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Psiché

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A acção de Psiché desenvolve-se entre as últimas décadas do século XIX e os anos cinquenta da nossa época. É a história de um homem de «carne e osso» que, pertencendo à então vilipendiada classe dos comediantes, sofreu da instabilidade, que ainda hoje é, de certo modo, apanágio da profissão, e da brutal concorrência feita aos espectáculos ligeiros pelo recém-aparecido e poderoso cinema.
É também a história de uma mulher enérgica que, sempre na sombra do marido, foi o nó vital, o deus ex-machina da arte dele. Dias de glória, alegria, sofrimento, até à decadência final, à miséria se não fora o acolhimento carinhoso de familiares... E será que esta sina foi já definitivamente banida dos horizontes dos nossos artistas?... Vigorosamente tratada a personalidade dos intervenientes, que, tendo tido existência real, se sentem poeticamente estilizados. Uma vertiginosa descida ao Tártaro, com o tempo e o espaço inicialmente desgrenhados e desorientados. Aqui e ali um recorte bizarro: D. Maria Bragança e o seu incrível almoço. Mulher de «avant garde» ou uma George Sand tardia?... O senhor Aristeu, o noivo indeciso... E a figura trágica de Raquel, marcada desde o início pela morte...
Como pano de fundo, paisagem e fragmentos de história do Brasil e de Portugal, em pequenos apontamentos ou em descrições fortes e rigorosas: a emoção da chegada ao Rio dos aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral, os massacres sangrentos de Garanhuns, o espectro da gripe espanhola com o seu «chá da meia-noite»...
Tudo isto nos conta o autor num português fluente e clássico a que já nos habituou.

282 pages, Paperback

First published January 1, 1988

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About the author

Fernando Campos

48 books12 followers
FERNANDO DA SILVA CAMPOS nasceu em Águas Santas, Maia, a 23 de Abril de 1924. Licenciou-se em Filologia Clássica na Universidade de Coimbra, vindo a trabalhar como professor do ensino secundário no Liceu Pedro Nunes. Para além de algumas obras didácticas e pequenas monografias de carácter etimológico, é autor do romance histórico A Casa do Pó (Prémio Literário Município de Lisboa, 1986), que o consagrou, inspirado na figura de Frei Pantaleão de Aveiro, na linha de uma tradição romanesca que vem do século XIX. Depois das novelas O Homem da Máquina de Escrever (1987) e Psiché (1987), publicou o ensaio etnográfico Portugal (1989) e os romances O Pesadelo de dEus (1990), de carácter fantástico, regressando à inspiração histórica com A Esmeralda Partida (1995, Prémio Eça de Queiroz), sobre a vida de D. João II, A Sala das Perguntas (1998), o livro de contos Viagens ao Ponto de Fuga (1998), A Ponte dos Suspiros (2000), … Que o Meu Pé Prende… (2001), O Prisioneiro da Torre Velha (2003), O Cavaleiro da Águia (2005), A Loja das Duas Esquinas (2009), A Rocha Branca (2011, finalista do Prémio do Pen Clube Português de Narrativa) e Ravengar (2012). Em 1997 foi eleito sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa. Faleceu em Lisboa, a 1 de Abril de 2017.

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Profile Image for Ana.
763 reviews113 followers
February 6, 2021
Durante toda a leitura deste livro, pareceu-me ter nas mãos um texto escrito no final do séc. XIX/início do séc. XX, isto é, a época em que se passa a história que aqui é contada. Se calhar foi precisamente essa a intenção do autor, mas para mim, o texto resultou demasiadamente adornado, e o estilo, a lembrar o romantismo, também não é o que mais aprecio.

Também me pareceram excessivas as descrições e enumerações das vilas e cidades percorridas pelo personagem principal, nas suas andanças de actor de teatro, numa época em que este começava a perder terreno para o cinema.

Gostei bem mais do outro livro que li deste autor, A Casa do Pó.
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