitura que classifico como de entretenimento. Fiquei com a mesma sensação de quando terminei "A noite em que o verão acabou": João Tordo tem livros ainda melhores e fico com vontade de ler outras obras suas.
19 reviews1 follower
April 29, 2018
Triste e bonito como a tristeza. Homens que querem ser deuses que invejam os homens. Passados e antepassados que se intersectam em pontos indefinidos. A esperança: porque ouvimos melhor quando somos surdos e quando nos pensam presos voamos sobre os telhados e vemos pássaros.
Profile Image for Mónica Leirião.
129 reviews
February 18, 2019
Tordo, sem dúvida dos meus escritores portugueses preferidos da atualidade!!
"Abdicamos da vida para poder vivê-la, abdicamos dela a toda a hora, em cada decisão, gesto ou respiração, e por isso, justamente, revoltamo-nos"
Profile Image for cdpc44.
217 reviews
June 28, 2018
"os sonhos dos homens são para serem mantidos em segredo para que os deuses invejosos não os descubram"
Profile Image for Mariana Oliveira .
174 reviews5 followers
August 4, 2025
Por incrível que pareça, esta foi a primeira vez que li João Tordo - e fiquei rendida. A escrita é muito cativante e cinematográfica. Para mim, este livro tinha todos os ingredientes para ser perfeito - tinha aquele prenúncio de desgraça, contexto histórico, saltos temporais, um narrador moralmente comprometido - mas pecou apenas por se alongar demais em algumas partes sem acrescentar grande valor à narrativa. Não digo que isto tenha acontecido constantemente ao longo do livro - se assim fosse não o elogiaria tanto - mas a certa altura dei por mim um pouco aborrecida, a ter de me esforçar para passar da metade. Claro que isto também pode ter sido altamente influenciado pelo cansaço desta época e pela dificuldade que tive em ter tempo para ler - provavelmente se o tivesse lido no espaço de poucos dias e não de um mês, poderia ter outra opinião.

Em todo o caso, gostei bastante deste livro e fiquei com o bichinho para ler mais João Tordo. Se gostam do autor, aconselho sem dúvida.
Profile Image for Rita Vinagre.
15 reviews
July 28, 2022
Adoro a forma como as duas histórias, passadas em sítios distintos e anos diferentes, se vão entrelaçando e as vamos desvendando naturalmente. Não sei o que esperava do final, mas não me desiludi. A inquietação e o medo da mudança estão presentes na personagem principal ao longo de todo o livro e, para mim, a decisão que tomou de ir ao encontro do desconhecido mostra o quanto a presença daquele seu amigo marcou a sua vida. Ele foi, creio, o combustível que o levou a desafiar os seus medos e avançar mundo fora para o encontrar, mesmo sem a certeza que o conseguiria. Na minha opinião, um final que, apesar de incerto, se adequada perfeitamente à personagem.

"Um dia disse-lhe: Estás a lutar contra a corrente, e isso será o teu fim" 🌻
This entire review has been hidden because of spoilers.
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