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Nuvens

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Quantos poetas passam pela vida sem jamais publicar um livro? Quantos poemas escritos nunca chegam aos leitores?
Hilda Machado, pesquisadora e cineasta nascida no Rio de Janeiro em 1951 e falecida em 2007, foi professora na Universidade Federal Fluminense, com passagens por universidades estrangeiras, e diretora premiada em festivais de cinema nacionais. Paralelamente, desenvolveu um trabalho poético de dicção muito pessoal, entre o melancólico e o autoirônico, de teor fortemente visual e que parece assumir a montagem cinematográfica como procedimento poético por excelência - "Discreta voyeuse/ o sofá combinando com o tom das exegeses/ a polidez dos móveis, avencas, decassílabos, filmes russos/ perífrases sobre paninhos de crochê/ e em vez de carne poemas no congelador".
Em vida, Hilda Machado publicou apenas dois poemas. Deixou, porém, além de manuscritos esparsos, este Nuvens, que ela mesma organizou e chegou a registrar na Biblioteca Nacional, claro sinal de que considerava publicá-lo um dia. É o que agora se realiza, graças à colaboração de Angela Machado, irmã da autora, e ao empenho do poeta Ricardo Domeneck, que assina o texto de apresentação do volume.

96 pages, Paperback

Published January 1, 2018

50 people want to read

About the author

Hilda Machado

1 book1 follower
Hilda Machado: Brazilian poet, academic and filmmaker (Rio de Janeiro, 1951-2007)

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Displaying 1 - 10 of 10 reviews
Profile Image for Adriana Scarpin.
1,737 reviews
April 13, 2018
Analista

Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski me acordou
e dentro da minha orelha gritou
que eu sou gorda e só ando com bichas

Em vez de ficar aí calado
tira de mim esse bicho agarrado no peito
aproveita e tira também
das unhas o velho esmalte descascado

Tranferidaça
te odeio
Profile Image for Júlia.
132 reviews4 followers
February 7, 2025
beleza que é o cúmulo

(numa série de leituras nefelibatas. será que eu finalmente leio a história das nuvens do enzensberger?)
Profile Image for thaís bambozzi.
277 reviews46 followers
November 11, 2020
O livro não era minha prioridade, mas passando por uma livraria pela primeira vez desde o início da pandemia, ele estava lá, próximo ao caixa, e me chamou. Talvez pela obra de Leonilson, meu artista preferido, na capa, talvez pelo título, esboço de enigma. Como disse Ricardo Domeneck: “Que bom não precisarmos inventar Hilda Machado”. Que bom que ela existiu, que bom que esse livro ganhou vida 21 anos depois de escrito. Belas descobertas aleatórias que ativam as sensibilidades.
Profile Image for PS.
58 reviews
September 6, 2022
Foi como se bebesse esse livro em fortes goles. Grata surpresa e alegrias desconcertantes, é o que significa encontrar esses poemas da cineasta carioca. Como bem pontua Domeneck- Hilda Machado parecia guiar-se pela palavra exata, quer fosse rara ou comum. A poeta parece entender que a nuvem pode ser um carneirinho regredido, ou pode pedir pro analista tirar também da unhas o velho esmalte descascado. Diz ainda que não tem amigo veado e pinta na cabeça do leitor o sofá combinando com o tom das exegeses. Hilda Machado desloca como uma panorâmica, os sentidos que entram no jogo poético, pela sátira de planos sobrepostos e irredutíveis. Ela escava sua consciência até o limite de rir da trama meia trágica de sua novela. Ela parece saber do que se trata quando manipula as formações das frases até uma sutileza onde a poesia descarrega seu papel.
☁️☁️☁️☁️☁️
Dos poemas desse Nuvens que fixou na cabeça:
- Um homem no chão da minha sala.
- Impossibilidades.
- Penetração das maravilhas da totalidade.
- Miscasting
Profile Image for Suellen Rubira.
955 reviews89 followers
November 15, 2022
Releitura 2022 - Eu já li Nuvens tantas vezes e me impressiona q eu n tenha registrado isso. A cada leitura, Hilda Machado fica maior. Vulcânica.


É diferente. Voltarei mais vezes para ter certeza de que as 4 estrelas correspondem a meu sentimento em relação a esse livro.
Profile Image for Felipe.
Author 9 books63 followers
May 1, 2018
Nos versos de “Poeta”, uma das pérolas contidas na pérola maior que é Nuvens, Hilda Machado cita Adélia Prado, Hilda Hilst e Orides Fontela (me surpreende não ter citado Ana Cristina Cesar) para dar coro a sua deliciosa provocação: “que a minha inveja é só de mulher e absinto / pra eu beber em cálice / homem pra mim é sempre muso”, rasgou. “Poeta” contêm uma das pequenas chaves que abrem os segredos da Hilda poeta, muito diversa da Hilda pesquisadora e professora ou da Hilda cineasta premiada. “mostrar a quem hei de?” indagava; infelizmente nunca saberá o que tantos viram e reviram.

É só abrir o prefácio da edição recentemente lançada para descobrir todo o desenrolar da trama: com pretensões de publicação desde 1997, quando registrou na Biblioteca Nacional um primeiro manuscrito de Nuvens, alguma disrupção se abateu sobre o desejo de Hilda e suas aparições poéticas se deram muito brevemente, numa edição da revista Inimigo Rumor datada de 2004, e então editada por Carlito Azevedo.

“Miscasting”, poema todo fantasmagoria sobre uma atriz (ator?) desgostosa com as agruras de seu métier (“feliz ano novo / bem vindo outro/ como é que abre esse champanhe / como se ri”), assombrou o poeta Ricardo Domeneck, que a abraçou como sua Cesárea Tinajero (poeta cujo mistério norteia os protagonistas em Detetives Selvagens, de Bolaño) particular, e empreendeu uma busca em torno de seu mistério, até descobri-la falecida aos 56 anos, suicida, em 2007. O debruçar e redebruçar sobre a obra secreta, em parte guardada pela irmã, rendeu esse lançamento, memorial brevíssimo, abraço póstumo na grande poeta que não foi.

Citei Ana anteriormente não apenas pelo amargo que é um artista ter seu mundo realmente descoberto tanto tempo depois de sua morte, mas porque no dissenso e no atrito que surge das obras de ambas -Hilda algo mais brincante, e raivosa em sua brincadeira, que a colega- se delineia uma área comum, um espaço cinza (colorido) de redescoberta do cotidiano a partir de sua superexposição, de sua filtragem até os movimentos mais fundamentais. Houve tempo para investigar como Ana procedia nesse desejo de desvelar as fibras de seus sentimentos, mas Hilda, apesar de contemporânea a ela, é uma chegada recente, e, sobretudo, é Hilda apenas; não é Ana. Como posicioná-la? Como lê-la? É uma poeta do hoje, do agora, ou de um agora que não nos pertence mas ainda tem toda moral para nos falar?

É uma discussão sem dúvida importante, mas que cai no limbo do desinteresse quando se objetiva o enfrentamento: ler e viver as nuvens de Hilda é mais importante que analisá-las friamente, cronologicamente. São trajetórias como a de “Azul”, que propõe um dossiê de Ricardos em tom bem menos solene do que Shakespeare aceitaria (“Ricardo III / que não quer um trono / riso de vilão a quem falam as musas / galeão afundado em mar de cromakey”), ou como a de “Sem Título”, este sim um recorte pulsante do mais genérico -e por isso tão duro- amargor da existência (“Tem gente que vem a trabaho,/ eu vim a passeio — e não gostei”), que revelam um gosto de autoironia, e também autointitulação, que só podem pertencer ao poeta verdadeiramente liberto das amarras cruéis da forma e da teoria.

É difícil -ao menos para mim- não posicioná-la afetivamente ao lado de Ana Martins Marques, talvez a mais anarquicamente planejada poeta que a cena contemporânea brasileira viu nascer; as duas parecem esquadrinhar os descaminhos e não-lugares de seus sentimentos pegando-os pela mão, com afeto que não sente remorso. Porém outra vez, a chave do mistério Hilda não é emparelha-la com suas iguais e contemporâneas, ainda que isso possa criar um norte para melhor saborear sua obra. Talvez o mais interessante seja pensar na cineasta e na poeta como uma só: Nuvens é um curta metragem; cheio de justaposições e fades, caminhos curtos e cortes bruscos que desembocam em espaços de contemplação, uma diegese firme, consciente de si e de sua narrativa. Uma comédia melancólica. Um filme breve e perfeito.

https://medium.com/sobressalto/as-nuv...
Profile Image for Esforçonulo.
142 reviews5 followers
July 24, 2025
5* cum caralho foda-se puta merda!!!!

ok, vou ter calma. antes de mais, a verdade tem que ser dita: este livro transcende-me o juízo crítico. adoro profundamente tudo o que está aqui a acontecer. não sinto confiança em dar-lhe as esfaimadas estrelinhas que anuncio no início porque, lá está, este juízo tem pouco de crítico.
trago então uma leitura pessoal e altamente enviesada da solitária obra de Hilda Machado.

o estilo de Hilda Machado é desconcertante, sombrio. alguns diriam desconstruído, mas prefiro o termo "transfigurado". parece que ela pega numa imagem perfeitamente boa e saudável, e, através da sua linguagem (precisa e cirúrgica, mas extremamente inesperada), a adapta à sua realidade, num exercício de captação irreversível. de facto, toda a poesia da Hilda parece emanar uma qualidade de total, definitiva, imutável. como se a matéria de mutação pudesse vir apenas, e só dela.

referem também o discurso cínico, mordaz. estou de acordo, mas acho limitado. o ponto de partida pode ser esse, mas nenhum poema se esgota no cinismo e crítica. é, de facto, uma poesia que deve pouco à pura beleza, mas muito mais ao choque, ao corte abrupto e repentino. cada verso é preciso e cuidado. uma pessoa não se afoga numa onda torrencial a ler Hilda. não ficamos com a sensação duma poesia de fogo, onde a autora é levada pelas suas emoções, nada disso. é uma poética muito cuidada, que se serve de equilíbrios bastante ponderados.

porque de facto, é-me difícil dizer que compreendo sempre o que está a acontecer. a pontuação é escassa, o que nos dá ideia não só de simultaneidade, como de confusão. nunca a ideia de caos. está tudo contido, é uma confusão premeditada e serena. alguém que aceita a sua irremediável loucura.

Hilda Machado domina completamente a ideia de imagem, montagem e surpresa. cada verso pode ser um plano cinematográfico, mas o sentido entre planos é bastante ténue, à la Lynch. Hilda busca um outro sentido, primordial, numa linguagem limpa onde a sua personalidade e humor cáustico são trazidos ao de cima.

relembrando algo que não disse: estamos perante um livro registado em 1997, por uma futura suicida. 10 anos depois, Hilda "mudaria". parece irónico até ter deixado este nuvens na gaveta, sabendo perfeitamente que o iriam resgatar. não me consigo desligar do pouco registo fotográfico que se encontra da autora. está com um sorriso sardónico. imagino-a assim a escrever este livro. sempre sorrindo. sempre pensando em como pregar uma rasteira ao leitor, divertindo-se com a sua imprevisibilidade e fazendo chacota de quem lê.

vá eu dou a porra das 5*. mas é mais um 4.5* porque é muito muito curto. quero acreditar que ela está onde quer que esteja a ler isto e a pensar "chupa cabrão, fiz isto curto mesmo para vos foder mais o juízo. era bom não era? olha o canalha queria mais poemas! chupa!"
Profile Image for Julia Coelho.
32 reviews
November 12, 2021
O nariz contra a vidraça
melhor ainda atrás da persiana
ela com seus preciosismos
unhas feitas entre desfiladeiros de livros
barricadas contra o sublime e o medo
Displaying 1 - 10 of 10 reviews

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