A narradora de O paraíso são os outros é uma menina intrigada com um estranho comportamento dos animais – e dos humanos: a necessidade de viver em casal. Ela observa que há casais de pinguins, golfinhos e também de homem com mulher, homem com homem, mulher com mulher. “Tudo por causa do amor.”
A inspiração para este livro surgiu de uma visita ao ateliê do artista Nino Cais que trabalhava em fotos antigas de casamentos colando pedras de bijuteria infantil sobre os rostos dos casais retratados. Seis dessas imagens dialogam com o texto no livro.
A partir dessas fotos manipuladas, Valter Hugo reflete sobre a maneira moderna de se amar: não mais da forma tradicional, mas sim evocando temas como homossexualidade, adoção, lealdade, segundo casamento, felicidade e também solidão.
valter hugo mãe é o nome artístico do escritor português Valter Hugo Lemos. Além de escritor é editor, artista plástico e cantor. Nasceu em Saurimo, Angola em 1971. Passou a infância em Paços de Ferreira e, actualmente, vive em Vila do Conde. É licenciado em Direito e pós-graduado em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea. Vencedor do Prémio José Saramago no ano de 2007 É autor dos livros de poesia: Livro de Maldições (2006); O Resto da Minha Alegria Seguido de a Remoção das Almas e Útero (2003); A Cobrição das Filhas (2001); Estou Escondido na Cor Amarga do Fim da Tarde e Três Minutos Antes de a Maré Encher (2000); Egon Shiele Auto-Retrato de Dupla Encarnação, (Prémio de Poesia Almeida Garrett) e Entorno a Casa Sobre a Cabeça (1999); O Sol Pôs-se Calmo Sem Me Acordar (1997) e Silencioso Sorpo de Fuga (1996). Escreveu ainda o romance O Nosso Reino (2004). Organizou as antologias: O Encantador de Palavras, poesia de Manoel de Barros; Série Poeta, em homenagem a Julio-Saúl Dias; Quem Quer Casar com a Poetisa, poesia de Adília Lopes; O Futuro em Anos Luz, por sugestão do Porto 2001; Desfocados pelo Vento, A Poesia dos Anos 80, Agora.
"O amor precisa de ser uma solução, não um problema. Toda a gente me diz: o amor é um problema. Tudo bem. Posso dizer de outro modo: o amor é um problema mas a pessoa amada precisa de ser uma solução."
Este livro é simplesmente maravilhoso! Talvez até mais para os adultos do que para as crianças. Elas, tal como a menina que nos fala, têm toda uma visão mais pura do amor. Os adultos precisam, muitas vezes, de recordar essa pureza, essa coisa boa que o amor é e deve sempre ser.
É um livro tão delicioso que dá vontade de sublinhar todinho, de decorar cada frase, de citar, de levar connosco para todo o lado. De obrigar os outros a ler, de partilhar com todo o mundo.
É um livro tão bom, tão doce, que ficará para sempre "junto" a mim, sempre perto, sempre ao meu alcance todos os dias. É bom assim :)
“Mães, pais, filhos, outra família e amigos, todas as pessoas são a felicidade de alguém, porque a solidão é uma perda de sentido que faz pouca coisa valer a pena. Na solidão só vale a pena tentar encontrar alguém. O resto é tristeza.”
”O amor é um sentimento que não obedece nem se garante. Precisa de sorte e, depois, de empenho. Precisa de respeito. Respeito é saber deixar que todos tenham vez. Ninguém pode ser esquecido. (…) Estou cada vez mais certa de que o paraíso são os outros. Vi num livro para adultos. Li só isso: o paraíso são os outros. A nossa felicidade depende de alguém. Eu compreendo bem. Mães, país, filhos, outra família e amigos, todas as pessoas são a felicidade de alguém, porque a solidão é uma perda de sentido que faz pouca coisa valer a pena. Na solidão só vale a pena tentar encontrar alguém. O resto é tristeza. A tristeza a gente respeita e deita fora.(…) É como algo descartável. Precisamos de usar mas não é bom ficar guardada. Os casais formam-se para serem o paraíso. Ou assim devia ser. Pertencer a um casal tem de ser uma coisa boa. Eu, quando for adulta e encontrar quem vou amar, quero ser feliz. O amor precisa de ser uma solução, não um problema. Toda a gente me diz: o amor é um problema. Tudo bem. Posso dizer de outro modo: o amor é um problema mas a pessoa amada precisa de ser uma solução.”
A melhor parte do meu dia, depois de um longo dia de trabalho, é saber que tenho à minha espera livros como este, sobre o amor, que me aquecem a alma.
"O amor é um sentimento que não obedece nem se garante. Precisa de sorte e, depois, de empenho. Precisa de respeito." Um livro infantil que com pouco diz muito. Lembra-me de quando era eu criança e me questionava sobre o amor. Valter Hugo Mãe tem razão: o paraíso são os outros, a humanidade começa nos que nos rodeiam
“Reparo desde pequena que os adultos vivem muito em casais. Mesmo que não sejam óbvios, porque algumas pessoas têm par mas andam avulsas como as solteiras, há casais de mulher com homem, de homem com homem e outros de mulher com mulher. Depois, há casais de pássaros, coelhos, elefantes, besouros. Os pinguins são absurdamente fiéis, quero dizer: há também casais de pinguins, e até de golfinhos. Tudo por causa do amor. O amor constrói.” - Menina
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“Acho que invento a felicidade para compor todas as coisas e não haver preocupações desnecessárias. E inventar algo bom é melhor do que aceitarmos como definitiva uma qualquer realidade má. A felicidade também é estarmos preocupados só com aquilo que é importante. O importante é desenvolvermos coisas boas, das de pensar, sentir ou fazer.” - Menina
P. 11- "Ser feio é um complexo e pode ser apenas um problema de quem observa."
P. 21- "Os adultos apaixonam-se ao acaso, ainda que façam um esforço para escolher muito ou com muita inteligência. Já aprendi. O amor é um sentimento que não obedece nem se garante. Precisa de sorte e, depois, de empenho. Precisa de respeito. Respeito é saber que todos tenham vez. Ninguém pode ser esquecido."
P. 25- "Acho que invento a felicidade para compor todas as coisas (...)"
Um livro sobre a convivência, a felicidade, o amor dos homens e dos animais, sobre a vida em casal, sobre a solidão... É uma história doce e cheia de esperança, assim é o amor... ❤️😊
[1/12 desafio: 12 livros indicados por 12 amigues — indicado pela mari]
meu deus, eu amei essa leitura?! meu primeiro contato com o autor e eu simplesmente adorei. destaquei quase que todas as passagens, pois cada uma mais perfeita que a outra.
eu acho que sempre vou me encantar de ler sobre amor, seja da forma de que for, e nesse livro, o autor usou ainda o olhar de uma criança para falar sobre, o que tornou tudo ainda mais lindo. amei muito.
selecionei 3 das minhas citações favoritas, dentre as favoritas, para representar as coisas liindas que foram encontradas nessa leitura:
“A minha mãe diz que só crescemos quando reconhecemos os nossos erros. Enquanto não o fizermos seremos menores. Crescer é diferente de aumentar de tamanho ou ganhar idade. A minha mãe diz que grandes são os que se corrigem.”
“Uso óculos desde os cinco anos de idade. Estou sempre por detrás de uma janela de vidro. Não faz mal, eu inteira sou a minha própria casa.”
“Mesmo com cem anos, as pessoas agradecem sempre mais amor. Chegam a andar ainda à procura e muitas encontram. Nunca se torna tarde. Tarde é a metade do meio dos dias.”
"Vivo num lugar quente. A gente aqui tem muitos mosquitos e encontra borboletas nas flores. Abrem-se as janelas mas colocam-se redes. Ficamos a ver tudo coado por essa brancura. Também há gatos soltos e outros dentro das casas. Os soltos são os nossos. Nós não temos outros...Os gatos são casais misturados. Eu acho. Não são fiéis. Os cachorros também não. São fiéis aos donos mas,entre si,não namoram com muito cuidado. O amor também é namorar com cuidado".
O amor constrói. Gostarmos de alguém, mesmo quando estamos parados durante o tempo de dormir, é como fazer prédios ou cozinhar para mesas de mil lugares.
Este exemplar veio da biblioteca, mas preciso de ter um para mim. Para revisitar e reler.
"Os bichos só são feios se não entendermos os seus padrões de beleza. Um pouco como as pessoas. Ser feio é complexo e pode ser apenas um problema de quem observa" pág. 13
"Os adultos apaixonam-se ao acaso, ainda que façam um esforço para escolher muito ou com muita inteligência. Já aprendi. O amor é um sentimento que não obedece nem se garante. Precisa de sorte e, depois, de empenho. Precisa de respeito. Respeito é saber deixar que todos tenham vez. Ninguém pode ser esquecido." pág. 22
Nesta próxima passagem vi-me refletida. Sou muito assim. Sou mesmo assim.
"Gosto de olhar discretamente. Confesso. (...) Imagino a vida dos outros. Não é por cobiça. É por vontade que dê certo." pág.26
Edição muito bonita, agradável de manusear e de olhar. Texto de uma delicadeza quase palpável que contribui muito com a sensação de que de fato estava no fluxo de pensamentos de uma menina - sensação que, infelizmente, me foi intermitente. Contém algumas passagens interessantes, como
"A esperança parece inventada pela espera. Eu não sei esperar."
mas no geral o tom acabou me puxando mais pra um lugar de auto-ajuda meio raso, embora fofinho, do que pra algo que de fato me tocasse. Senti um leve descompasso enquanto lia que talvez tenha sido responsável por eu não conseguir entrar muito no clima que parecia estar sendo proposto. Suponho que, sendo uma edição brasileira, o texto tenha sido adaptado e que no original eu pudesse ter tido outra relação com esse livro.
Em suma, leitura curta, agradável e com ilustrações muitas vezes adoráveis, que me fez sair com um gosto levemente adocicado na boca que provavelmente esquecerei dentro em breve.
“Os casais são criados por causa do amor. Eu estou sempre à espera de entender o que é. Sei que é algo como gostar tanto que dá vontade de grudar. Ficar agarrado, não fazer nada longe. Os casais são isso: gente muito perto. Quero dizer: acompanhando, porque mesmo em viagem não deixam de acompanhar, pensam o dia inteiro no outro. Às vezes, falamos com alguém que pertence a um casal e essa pessoa nem ouve porque está a pensar em quem ama. Chega a ser bizarro. Quase mal educado.”
“O amor é um sentimento que não obedece nem se garante. Precisa de sorte e, depois, de empenho. Precisa de respeito. Respeito é saber deixar que todos tenham vez. Ninguém pode ser esquecido.”
Que fofura de livro! Descobri-o sem querer, em uma promoção na Amazon semana passada. Uma ótima oportunidade de refletirmos sobre o que é o amor e o que significa estar em um relacionamento. A leitura dura nem vinte minutos, mas as reflexões permanecem por muito mais tempo.
"Mães, pais, filhos, outra família e amigos, todas as pessoas são a felicidade de alguém, porque a solidão é uma perda de sentido que faz pouca coisa valer a pena."
Eu tava ansiosa pra ler de novo Valter Hugo Mãe, decidi por esse de supetão, quase “só” pelo preço na Amazon. Claro que já queria ler mais desse autor, então foi fácil demais essa escolha. Sem saber quase nada desse título, essa leitura não me decepcionou. A escrito do Valter Hugo Mãe é de uma coisa tão gostosa, uma paz e poesia, um carinho na alma. Leitura bem rapidinha, cheia de frases que dão um quentinho no coração pela “inocência” de uma criança. Já comprei o “A desumanização”, que diz que foi dele que surgiu esse (não sabia!). Agora vou dormir mais leve pós essa leiturinha ❤️
Este é um livro bonito para quem gosta do amor. Para quem não gosta, é chuva no molhado.
Sou um amargurado. Não consigo ver beleza ou verdade na conversa que conta com o amor para construir. O amor por quem certa vez desconheci (e, assim, não é parente meu) só me fez destruir. É esquisito acreditar em quem diz suspirando que o amor constrói e que a solidão é triste, quando a realidade que se vive demonstra o contrário. Não vejo nos outros o paraíso: quando amei, despedacei-me.
Mas meu desabafo é na terapia, não aqui.
É um lindo livro.
"Jacaré é um bicho indisposto, eu sei. Gosto dele mas não devo chegar perto. Nunca vi, já disse. Tenho pena. Talvez seja pior, o jacaré, por não amar. Eu gosto dele mas não sei se constrói. Estou a ser sincera. Ainda tenho de ler sobre isso. Talvez os bichos ferozes construam coisas às quais não sabemos dar valor. É importante pensarmos no valor que cada coisa ou lugar tem para cada bicho. Só assim vamos saber por que razão cada um é como é. Depois de entendermos melhor, a beleza comparece."
Pra mim, vivendo o que vivi, a beleza é a ausência do amor. É esta a tristeza? Que seja. Sou menos infeliz assim, triste.
• o paraíso são os outros - valter hugo mãe, 64 páginas, editora biblioteca azul. maio/2021
sigo navegando pela arte de vhm e não sei muito bem o que escrever sobre esse livrinho/obra de arte. só sei sentir e compartilhar trechos, então aí vai! "o amor precisa ser uma solução, não um problema. toda a gente me diz: o amor é um problema. tudo bem. posso dizer de outro modo: o amor é um problema mas a pessoa amada precisa ser uma solução." / "as pessoas são tão diferentes. agradeço muito que o sejam. fico a pensar se me acharão diferente. adoraria que achassem. ser tudo igual é característica de azulejo de parede, e mesmo assim há quem misture." / "uso óculos desde os cinco anos de idade. estou sempre por detrás de janelas de vidro. não faz mal, eu inteira sou a minha própria casa. sou como caracol, mas muito mais alta e veloz. a minha mãe também acha assim, que o corpo é casa. habitamos com maior ou menor juízo." paro por aqui, mas espero que tenha dado para perceber a poesia e a simplicidade que essa obra possui. vhm tem meu coração.
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Há livros denominados “infantis” que devem ser lidos por adultos – “O Paraíso São Os Outros” é um desses livros.
Acompanhada por ilustrações coloridas e divertidas, a história é narrada por uma menina que está ansiosa por crescer e experimentar o amor que vê nos adultos e animais. Com frases muito simples, Valter Hugo Mãe foca o que é importante para construir um relacionamento e que, muitas vezes, esquecemos com a rotina. Este é um livro que nos levanta o ânimo e faz-nos sentir agradecidos pelas pessoas que amamos e que nos amam… Enfim, que levam um pouco de paraíso às nossas vidas!
Tenho alguma curiosidade em ler Valter Hugo Mãe dado já me ter cruzado com críticas muito boas feitas ao escritor. Estreei-me com esta pequena obra e não fiquei deslumbrada como a maioria das críticas que tenho lido. É um livro simples (infantil) em que o narrador é uma criança que vai divagando. Para mim, as ilustrações não acrescentaram nada à obra apesar de tornar a edição mais interessante. Numa palavra: "meh"
Acho que não peguei direito a ideia desse livro. Achei meio sem graça. Tem umas frases bonitinhas que fazem refletir, como é o padrão do VHM, mas nada demais. Gostei mais das ilustrações que do texto. O livro é curtinho, então a leitura é bem pouco custosa, mas até agora é o que menos gostei do autor.