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Eu Sozinha

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“Sua visão do mundo é dela só, mais desesperada e aflita do que jamais foi posto em livro, numa personificação assustadora do isolamento definitivo do ser humano.” Millôr Fernandes

Eu sozinha, obra inaugural de Marina Colasanti, é um livro de solidão. A solidão como companheira, desde o nascimento na África até o tempo presente num apartamento em Ipanema. Afasta-se da autobiografia porque não conta a história de uma vida, mas transmite a marca da solidão de uma mulher jovem que caminha só, mora só, viaja só, trabalha só, mesmo quando há ao lado a ilusão dolorosa de outras proximidades. O livro é organizado em dois planos narrativos paralelos, sendo os capítulos pares relativos a momentos presentes, enquanto os ímpares são autobiográficos. “O que desejava, através dessa estrutura, era mostrar que a solidão se constrói desde o início, estejamos ou não acompanhados, e que desde o início nos acompanha.”, explica Marina.

A obra não só deu início à carreira literária de Marina, como também estabeleceu uma linguagem e um olhar muito particular. Pois Marina emerge da crônica que a notabilizou no Jornal do Brasil, já trazendo na escrita o som diferenciado que será seu dali em diante.

112 pages, Paperback

Published February 14, 2018

3 people are currently reading
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About the author

Marina Colasanti

119 books47 followers
Marina Colasanti was an Italian-Brazilian writer, translator and journalist.

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Displaying 1 - 9 of 9 reviews
Profile Image for Carolina.
124 reviews3 followers
February 4, 2025
Bem o tipo de livro que eu gosto: ensaios curtos com unidade, experiências pessoais, escrita fluida, mas profunda. O tema da solidão, das formas de solidão, talvez, me trouxeram muitas memórias de infância e depois de quando morei sozinha.
Profile Image for Karini Couto.
53 reviews
July 25, 2024
Em seu primeiro livro, publicado em 1968, Marina Colasanti deixa sua marca ao nos transportar através de suas palavras desbravando territórios do pensamento, numa prosa onde temos contato com a solidão e tudo que vêm junto. Falo do sentir, do ar melancólico ao descrever algo ou a si mesma, de emoções que transbordam através de suas páginas e nos faz refletir sobre aspectos das relações humanas, sentimentos, vulnerabilidades e sobre nós mesmos.

"... há uma mulher jovem que caminha só,  que viaja só, que trabalha só,  mesmo quando há ao lado a ilusão dolorosa de outras proximidades, a sensação pérfida do afago fugidio. Em tudo a frustração constante do que fica enquanto vamos ou do que morre enquanto teimamos em existir."

O tom da obra é melancólico, estar cercado de muitos e ao mesmo tempo estar só, alguém já se sentiu assim, ou ouviu de outro essa sensação?

Nessa obra temos uma divisão clara entre o presente (da época de sua escrita) e partes autobiográficas seguindo desde seu nascimento na África. Um livro que deixa claro a solidão ao observar tudo ao redor e o estar só em meio ao farfalhar de pessoas. Uma obra curta e tão carregada de emoções. 

Lindamente escrito e descrito, poderia falar da jornada da autora ou da estrutura da obra, mas escolhi falar sobre os sentimentos e sensações. Sobre como me vi em algumas linhas... Como me sinto por vezes cercada de pessoas e ao mesmo tempo tão só. Como a solidão nos transforma, como muitas vezes ela é necessária, mas existe uma diferença gritante entre solidão e solitute, e as vezes essa solidão é sufocante!

"Sei que a tarde esteve agradável, porque, mesmo no sono, ouvi gritos alegres de crianças na rua. Se chegasse à janela, e me desse ao trabalho de afastar as cortinas pesadas, veria, na certa, um princípio de noite tênue e clara... Mas estou cansada e chateada, não tenho vontade de olhar paisagens lindas que me façam sentir ainda mais só; estou com vontade de ouvir bater na porta, abrir, sentar numa poltrona, e ficar conversando a esmo, sem pressa, nem hora, com outra pessoa, outra pessoa qualquer."

Me despeço dessa obra com muitas reflexões pessoais. O que é solidão para você?
Profile Image for Jéssica.
67 reviews
March 31, 2018
"Não há luta. Aprendi a inutilidade de qualquer resistência, descobri que no fundo não há nada, senão mais e mais fundo, numa mesma, ou maior, intensidade. Sei que posso suportar."

"Não, não quero ir dormir. O dia não me trouxe nada de bom; não quero encerrá-lo ainda. Se eu esperar mais um pouco, assim, quieta, ouvindo os ruídos, ouvindo o silêncio, talvez fique leve de novo. Pelo menos o suficiente para levantar, empilhar as almofadas e retirar a colcha. Pelo menos o quanto basta para, diante do espelho, não encontrar nos meus olhos a expressão de um tão grande desespero."

Eu sozinha (1968) marca a magistral estreia literária de Marina Colasanti. Embora a autora lhe negue o rótulo de livro de crônicas, é inevitável destacar que seu foco, aqui, é o dia a dia; eternizado como legítimo meio de manifestação e vivência da angústia do não-ser em relação ao outro e ao mundo.

Alternando breves capítulos que tratam ou de um presente morno e penoso ou de um rico passado mais ou menos distante, Marina nos oferece um caleidoscópio de diversas cenas cotidianas nas quais parece, às vezes, atuar como mera coadjuvante, tamanho o protagismo da solidão que a assola.

https://www.instagram.com/asombradasl...
Profile Image for Cintia Andrade.
488 reviews51 followers
December 24, 2018
O que mais me impressionou neste livro foi ter sido o primeiro de Marina Colasanti (por ter um estilo e escrita muito maduros para a pouca idade da autora à época). A narrativa alterna entre capítulos sobre o passado e capítulos sobre o presente - gostei especialmente dos capítulos que tratam do momento presente na vida da narradora. Eu tenho dificuldade de me conectar ao estilo, que é muito poético e muito alusivo para mim, à la Clarice.
Profile Image for Marina Morena.
19 reviews
April 14, 2019
« E não creio que eu, mais do que os outros, tenha o direito de ver estas coisas, de olhar o mundo como se não fizesse parte dele. Não há por que a arrogância me seja permitida; e ter pena é ser arrogante. »
Profile Image for Danielle Aleixo.
220 reviews4 followers
December 12, 2020
Ainda tão nova e já demonstrava a enorme força de sua literatura, levando o leitor a lembrar de situações bem próximas vividas por ele, que não se deu conta de que por mais rotineiras que fossem guardavam uma experiência poética. Grande cronista.
Displaying 1 - 9 of 9 reviews

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