Neste texto pioneiro e provocador, publicado na revista Krisis em 1991 (e redigido no Outono de 1989, enquanto milhares de alemães escapavam ao socialismo real), Robert Kurz apresenta a crítica do trabalho como condição indispensável da crítica do capitalismo. Para isso, analisa em detalhe as categorias «trabalho» e «troca», ao mesmo tempo que esboça algumas das ideias que iria explorar nas décadas seguintes. Em primeiro lugar, a questão do «duplo Marx», que se tornaria um princípio essencial da crítica do valor.
Em segundo lugar, a crítica do sujeito, enquanto forma social historicamente específica da sociedade da mercadoria. Em terceiro lugar, a crítica do Iluminismo, entendido como expressão ideológica legitimatória das categorias do capitalismo. Em quarto lugar, a crítica do dinheiro, assumindo a crítica marxiana do dinheiro como «mercadoria à parte» e em frontal oposição às críticas ideológicas pequeno-burguesas. E, finalmente, a questão da crise ecológica, já pensada em conexão com a indife-rença destrutiva do fetiche do trabalho abstracto.
Robert Kurz (24 December 1943 – 18 July 2012) was a German Marxist philosopher, social critic, journalist and editor of the journal Exit!. He was one of Germany's most prominent theorists of value criticism. His works have yet to be translated into, and published in, English.
"O capital é a contradição em processo, pelo facto de que procura reduzir o tempo de trabalho a um mínimo, ao mesmo tempo que põe o tempo de trabalho como única medida e fonte de riqueza", Karl Marx
Ler este livro não foi fácil. É uma obra curta, mas, alternando entre momentos de clareza com momentos de confusão, demorei algum tempo a ler. Claro, a obra em si não pretende ser uma obra simples, mas sim uma obra adaptada de um texto de auto compreensão, como o próprio autor aponta, e talvez justifique certas partes mais densas. No entanto, a escrita é atroz, com frases longas e cheias de interrupções, algumas totalmente desnecessárias. E estas duas situações conjugadas tornam a obra numa leitura difícil.
Apesar disto tudo, o conteúdo é muito interessante. O descrição do trabalho abstrato, a crítica dos movimentos operados como movimentos ainda presos à lógica burguesa do trabalho, e ao "socialismo real" como apenas outra face de regimes burgueses, entre outros pontos, são bastante interessantes. Mesmo não concordando com todas as críticas e argumentos, foi uma leitura interessante.
Penso que irei voltar a este livro assim que ler o Capital, e talvez consiga obter ainda mais deste livro.
"A esquerda académica está tão acabada como os politiqueiros marxistas do movimento operário. A falta de perspetiva é vendida como «imaginação libertadora», e a perplexidade, como «modéstia não dogmática». A promiscuidade eclética da teoria social é idêntica à sua desmoralização total."