Ler o A Aia da Rainha veio confirmar e realçar o meu gosto pelos romances históricos. Barbara Kyle é uma óptima contadora de história, principalmente se esta contiver muitos factos reais.
Começando pela capa, com o genial pormenor do anel, e pela sinopse, um pouco infiel ao livro, somos conquistados desde o primeiro olhar ao exemplar. O conteúdo vem apenas mostrar-nos que não nos enganámos e que cada segundo a ler estas linhas não foi tempo desperdiçado.
Todo o texto é rico em figuras de estilo, comparações, frases profundas e cheias de sentido de humor ou verdade nua e crua. Aqui a escritora não poupa sensibilidades, mostrando-nos a natureza humana sem floreados ou com palavras bonitas, contando-nos com pormenor todos os actos mortais que os homens faziam uns aos outros (desde a fogueira, a guerras e conquistas, ou até a decapitações e enforcamentos).
O teor religioso e a evolução da personagem principal Honor Larke, principalmente as suas últimas crenças e conclusões, contribuíram para rechear ainda mais. Aqui neste livro não há a chamada "palha" ou "conversa de chacha", há sim história, línguas, literatura, música, e, principalmente, ensinamentos de moral, coragem, solidariedade e amor. A acção e a aventura estão também presentes em todos os capítulos, combatendo a monotonia que certos assuntos poderiam provocar.
O meu personagem preferido é, com certeza, Sam Jinner: carinhoso, corajoso, humilde, simples, fiel, ... conquistou-me logo na primeira cena em que aparece. Este é o ponto mais positivo de Barbara Kyle, o facto de todas as personagens estarem tão bem desenvolvidas, cada uma com uma personalidade distinta, com crenças e desejos que se cruzam, mas que ao mesmo tempo são opostas. Aqui todas elas actuam com segundas intenções, que são boas ou más consoante o personagem. Todas sofrem uma evolução, não tanto como a personagem principal. Estas alterações, estes pormenores e desenvolvimentos contribuem para que o leitor odeie uma metade e defenda outra.
Mas nem tudo são rosas.
Os saltos no tempo demasiado drásticos, acabando abruptamente algumas cenas com mais carga emocional, parecendo que a personagem principal esquece assuntos importantes demasiado rápido, lacunas na história/pontos mal limados que são deixados em aberto como o destino final do anel, do rei, da rainha-mãe, da filha de Honor, de Ana Bolena, de Erasmo, etc. Acredito que muitos destes serão esclarecidos no próximo volume.