A gente cresce aprendendo que a prisão é um lugar pra onde gente ruim vai, que é assim, sempre foi e sempre será. Mas elas nem sempre existiram, nem sempre foram assim e a forma como são hoje é um reflexo da nossa sociedade punitivista que não vê esperança em quem comete um erro. E por isso livros como esse são tão importantes para iniciar uma discussão que não existe na sociedade comum. Prisão é sinônimo de medo, maldade e merecimento. E o pior: a forma como elas funcionam hoje mostra claramente que é um sistema que não funciona mais e não há um projeto de mudança porque a sociedade é regida pelo medo.
O livro tem dados, tem história é muito interessante e traz perspectivas importantes e atuais sobre o problema do encarceramento em massa. Mas a narrativa não é didática. E eu entendo a importância da linguagem mais acadêmica, mas ele deveria, ao meu ver, ser mais didático para alcançar mais gente e trazer o tema para um debate mais amplo na sociedade. Eu gostaria que mais pessoas lessem e entendessem a gravidade do problema e eu imagino o quão difícil isso deve ser em relação a criação do texto, mas se eu desse esse livro para algum parente sem ensino superior, ele se intimidaria com a linguagem e o esqueceria na estante.
Não estou aqui para falar mal do livro, entendam, é só um pedido para que mais obras sejam feitas pensando nos trabalhadores que não estão acostumados com a linguagem acadêmica e até se intimidam por ela. Eu imaginava que essa fosse a proposta do livro, mas se eu estiver errada, me perdoem, por favor. É uma leitura enriquecedora e eu gostaria que não só fosse acessível a qualquer pessoa interessada nesse problema como que pudesse trazer mais pessoas para criar um diálogo amplo e necessário.