În ansamblul operei unuia dintre cei mai mari scriitori brazilieni ai secolului XX, Erico Verissimo (1905-1975), cunoscut publicului românesc prin romane de mare anvergură (Incident la Antares, Domnul ambasador, trilogia Timpul şi vântul), nuvela Noapte ocupă un loc aparte. De mică întindere, cu puţine personaje şi cu acţiunea condensată într-o singură noapte, ,,ţâşnirea” ei a surprins nu numai cititorii şi critica literară, ci şi pe autor: în timp ce era cufundat în elaborarea celei de-a doua părţi a trilogiei, el a simţit brusc urgenţa de a lua o pauză. Iar ,,pauza” pentru un romancier de talie universală, a cărui viaţă se confunda în mare măsură cu opera, nu putea fi decât…o nouă scriere, dar de cu totul alt gen. Astfel s-a născut această mică bijuterie, care se desfăşoară în lumea tăcută şi neputincioasă – sfâşiată uneori şi de stridenţe – a unei nopţi dintr-un mare oraş, unde o fiinţă pierdută de sine este practic sechestrată de nişte figuri de coşmar şi târâtă într-o serie de aventuri fără noimă. Rătăcit în propriul său oraş, pierzând noţiunea realităţii şi memoria, un Necunoscut se refugiază în inconştienţă şi, cuprins de o panică difuză, se agaţă, înspăimântat, de toate umbrele, convins că a săvârşit crime imaginare.
Erico Verissimo (December 17, 1905 - November 28, 1975) is an important Brazilian writer, who was born in Rio Grande do Sul. His father, Sebastião Veríssimo da Fonseca, heir of a rich family in Cruz Alta, Rio Grande do Sul, met financial ruin during his son's youth. Veríssimo worked in a pharmacy before obtaining a job at Editora Globo, a book publisher, where he translated and released works of writers like Aldous Huxley. During the Second World War, he went to the United States. This period of his life was recorded in some of his books, including: Gato Preto em Campo de Neve ("Black Cat in a Snow Field"), A Volta do Gato Preto ("The Return of the Black Cat"), and História da Literatura Brasileira ("History of Brazilian Literature"), which contains some of his lectures at UCLA. His epic O Tempo e o Vento ("The Time and the Wind'") became one of the great masterpieces of the Brazilian novel, alongside Os Sertões by Euclides da Cunha, and Grande Sertão: Veredas by Guimarães Rosa. Four of Veríssimo's works, Time and the Wind, Night, Mexico, and His Excellency, the Ambassador, were translated into the English language by Linton Lomas Barrett. He was the father of another famous writer of Rio Grande do Sul, Luis Fernando Veríssimo.
Uma baita loucurada. Me fez lembrar O mestre e Margarida do Bulgakhov, no sentido de um cenário permeado pelo vulnerável, pelo incerto. O mistério da noite.
Imagine que Woland e sua comitiva demoníaca (Behemoth, Azazello, Koroviev e Hella) de O Mestre e Margarida de Bulgakov encontraram-se com Raskolnikov de Crime e Castigo de Dostoiévski em uma cidade fictícia que se assemelha a Porto Alegre da década de 50. E aproveitando da culpa e perca de memória desse Desconhecido Raskolnikov, que de nada se lembra, exceto de sua culpa, viajam pela noite praticando as maiores bestialidades por onde passam.
Sob essa comitiva, tomando esse séquito inquietante como o movimento da narrativa, Veríssimo compõe uma excelente obra acerca da perda de identidade que abocanhou o país e a si, onde a memória deixou de ser nítida e o futuro passou da certeza à dúvida diante dos acontecimentos mundiais, da guerra e da política, que embaralhou o certo, o errado, a direita, a esquerda e acabou por levar a todos em uma viagem para dentro da própria culpa.
É essa a viagem do desconhecido e também a nossa, em uma excelente obra.
Que novelinha absolutamente brilhante. Suspense psicanalítico no seu melhor, tente nunca ler absolutamente nada sobre esse livro que a experiência se torna ainda mais intensa. Fuja do prefácio até terminar o livro.
( ) dá pra ler em uma tarde só se for domingo. (x) se for domingo, dá pra ler em uma tarde só. ( ) só se for de tarde, dá pra ler em um domingo. ( ) dá pra ler em um domingo só se for até tarde.
Este livro foi um dos poucos livros que, ao terminar de ler, me deixaram sem fala e completamente mudada. É insano pensar que, em algum momento da história, chamaram-no de "incompreensível"! É uma obra esquecida, mas belíssima, e cheia de metáforas sobre a condição humana. Até hoje, para mim, é quase impensável lembrar dele sem me emocionar.
Esse livro deu um belo nó na minha mente, criei várias teorias sobre o que poderia ser e me surpreendi no final. Vale uma releitura para pegar mais detalhes que devem ter passado na leitura.
Gritaria, loucurada, uma espiral de acontecimentos incomuns, personagens caricatos, bebedeira, prostitutas e reflexões. Só faltou o dedo no cu.
Adoro fluxo de consciência (é narrado em 3ª pessoa, mas, olhando pelo conteúdo do livro como um todo e a forma de escrita, interpretei como tal).
Pude me identificar bastante com vários aspectos da história e do protagonista, especialmente no quesito de algumas das situações, o que eu particularmente gosto bastante; no entanto, acho que me identificaria mais se fosse uma mulher a protagonista, por isso 4☆.
No geral, é um lembrete de que se uma noite já está ruim, ela pode ficar melhor ainda!
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Leituras de 2025 . Noite [1954] Érico Veríssimo (Brasil, RS, 1905-1975) Cia das Letras, 2009, 168p. _____________________________ “Tudo isto pode ser apenas um sonho e ninguém nunca nos pede contas de que fazemos em sonhos. Não! Esta consciência aguda do corpo, duma carne batida e aviltada que dói e cheira mal — esta sensação de miséria física a gente só tem quando acordado. O horror dos pesadelos é um horror do espírito (pág 133). . Após ter lido 12 livros de Érico Veríssimo (a trilogia O tempo e O vento é composta por sete livros!) posso considerar Noite uma das obras mais enigmáticas de Érico Veríssimo, e como também uma das melhores coisas que já li na vida! O romance foge ao estilo tradicional do autor e mergulha em uma narrativa introspectiva e surreal, que me fez lembrar mais de uma vez ao Estorvo, de Chico Buarque. . A trama acompanha um narrador sem nome que desperta em uma cidade desconhecida e mergulha em uma sucessão de episódios fragmentados, nos quais cruza com figuras estranhas e vive situações carregadas de simbolismo. O enredo é operado como um fluxo de consciência, marcado por imagens oníricas e esfumaçadas, atmosferas sombrias que revelam as angústias existenciais e reflexões sobre culpa, morte e a busca de sentido de “Desconhecido”.
Veríssimo gasta sem dó descrições do espaço urbano (também me fez lembrar dos sonhos de grandeza que Rodrigo Cambará tinha em modernizar a mítica Santa Fé) bem como os personagens encontrados pelo protagonista - o homem da flor vermelha e o corcunda - que funcionam como espelhos de sua mente, numa narrativa que mistura realidade e alucinação. Perfeito!
Não tinha ouvido falar desse livro do Érico. como alguém que é fã das suas obras urbanas, eu tinha expectativas de que a obra puxasse mais para a crônica de costumes. Fui positivamente surpreendido, achei essa introspecção moral e a alegoria muito pontual e diferente do resto da obra do autor (me lembra talvez mais o Retrato, quando Érico disseca o personagem do Rodrigo Cambará).
Os diferentes cenários da cidade são um ótimo pano de fundo para o caos interior do protagonista. Só achei que talvez o ritmo da novela sofra um pouco: vemos muito da resolução das memórias no fim da obra, mas elas talvez poderiam ter sido oferecidas mais aos poucos.
Também se nota bastante o eruditismo do Érico, que junta à Porto Alegre um pouco das obras que ele lê e traduz na literatura mundial. Eu notei bastantes influências russas como de Crime e Castigo mas também (talvez não uma influência, dada as datas de publicação, mas uma ressonância temática) Mestre e Margarita (Bulgakov).
Um grande livro do Érico Veríssimo que faz uma leitura rápida mas densa, necessária para entender a versatilidade do autor.
At the beginning I thought this novella belonged to magical realism with a pinch of Kafka, a pinch of Murakami, even a pinch of Fowles' "Magician" in that the characters and the events were weird and the hero was more or less made prisoner. Let alone the setting: a single night. Yet through the end of the story it seemed to me purely realistic because the hero's drama is finally revealed, which makes it a psychological story. More than that, I for one have found elements of allegory in it, having been tempted to see the devil in a character and Jesus Crist in another. And maybe it was not randomly that the name Maria appeared at the end. If I had been honest, I wouldn't have rated this novella at all because I am still working on my capacity of understanding it. I still have to ponder on its hidden meanings and maybe symbols that haven't been revealed to me yet. Still I have chosen to express my judgement by a number of stars. I gave it four stars instead of five taking into account how much it touched my soul. Though mind provoking and sometimes even entertaining, now and then it seemed kind of tiresome to me. Maybe on a second read I could get more of it.
Não sei muito o que dizer. Preciso pensar pra ver se compreendo a mensagem dele, se é que tem alguma msg. Um homem confuso crente que cometeu um crime vaga pela noite numa cidade grande e meio que é sequestrado por dois pilantras aproveitadores. Me deixou cheia de dúvidas, leitura cansativa mesmo sendo só 144 páginas.
Veríssimo escreveu esse livro muito bem mas com demasiada detalhes de coisas não importantes e a trama do livro vai muito divagar. Não recomendo este livro em particular mas eu gostei a história curta no final do livro “A Sonata”
Qualquer livro deste autor é muito bom, eventualmente este estará um pouquinho abaixo daquilo a que tenho sido habituado, mas não deixa por isso de ser outra boa obra de Veríssimo.
bem diferente de tudo que eu li do verissimo, me lembrou um pouco o filme after hours com a narrativa frenética e sempre em movimento, vi um pessoal comparando bastante com um conto russo que também pretendo ler
A experiência de Erico Veríssimo realmente não me comove. Ainda que esta pequena novela seja melhor do que outras obras suas como Caminhos Cruzados e Clarissa, vejo um grande toma kitsch em sua narrativa. Quanto à Noite, a novela tem seus pontos altos, em especial a breve passagem no prostíbulo e o andamento do personagem do Mestre. Há claramente uma influência da obra de Dostoiévski e Poe, o homem culpado que percorre a cidade em busca de expiação ou plena fuga de seu crime; contudo, Veríssimo não consegue atingir nem um tom filosófico transcendental nem uma experiência poética notável. Personagens como a Ruiva e o Corcunda acabam criando um nonsense que não funciona na narrativa, tornando-a até certo ponto fastidiosa, em geral.