Albano, funcionário bancário, viúvo e com uma filha pequena, apaixona-se por Cecília e, apesar das diferenças de classe que existem entre os dois, casam. a suspeita de infidelidade, porém, evidenciará o seu verdadeiro carácter. O ciúme, a irracionalidade e um sentido de honra distorcido, precipitarão os acontecimentos à medida que Albano procura justificar os seus actos.
Elogiado de imediato pela crítica como «empolgante romance psicológico», que conjuga «dramatismo equilibrado, concisão, rigor descritivo e aquele sentido trágico da vida, sem excluir a ironia e o sarcasmo», em A Tempestade, Ferreira de Castro transita com mestria das grandes paisagens de A Selva ou Terra Fria para a dimensão fechada do espaço doméstico citadino, denunciando, com «compreensão humanista», as suas fragilidades psicológicas e, sobretudo, a desolada condição da mulher e o mesquinho espartilho moral que a sociedade lhe impõe.
José Maria Ferreira de Castro was a Portuguese writer and journalist. At age 12, he immigrated to Brazil, where his work at a rubber plantation for the following four years would be the inspiration for his most famous book, A Selva (1930; The Jungle; filmed 2002 - http://us.imdb.com/title/tt0210971/). He returned to Portugal in 1919, and started working as a journalist. He was a noted oppositionist to António de Oliveira Salazar. He was also famous for his travel literature, namely his book A Volta ao Mundo, recounting his travels around the world in the outset of World War II.
Publicado em 1940, pela Guimarães & C.ª, A Tempestade foi desde logo encarado por Ferreira de Castro como um romance de recurso, tal como sucedeu com os livros de viagens, em face dos constrangimentos censórios de que o seu trabalho foi vítima na segunda metade da década de 1930.
«A Tempestade dá bem a ideia da influência que a falta de liberdade de expressão exerce na literatura. Quem ler os meus outros romances mal me reconhecerá neste. Tudo quanto constitui a minha personalidade está, ali, forçado, ou melhor, desfigurado»
Entrevista de Ferreira de Castro ao Diário de Lisboa, 1945