Me parece que esse livro tem um problema de apresentação, tanto sua capa quanto uma das introduções dá a entender que o que temos aqui é um diálogo entre um filósofo e um teólogo e se sim pode-se pensar que o diálogo existe ele não chega a ser um debate direto. Isso causa uma certa estranheza ao leitor que espera uma proposição seguida de uma refutação ou aceitação por parte do outro debatedor e isso não acontece. O que realmente temos é uma reflexão sobre os três maiores sistemas de crenças atuais e o ateísmo, reflexões essas feitas por Zizek e por Gunjevic. Superada essa contradição inicial e o caráter definitivamente não iniciático dos textos, o seu título chamativo pode atrair leitores que vão se ver em apuros para compreender algumas ideias propostas; temos reflexões extremamente pertinentes e interessantes. É um texto denso e profundo que pede releitura não só completa mas de seus capítulos que ainda que guardem alguma relação entre si são independentes. Vale ainda dizer que os textos não são exatamente conclusivos, o que se apresenta aqui são ideias que propositalmente são deixadas em aberto. Percebe-se que a intenção de que o próprio leitor dialogue com o texto e continue por contra própria o "debate" proposto. Uma última observação, para os que julgam as referências a Lacan de Zizek um tanto herméticas aqui ele encontra um adversário à altura.