A descoberta do outro é o primeiro livro de Gustavo Corção, publicado originalmente em 1944, e um clássico da literatura brasileira. É o relato do autor do processo que passou de descoberta da própria miséria e busca pela entrega total de si à verdadeira Caridade. O outro, enquanto considerado como mera parte do nosso próprio mundo, nunca passa de uma função sem individualidade concreta. Os esquemas abstratos, as ideologias, tudo que põe o mundo enquadrado — “em papel milimetrado” — abole a verdadeira relação que deve haver entre os homens e impede que o outro se transforme no próximo, a quem a Caridade ensina a amar com a si mesmo. Corção descreve essa tensão de modo assombroso e sincero. Esta reedição ainda traz uma carta a Gustavo Corção do filósofo francês Jacques Maritain — que, junto de G. K. Chesterton, foi uma de suas maiores influências —, a respeito do livro A descoberta do outro. Capa 260 páginas Vide; Ediçã 1ª (20 de outubro de 2017) Português 8595070237 978-8595070233 Dimensões do 22,8 x 15,8 x 1,6 cm Peso de 408 g
Gustavo Corção foi um escritor e pensador católico brasileiro, autor de diversos livros sobre política e conduta, além de um romance. Foi membro da antiga União Democrática Nacional (UDN) e um expoente do pensamento conservador no Brasil. Sua obra é influenciada pelo Distributismo, a apologia católica do escritor inglês G.K. Chesterton, influência extensamente explicada no seu ensaio Três Alqueires e uma Vaca. Entretanto, uma outra influência sobre o seu pensamento veio do filósofo Jacques Maritain. Formado engenheiro, Corção só obteve notoriedade no campo das idéias aos 48 anos, ao publicar o livro A Descoberta do Outro, narrativa autobiográfica de sua conversão ao catolicismo (influenciado por Alceu Amoroso Lima). Como engenheiro, era um apaixonado pela eletrônica. Foi durante anos professor dessa disciplina na Escola técnica do Exército, atual Instituto Militar de Engenharia. O amor à eletrônica e à música sacra levou-o a ser um estudioso e intérprete de órgão Hammond. Este instrumento musical tornou-se uma de suas paixões, tanto pela engenhosidade de sua construção como por sua sonoridade. Sua produção literária e seu estilo foram considerados por muitos na mesma altura da de Machado de Assis, autor que o inspirou a produzir e publicar uma antologia (de Assis). Sobre Gustavo Corção, Raquel de Queiroz afirmou em 1971: “A maioria dos brasileiros conhecem duas faces de Gustavo Corção. Uma, a do escritor exímio, a usar como ninguém a língua portuguesa, o autor que, vivo ainda, graças a Deus, é um indiscutível clássico da literatura nacional. [...] A segunda face é a do anjo combatente, de gládio na mão, a castigar os impostores que vivem a gritar o nome de Deus e da Sua Igreja, não para os louvar, antes para apregoar na feira inocente-útil do ‘progressismo’. O pensamento de Gustavo Corção caracteriza-se por uma postura política conservadora, inimiga do catolicismo liberal e favorável ao diálogo com a esquerda, representado por Alceu Amoroso Lima, Sobral Pinto, e Dom Hélder Câmara, e pela defesa do tradicionalismo litúrgico e doutrinário, o que o colocou em posição de antagonismo em relação à Igreja que emergiu do Concílio Vaticano II; concílio convocado pelo Papa João XXIII e encerrado pelo Papa Paulo VI. Corção apoiou a derrubada do governo de João Goulart pelo movimento encabeçado pelos militares, em 1964, pois entendia que esse governo abria as portas para o comunismo e, consequentemente, para a influência soviética no Brasil, implicando no fim da democracia e das liberdades individuais, incluindo a liberdade de possuir uma fé religiosa. Suas polêmicas com católicos menos conservadores e com as esquerdas, ocorriam em grandes jornais como O Globo, Rio de Janeiro e O Estado de São Paulo.
Seria já um bom livro porque confirma (na verdade, além do reforço ‘ab auctoritate’, dá uma aprofundada nela) a uma das epifaniazinhas que me guiam, aquela de que só temos duas idades – a de criança e a de adolescente.
Digo epifaniazinha assim, no diminutivo, porque não é exatamente uma epifaniiiia, epifania; é mais uma consolidação do que li de outras pessoas e acabei adotando como minha.
Mas é um livro todo ele de epifanias do autor – e ele generosamente as comparte com os felizes leitores.
A epifania mais útil, para os dias de hoje, é a da opinião, como sendo a inteligência mediada (desfocada) pela vontade.
Essa é fácil de absorver, para daqui uns anos, quando ela estiver bem embutida no seu cerebelo, a ponto de coordenar as tuas pernas, você dizer que é sua.
Mas a principal epifania é a da caridade, como mãe de todas as virtudes – é uma epifaniazinha que o autor recebeu de Paulo (Coríntios, 13), passou alguns anos testando no galvanômetro e, enfim, incorporou no seu cerebelo e no resto da caixola. É o amor ao próximo não só como a si mesmo, mas o amor ao próximo igualada ao amor a Deus - e animado por uma Fé racional.
Ele fez, mas, raios, como é difícil repetir o feito.
Foi através desse livro de Gustavo Corção que parei de circular ao redor da religião e fazer perguntas céticas meio idiotas. Esse livro não me converteu sozinho, mas me levou para a prática religiosa, para a mística do outro.
Foi o livro que me tornou católico.
Disse o Nelson Rodrigues sobre ele: "Tudo em Corção é amor; poucas pessoas conheço com tanta vocação, tanto destino, para o amor. O que parece ódio, nos seus escritos, é ainda amor (…) Está fatalmente ao lado da pessoa e contra a antipessoa (…) É a luta que o apaixona. Todos os dias, lá vai ele atirar o seu dardo contra as hordas da antipessoa."
Não há palavras que sejam suficientes para expressar, nem que seja um pouco, o tamanho da beleza contida nesse livro. Lê-lo foi quase uma experiência de resgate espiritual, orquestrada por um homem de meia idade que, no conturbado século XX, confessa o que a Fé o fez enxergar em sua complicada história já passada. Mas estas não são simples confissões. Corção penetra profundamente na alma do homem e revela de forma implacável que a única experiência realmente válida para o coração humano é a experiência do Mistério. E o mais importante, essa experiência se dá em um palco que é muito mais acessível do que imaginamos hoje em dia: o relacionamento com o outro.
O plano central do autor nesta obra é guiar o leitor a reconhecer que o outro é o único membro decente que deve entrar na equação de nossas vidas. O outro é criado, amado, cuidado e perdoado pelo Outro. Deus é a peça central desta experiência, pois é dele que provemos e é a Ele que devemos ir.
O livro me deu uma nova e vital visão sobre o que é o relacionar-se com a realidade, seja experimentando o drama da própria existência, seja experimentando a estranheza lúdica da existência do outro.
Decisivo para minha fé. Gustavo Corção passou a ser definitivamente meu credor. Obrigado mestre.
Misturando Machado de Assis com Chesterton, o Corção se abriu com toda sinceridade nesse livro de conversão espiritual. Perfeito para todo católico e para religiosos.