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Uma Casa na Escuridão

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«Então, fechei os olhos com força e fixei-me no que via. Esta era uma das coisas que fazia desde pequeno, que tinha descoberto por acaso e que imaginava ser eu a única pessoa a fazer no mundo. Fechava os olhos e via. Via o que se vê com os olhos fechados (...) Isto é o que se vê quando fechados os olhos e continuamos a ver: a cor negra e os pequenos seres de luz que a habitam. E não se consegue olhar fixamente nem para o negro nem para a luz. Os pontos ou as linhas ou as figuras de luz fogem da atenção. O negro é tão absoluto, tão profundo, tão infinito que o olhar avança por ele sem encontrar um lugar onde possa deter-se. Mas, naquela noite, comecei a distinguir algo dentro desse negro.»

251 pages, Paperback

First published January 1, 2002

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About the author

José Luís Peixoto

98 books2,168 followers

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87 (7%)
1 star
44 (3%)
Displaying 1 - 30 of 119 reviews
Profile Image for Ludgero Cardoso.
94 reviews163 followers
July 9, 2017
Que livro tão triste! Acontece tanta desgraça. O meu coração está partido em pedaços. Gostei muito do livro. Recomendo! Terminei-o com vontade de reler e isso diz tudo :) Só não se torna um favorito, por causa da escrita repetitiva que atrapalhou um pouco a leitura.
Profile Image for Cathy.
474 reviews16 followers
January 31, 2012
Esta é a história de um escritor que traz o amor e a morte no peito. E os mortos: o pai, a escrava madalena e ela – a que ele ama. E fora do amor e da escuridão de uma casa povoada de gatos, há a morte que mais tarde irromperá portas a dentro, impiedosa e brutal. E há o resto do mundo: o medo, o sofrimento e a solidão que estão por todo o lado e se juntam no peito das pessoas. Perante o horror do mundo, o escritor começa por se refugiar em si mesmo, no amor que traz no coração e na mão que treme ao escrever.

O autor brinca com as palavras, com as emoções do leitor. Como ondas ora de amor melancólico, ora de terror. A violência mais extrema, descrita com crueldade, sem piedade(corpos decepados, corações arrancados à espada, ouvidos e olhos trespassados por agulhas). E o livro prossegue, sem que o leitor seja capaz de parar de o ler. Os soldados matam e torturam como se cumprissem uma espécie de rito trivial. Matam porque a vida deles é matar. Violam as escravas porque a vida deles é violar.

As páginas avançam e o sofrimento ultrapassa todas as fronteiras do suportável. Também o leitor deseja que tudo acabe. Também o leitor espera ansiosamente a morte.

E quando ela vem traz consigo um sorriso nos lábios.
Profile Image for Daniele.
306 reviews68 followers
January 10, 2022
Romanzo allegorico, barocco, surreale, poetico.
Ricorda un pò Borges, ma se l'argentino spesso mi respinge con Peixoto invece sono stato attratto lentamente dalla sua scrittura semplice ma profonda, dalla ripetitività del testo che come una nenia ti culla.
Inizialmente sono rimasto un pò spiazzato dalla storia, ma poi mi sono abbandonato alla lettura fregandomene della trama (quest'ultima è solo un pretesto).
Amore, solitudine, vita, amicizia, indifferenza, felicità, dolore, morte.
Ma c'è molto di più, ci sono sottotesti che il lettore può estrapolare qua e là, c'è anche una parte autobiografica credo, in quanto il protagonista è uno scrittore proprio come Peixoto e forse le sue difficoltà nello scrivere sono le stesse del romanziere portoghese che le esorcizza proprio scrivendone.
Un libro che parla di corpi mutilati ed in decomposizione, di anime tormentate e svuotate, un libro buio appunto, che vuol esser un monito per questo nostro mondo alla deriva.

Ma poi, il tempo. Sempre il tempo come una brezza. Un venticello delicato, ma definitivo, a respingere i miei sentimenti, a lasciarli là sul fondo e a mostrarmi da lontano che erano piccoli, molto piccoli e senza valore. E sempre solo la solitudine. Sempre. Io da solo, vivendo.

Oggi so che ti amo in quanto oggi so che ti amo; sei assolutamente mia in quanto mai, in nessun momento, sarai mia.

La felicità, come l'amore, è un sentimento ridicolo. Ma la felicità, come l'amore, è ridicola soltanto quando è vista da fuori. La felicità, come l'amore, è ridicola solo prima o dopo di essa.

Disse sono venuto per morire, lo sai bene. Disse sono venuto per morire, perché pensavo di sapere la risposta a tutte le domande del mondo. Disse non sapevo una risposta. Disse non sapevo che morire fosse così difficile. È duro morire, disse. Sapendo tutto, o non sapendo nulla sul mondo e sulla vita, morire è molto difficile, disse. È duro morire. Non dicemmo nulla. Disse la morte è impossibile. Disse l'amore è impossibile. Disse tutto ciò che desideriamo è impossibile.

Quando mia madre mi poteva ancora sentire, non le ho mai detto nessuna delle parole vere che sentivo per lei e, solo in quel momento, quando lei era sorda, pensai di dirle una di quelle parole. Non dissi. Mia madre era sorda. Mia madre non mi poteva sentire. Fu mia madre che, come se parlasse, come se dicesse una parola grande, mi prese fra le braccia. Tra le braccia di mia madre, il freddo sembrò spegnersi per un istante. Poggiai la testa stanca sulla sua spalla.

Rimasi chiuso dentro di me. La mia solitudine, che era la mia miseria, che era la mia disperazione, aveva eretto muri sui miei occhi.

Non parlava perché pensava. Nei suoi pensieri, dubitava di tutto ciò che avrebbe potuto dire. Restava zitto e pensava, cercando di trovare una parola, una frase da dire e in cui credere, per il solo fatto di essere vera, per il solo fatto di non poter essere contraddetta.

Lei disse hai dato la tua vita per capire che l'amore è impossibile. L'amore è qualcosa dentro qualcosa di profondo. Lei disse hai dato la tua vita per capire che l'amore è la solitudine. Lei disse avevi ragione sin dall'inizio, l'amore è tutto ciò che esiste.

Per le parole che non ho mai detto, per i gesti che mi hai tanto chiesto e io non sono mai stato capace di fare, voglio chiederti scusa, madre, e so che chiedere scusa non è sufficiente.
Profile Image for Carmo.
727 reviews566 followers
July 13, 2016
Livro duro, de uma tristeza imensa . Escrita poética e musical. Frases de encantar e arrepiar. As palavras de Peixoto são portentosas, cheias. Palavras prenhes de sentimentos , palavras com a doçura da amizade e túmidas de amor, palavras brutas de violência e cortantes de crueldade, palavras húmidas de lágrimas e torcidas de agonia, palavras vazias de esperança e plenas de sofrimento, palavras que nos invadem, soterram e asfixiam.
Os dois últimos capítulos foram de um horror inacreditável, mas simultaneamente de uma beleza extrema.
Quando acabei apeteceu-me gritar.
Profile Image for Nelson Zagalo.
Author 15 books466 followers
August 26, 2015
"Uma Casa na Escuridão" é mais um trabalho académico de Peixoto em que claramente experimenta com a arte literária e procura dar forma a novas ideias, novos mundos, novas configurações do sentimento na forma de texto. Mas se o consegue fazer, e bem, fá-lo à custa do sacrifício do leitor. Nesse sentido parece-me que este livro teria muito mais a ganhar se versado na forma de poema, a metáfora e a forma serviriam bem melhor a expressão do sentir do autor. Ao tentar verter tudo isto para um romance, criou uma obra dantesca que nos repugna e afasta.

Todo o trabalho opera numa base mágico-realista com fundo fantástico de horror. O universo vai sendo criado por meio de uma prosa poetisada que choca com a violência do horror e assim contribui, a momentos, para nos atirar para uma atmosfera pesada e profundamente surrealista.
Profile Image for Pedro Caetano Carvalho.
Author 2 books69 followers
February 10, 2016
Este livro é o livro mais macabro e cruel que li, e deve ser o livro mais macabro e cruel que alguém já escreveu, no entanto, a crueldade, a crueza e a maldade fazem deste romance um livro especial. O escritor, José Luís Peixoto, conseguiu a minha curiosidade para os seus outros romances, também muito aplaudidos.
Se este livro é tão bom, porque lhe dei eu só quatro estrelas? Pelo sofrimento todo que o autor me causou! Apesar de ser um livro bom, todos aqueles momentos em que o meu coração apertava foram sufocantes - menos uma estrela, portanto. ;)
Atrevam-se e leiam, merece.


5 SETEMBRO
Ok, este livro merece as 5 estrelas, desculpem.
Profile Image for Carolina Paiva.
Author 3 books112 followers
November 18, 2016
Estou sem palavras ainda...não foi nada do que estava à espera. Começou bem e depois não me conseguiu cativar um único momento. Estou muito desiludida com o livro. Amanhã opinião no blog Holly Reader - hollyreader.blogspot.sapo.pt
Profile Image for Héctor Genta.
401 reviews87 followers
April 5, 2020
L'amore è la solitudine, l'amore è tutto ciò che esiste.

Romanzo cardine di uno degli autori più importanti della "generazione del '90" portoghese, Una casa nel buio è un'opera sorprendente che pone Peixoto in diretta continuità con Saramago e Lobo Antunes, giganti dei quali mostra di aver compreso e rielaborato in maniera personale la lezione.
Una storia sospesa in uno spazio senza tempo abitato da personaggi improbabili: un ragazzo che scrive, la madre che vive incurante di quello che succede intorno a lei, la schiava Miriam, il principe di Calicatri che conosce ogni cosa e il signor violinista. A questi, dopo la comparsa sulla scena di misteriosi e crudeli invasioni, si aggiungeranno il visconte di Dedodida e nessuno, un uomo mutilato di occhi, orecchie, naso e lingua.
Realismo magico, forse, ma temo che ogni classificazione possa risultare riduttiva per un romanzo così ricco di metafore, allegorie e simboli che possono portare il lettore in mille direzioni diverse. Penso al siliquastro, l'albero di Giuda sotto al quale il ragazzo sognava da piccolo, la stessa pianta alla quale si impiccò il bisnonno del protagonista e sotto la quale nacque il nonno. Penso al pozzo e alla statua che sono nel giardino della casa dove è ambientata la scena, alla moltitudine di gatti che ne riempiono le stanze, alla montagna che si staglia sullo sfondo…
Una casa nel buio è un'opera originale anche dal punto di vista stilistico, caratterizzata da una scrittura definita "scarna e barocca", con frasi brevi ma ricche di enfatizzazioni e soprattutto reiterazioni che danno alla prosa un ritmo quasi ipnotico, nel tentativo di costruire una lingua personale come se quella classica non avesse tutti gli strumenti necessari per permettere all'autore di trasferire al lettore quello che ha dentro (come spesso succede quando gli scrittori provano a far veicolare alla parola sentimenti ed emozioni).
Sentimenti, emozioni ed anche illusioni. Come l'amore del ragazzo per una donna che vive dentro di lui, o quello della madre per la musica e quello del principe di Calicatri per la conoscenza. Sentimenti spazzati via dall'ingresso sulla scena di una violenza la cui forza risulta amplificata da una narrazione che in questo caso privilegia il registro cronachistico, limitandosi ad una descrizione essenziale priva della minima partecipazione emotiva da parte dei personaggi, quasi a sottolinearne l'inevitabilità. La successiva epidemia di peste che scoppierà nel paese servirà poi a ribadire che tutto ciò che desideriamo è impossibile, recidendo anche i germogli di umanità che timidamente stavano sbocciando tra i figli degli invasori.
Come Questa terra ora crudele anche Una casa nel buio è un'opera delicata e crudele, ma anche poetica, visionaria, surreale ed oscura, un cannocchiale e insieme un microscopio che Peixoto punta sul mondo e sui suoi abitanti. È una riflessione sulla scrittura, sull'uomo e sulla società ma anche sul tempo che trasforma ogni cosa e soprattutto (questa mi sembra la vera cifra della poetica dello scrittore di Galveias) sull'amore e sulla felicità e contemporaneamente sulla solitudine e sul dolore nel tentativo, tutto letterario, di riuscire a conciliare gli opposti.
Profile Image for João Roque.
342 reviews18 followers
October 3, 2014
José Luís Peixoto é um autor difícil, muito hermético e com o qual eu tenho uma relação de leitor/escritor nada fácil.
Ainda não li um livro dele que me "enchesse as medidas"; este esteve lá perto, pois devo reconhecer que é belíssima a forma como JLP manuseia as palavras, conquistando-nos nesse aspecto plenamente.
Mas esta história é de um realismo tão depressivo, é tão, tão crú que custa a ler e aceito perfeitamente que muita gente não o suporte e o abandone a meio.
Eu vou sempre até ao fim e aqui fiz muito bem, pois tinha a curiosidade mórbida de saber como Peixoto remataria a sua história.
Não recomendável de todo a espíritos menos fortes...
Profile Image for Ricardo Lourenço.
Author 4 books34 followers
July 28, 2010
José Luís começou a escrever Uma Casa na Escuridão em 2001, denotando-se uma forte influência dos atentados terroristas de 11 de Setembro do mesmo ano, assim como do consequente clima de guerra no Iraque, algo que o monótono ambiente em que a narrativa se inicia não torna visível, pelo menos temporariamente. É nesta aparente calma que o escritor, personagem principal, vê nascer dentro de si uma mulher que para sempre irá amar. Uma mulher que não só preenche a sua vida como se torna o tema central da sua escrita. O único tema da sua escrita.
“A noite desceu na janela. A minha mão direita começou a tremer. Sentei-me à escrivaninha, segurei a esferográfica e escrevi o seu rosto, a beleza magnífica. E estávamos mais próximos do que se fôssemos duas pessoas ao lado uma da outra, porque ela estava dentro de mim e eu estava dentro dela dentro de mim.”
Assim, Uma Casa na Escuridão é, essencialmente um romance intermitente, ora nos brindando com breves mas sublimes momentos, ora apresentando um sofrimento, uma dor capaz de eclipsar qualquer instante de felicidade.
A passagem do tempo é peça chave na atmosfera criada, evidenciando a fugacidade dos já referidos momentos de felicidade e fortalecendo a dimensão do sofrimento que é descrito ao longo da obra.
“O tempo passa depressa quando queremos sentir cada instante. O tempo passa lentamente quando se espera. O tempo passa ainda mais lentamente quando já não se espera nada, quando já não há nada a esperar.”
Outra característica presente ao longo não só deste livro, mas também da obra de José Luís, é a ausência de nomes próprios, algo comum dentro do realismo mágico em que este romance se insere, permitindo uma abrangência, uma universalidade que de outra forma não poderia ser atingida.
Para além da noção do tempo e da ausência de nomes, Peixoto recorre por diversas vezes à repetição de palavras de modo a enfatizar as sensações ilustradas ao longo do romance. Tal ferramenta contribui, de facto, para nos fazer sentir com maior intensidade, apesar de o seu uso ser um pouco excessivo, o que por vezes acaba por afastar alguns leitores, especialmente aqueles que têm contacto com o estilo de José Luís pela primeira vez.
“O medo existe dentro do terror, muito perto do terror, como os homens existem muito perto de perder tudo. O medo, muito perto do terror, é um silêncio de homens e de mulheres que existe no momento em que todos, homens e mulheres, percebem que existem muito perto de perder tudo.”
Apesar do medo, do sofrimento, da mágoa, da infelicidade, tal como em Nenhum Olhar, este romance, no fundo, trata de esperança, demonstrando que mesmo na escuridão mais cerrada existe sempre uma luz capaz de a rasgar, e que mesmo que essa luz venha, inevitavelmente, a perecer para a escuridão, a memória da felicidade permanece para sempre gravada nos nossos corações, imune ao negrume que nos envolve.
“Não se deve ter vergonha de se ser feliz por momentos. Não se deve ter vergonha da memória de se ser feliz por momentos.”
Profile Image for Tita.
2,201 reviews233 followers
March 10, 2019
Parti com algumas expectativas para este livro pois a Elisa tinha comentado comigo que era um livro que gostava de ler.

O início prometia uma leitura relacionada com livros, num ambiente algo misterioso, pois o nosso narrador é um escritor, num mundo que um mês por ano, é mergulhado na escuridão. Ainda no início, o narrador começa a escrever sobre uma mulher que vê quando fecha os olhos. Também no início, percebemos que os editores não são vistos com bons olhos.

E, apesar deste cenário um pouco mais estranho, até estava a gostar, no entanto, após este mês de escuridão, o tom da narrativa muda, e somos confrontados com uma história com um registo muito negro e cheio de violência, quase que gratuita. Temos tantas e tantas cenas com mortes e mutilações que me senti incomodada e, confesso, fui saltando partes.

Cheguei ao fim, sem perceber qual foi a intenção do autor e, realmente, não gostei nada da história.
Profile Image for Estêvão C..
3 reviews1 follower
February 7, 2025
Cada página lida, foi uma página a mais daquilo que eu realmente deveria ter lido.

Um livro que não nos leva para lado nenhum que seja melhor do que o sítio onde nós estamos, uma história sem sentido que nos afoga na desgraça daquele que eu não conheço nem sei o nome, que não nos faz melhores nem mais crescidos, que nem sequer é arte por si só.

Acabei, e não faço tensões de voltar a encontrar este livro.

A escrita, apesar de repetitiva e dispensável mais de metade das vezes, é bonita, por isso e apenas por isso dou as duas estrelas, por respeito pela beleza da escrita.

Profile Image for Sofia Teixeira.
608 reviews132 followers
October 19, 2015
Este foi o primeiro livro que li de José Luís Peixoto e foi quase sem querer. Estava na casa do meu afilhado e ao passar pela sua estante deparei-me com Uma Casa na Escuridão, entre outros, mas um qualquer impulso fez-me pegar nele e pedi-o emprestado. Isto numa altura em que tinha imensos livros da rentrée literária que queria ler... Ainda assim, acredito que cada obra literária tem o seu timing, que existem livros que querem ser lidos em certas alturas e não quando nós queremos. Gosto quando são os livros que me chamam, que me convocam, e não o contrário. Por isso não resisti. Terminei a leitura que tinha em mãos naquela altura e comecei este. Não sabia ao que ia e acho que ainda não sei explicar bem em que estado fiquei quando terminei.

Estamos perante uma obra que poderia ser dividida em duas ou três partes. Duas se formos mais genéricos - uma belíssima e sonhadora, outra terrível e arrebatadora. Ao longo da leitura fui deixando alguns excertos no blogue, mas dificilmente alguma fará jus à oscilação entre o deslumbre e o horror que se fez sentir do início ao fim. Nunca irei esquecer a sensação que foi acabar de sublinhar um excerto por achá-lo tão bonito e na página seguinte (mais coisa menos coisa) ficar quase fisicamente mal disposta com o cenário violento que se desenrolou. Foi frustrante, muito frustrante, ser uma espectadora inerte perante tudo o que se desenrolava na minha mente enquanto lia.

É um livro que tem tanto de humano como de pérfido, na dormência que se faz notar quando a desesperança e o desespero se instalam. Existe um surrealismo patente na escrita de José Luís Peixoto, uma estética que coloca em causa os limites daquilo que é real e possível dentro da sua história. Muito resumidamente imaginem um escritor que um dia tem uma visão de uma bela mulher e a forma de comunicar com ela é escrevendo. Ele vive intensamente aquela paixão, escrevendo fervorosamente, ao mesmo tempo que vamos sabendo mais sobre a sua família. O seu pai está morto, a sua mãe apenas respira, já desistiu de qualquer outra forma de vida, mas pequenas coisas começam a mudar depois de a sua mãe descobrir a música e do seu melhor amigo de infância voltarem. Temos aqui o pico de êxtase de que as coisas até estão bem, para logo a seguir a casa ser invadida por uma série de soldados e todas as pessoas presentes ficarem mutiladas. Mutiladas, mas vivas, porque o sofrimento é algo que só é sentido verdadeiramente quando prolongado.

Uma Casa na Escuridão representa a mortandade interior, a solidão, o sofrimento e até uma certa apatia. Ainda assim não quero que pensem que é um livro totalmente negro, não. Existe uma beleza muito profunda e perturbadora em boa parte das páginas que exploramos sofregamente. Tinham-me dito que provavelmente este não era o melhor livro do autor para uma primeira vez, mas talvez tenha sido melhor assim porque quero ler mais. Recomendo, mas com a cautela das emoções fortes e da violência breve, mas atroz, que algumas passagens contêm.

Citações:
http://www.branmorrighan.com/2015/10/...
http://www.branmorrighan.com/2015/10/...
http://www.branmorrighan.com/2015/10/...
http://www.branmorrighan.com/2015/10/...
Profile Image for Luis Jordao.
49 reviews10 followers
February 8, 2024
O que foi isto ?

Um romance gótico ? Um ensaio sobre o limite do sofrimento humano ?

Uma dissertação sobre aquela frase que costumamos dizer sobre as mais variadas coisas “quando pensas que chegaste ao fundo do mais fundo dos poços, escavas e afinal ainda há mais debaixo daquele lodo. E mais e mais e ainda mais.”

Lembrei-me da imagem do inferno de Dante e dos seus níveis.

Tudo envolvido num simbolismo do qual muito me escapou.
Há autoestradas onde há carros que se dirigem às cidades, mas simultaneamente há escravas e invasores bárbaros vestidos de ferro.
Os personagens não têm nome exceto as escravas. Os seus nomes (Maria? ) Madalena e Miriam (de Magdala?) nada têm de casual.
E os gatos ? Sempre os gatos.
Tudo é negro, tudo é sofrimento, o mal está em todo o lado e a toda a hora e vai aumentado de capítulo em capitulo como se ainda tal fosse possível.

As pequenas chispas de luz que vão surgindo aqui e ali parecem apenas ser o combustível para que a escuridão se volte a adensar ainda mais.

São fulgores momentâneos que acabam por ser expressões de amor, de amizade, de compaixão, mas que duram o tempo de um fósforo.

Lembro-me de pouquíssimos livros tão sombrios, tão tristes, tão cruéis como este.

Tenho a curiosidade de saber por onde vagueará a mente de um escritor enquanto trabalha em algo assim …

Então e acabaste? Deve ter sido um suplicio ?

Vou ser sincero, o livro não é o mais fácil de ler devido à forma como está escrito. Assemelha-se a um poema em escrita corrida e como qualquer poema tem a sua musicalidade. Por vezes tinha que voltar atrás, não por me ter perdido, mas para ler aquele excerto de seguida.

Quanto ao conteúdo pode soar um bocado psicopata da minha parte depois de tudo o que escrevi acima, mas não tenho a menor dúvida que é um dos melhores livros que li até hoje.

A beleza da escrita.

O modo como as emoções nos são atiradas sem qualquer tipo de rodeio são sublimes.
Toda a representação simbólica que há ali e que não captei dá-me vontade de o reler.
O editor, a tradutora, as crianças, o poço … tanta coisa que gostava de perceber !
Ou então não, nem tudo tem que ter explicação.

A contracapa fala numa “magistral alegoria do fim de uma civilização que é, sem dúvida, a nossa, ou uma denúncia, violenta na sua doçura, da barbárie que nos submerge sem que nos demos verdadeiramente conta.”

Eu que sou infinitamente menos erudito li como uma mensagem para usufruirmos ao máximo e guardarmos na memória aqueles momentos da vida que consideramos bons, por muito fugazes e esporádicos que eles sejam.

É o mais perto daquilo que no fim poderemos chamar de felicidade.
Profile Image for Beto.
105 reviews25 followers
September 17, 2012
Para mim, ler este livro e este escritor, são sempre uma “dificuldade prazerosa”. Necessito de um tempo oportuno, ao qual consiga dedicar-me, aguentando o que sei que a leitura será e me trará. É especial o José Luís Peixoto. Como o próprio refere numa das suas personagens: fiquei exausto com a leitura deste livro. Uma Casa na Escuridão, com detalhes ensaísticos e poético e filosóficos profundos, é especial. Não é uma compra ou um roubo ao escritor, é uma partilha connosco, leitores, é nosso também, pois, caso contrário, seria cruel guardar em si tanta arte, saber e prazer.

Um livro que apresenta impressões e entendimentos do José Luís Peixoto sobre a vida, com foco no Amor, contemplando de forma belíssima as suas várias faces. Como é dado a entender no livro, é pelo e para o Amor que o José Luís Peixoto escreve. As descrições, exemplos e conceitos apresentados expõem o que ele, enquanto pessoa, não só escritor, sente e pensa, deseja. É tudo tão natural. Durante a leitura senti o autor espelhado em cada página, em cada frase, em cada capítulo, com a intenção de dialogar (in)directamente com cada leitor. Sim, com cada leitor porque cada pessoa assume entendimentos sobre o livro diferentes, partilhados (in)directamente com o escritor.

Em vários momentos o José Luís Peixoto refere-se à sua escrita, ao seu valor e papel enquanto escritor, autor de uma obra. Ele fala connosco, leitores. Parece demonstrar o que gostaria de sentir por parte dos seus leitores: exaustão e que acreditem nas suas palavras, que os seus livros tenham impacto nas pessoas. Parece demonstrar a vontade, como desejado por qualquer escritor, de que a sua obra fosse grandiosa, mudasse vidas, pudesse ser imoral mas verdadeira.

Este é um livro muito sensível e intimista, que comove pela sua escrita serena mas explosiva, reticente mas exploradora, complexa e pormenorizada mas simples, triste mas alegre, real mas fantástica…

É, certamente, algo a ler.
Profile Image for Ana .
34 reviews28 followers
February 25, 2012
Já iniciei e apaguei esta review várias vezes. Este não é um livro fácil. Não é fácil de descrever. Não é fácil de ler. Não é fácil de avaliar. De uma forma algo estranha, senti ao ler as páginas deste livro, aquilo que sinto sempre que vejo um filme de David Lynch, mais importante do que o que estamos a ler/ver é o que sentimos e a forma como sentimos, como se os nossos próprios sentimentos e a história pessoal de cada um de nós completassem os espaços em branco.

É o primeiro romance que leio deste autor, sempre gostei das suas crónicas em várias publicações, mas ainda não tinha apostado em nenhum dos seus livros. Este é um livro sobre escuridão. Sobre o frio, a morte, o desamor, a desilusão. E também sobre esperança. Uma história que poderá ser interpretada de diversas maneiras. Facilmente cada um poderá fazer a sua interpretação e todos estaremos certos na nossa análise. Para mim, é uma história sobre a solidão, a tristeza e o medo de não sabermos viver se subitamente nos roubarem os nossos sonhos. É um livro sobre o tempo e a forma como este altera as nossas realidades e nos condiciona. É um livro sobre a morte, seja pela espada, pela peste, pela solidão, pela tristeza. Mas é também um livro sobre esperança. Sobre a forma como os nossos sentimentos prevalecem mesmo que a dada altura mais não sejam do que pálidas memórias. São as recordações de pequenos vislumbres de felicidade que ainda vivem em nós, que nos ajudam a caminhar por entre a escuridão e a insistir em sobreviver mesmo quando tudo parece perdido. Mais do que recomendado! :)
Profile Image for Sonia Gomes.
342 reviews117 followers
June 7, 2020
When Peixoto read excerpts from his writing at a seminar, I just loved his writing, flawless.

His descriptions brought the entire book alive, you could feel the situation as though you were there in person.

Casa na Escuridão did nothing for me.

It was like being submerged in a swamp, not unpleasant but just no movement, stagnant. I tried. I really tried reading it, but...

And as I say so little time and so many good books to read. Cannot afford to waste time on a terrible book.
Profile Image for Sónia Carvalho.
196 reviews17 followers
January 24, 2021
Demasiado negro, tudo o que de mau pode acontecer na vida de alguém concentrado em 253 páginas. Não consigo abstrair-me da história para dar uma classificação diferente. Não é definitivamente o meu estilo de livro.
Profile Image for Tânia Dias.
166 reviews13 followers
September 19, 2024
Este livro escolheu-me e, mais uma vez, tenho a prova que é por livros como este que me tornei leitora. José Luís Peixoto é o meu escritor preferido e nada do que eu escreva acerca dele será suficiente para enaltecer todo o seu talento.
Tenho o coração destroçado, vivi esta história com toda a minha alma e nunca me vou conseguir desligar da intensidade destas páginas. 🖤
Profile Image for Marta.
256 reviews20 followers
August 9, 2021
De uma tristeza que nos agarra mas que custa a digerir. Das coisas mais poderosas que li.
Profile Image for Diana.
223 reviews98 followers
December 28, 2018
Me tardé más de lo previsto en leer este libro. Los primeros dos apartados son ágiles; inmiscuyen al lector en un mundo que funciona de forma muy peculiar. La sensación de extrañamiento y oscuridad va en aumento y, hacia el tercer apartado, todo es oscuridad y hermetismo. El lector sólo puede posar la mirada en aquello que el narrador (que está sumergido en su propia oscuridad) logra narrar, por lo que sólo es posible percibir algo de lo poco que el propio protagonista percibe. La historia es terriblemente triste, trágica, lo que contribuye —junto con el estilo lírico de la narrativa— a dificultar la lectura. Peixoto no ofrece atajos; es labor del lector ir recuperando el sentido (más o menos lógico, más o menos alegórico, más o menos unívoco) durante la lectura.

Me gustó mucho (me hizo pensar en Beckett, en el flujo de conciencia, en Mia Couto y hasta en Fernando Caeiro —bueno, no he leído a Faulkner lo suficiente—), pero también me pareció agotador. Terminé de leerlo y de inmediato pensé en releerlo en busca del simbolismo de ciertos elementos desde etapas tempranas de la novela (el pozo, la montaña, la estatua...), pero honestamente no sé si me sometería a una nueva sesión de tragedia, sangre, soledad, peste y muerte.
Profile Image for Sara.
614 reviews67 followers
September 25, 2016
É tão difícil falar deste livro. Não há sinopse que o possa definir. É uma história que é feita pelo que o leitor consegue tirar dela, porque há uma imensidão de coisas que podemos tirar dela e nem é preciso chegar ao fim.

A capa desta edição transmite muito daquilo que este livro quer transmitir e não podia deixar de falar nisso pois foi uma coisa de que me apercebi à medida que ia lendo e que achei importante. A tristeza, o vazio, a passagem do tempo e a calmaria com que tudo nos é contado está presente nesta capa.

José Luís Peixoto é uma escritor único e que para mim cada vez mais caminha para ser um potencial Nobel. É um tipo de escritor que não irá agradar a todos. É preciso o momento certo, a disposição certa. É preciso ler com bons olhos para se poder retirar todo o sumo que ele nos quer transmitir, porque até nas pequenas coisas, nos pormenores, se retira algo. É o tipo de escritor que sempre que alguém o lê, se enriquece.

É um livro que deve ser relido várias vezes ao longo da vida, dependendo o que se retira do momento que se vive.

Leiam.
Profile Image for Filipa.
17 reviews1 follower
May 28, 2015
Gosto bastante do autor, José Luís Peixoto, e até meio deste livro deliciei-me com a escrita e a poética do seu texto. Mas a verdade é que nao consegui sequer acabar de ler tal foi a brutalidade e "delírio" em que a narrativa entrou que não consegui avançar por mais que me tenha forçado a isso. Uma desilusão enorme pois na verdade inicialmente prometia ser um livro e tanto...

Não consegui dar uma estrela porque de facto não está mal escrito mas não gostei mesmo nada deste livro com muita pena minha. Não estava claramente no comprimento de onda que este livro exige...

Valeu por algumas citações belissimas sobre o amor e a felicidade se que conseguiram ainda assim destacar no meio do rodilho de caos e horror.
Profile Image for Elisabete Teixeira.
96 reviews7 followers
September 1, 2013
Dos livros que li de José Luís Peixoto este foi o que menos gostei. É uma história plena de sofrimento, de dor e de morte, praticamente do princípio ao fim. Para concluir que o amor é impossível? Talvez seja uma interpretação redutora que faço, mas não percebo a necessidade de tanta violência gratuita.
Não aconselho a pessoas sensíveis e a quem não queira ler contextos de alguma morbidez.
Profile Image for Alexandra  Rodrigues.
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September 17, 2017
Constante montanha-russa de sentimentos. Escrita dura, repleta de dor, sombra, infortúnios...não foi do que mais gostei de Peixoto (confesso até que me forcei a terminar a leitura) e encerra, talvez, uma fase de sua leitora (até porque os últimos livros não me cativaram, pelos temas).
Existem momentos em que o tema de um livro nos complementa e, outros há, em que nos é distante. Foi apenas esse o caso.
Não ficando, no entanto, indiferente, transcrevo algumas das palavras que ressoaram em mim:

"O amor é o sangue do sol dentro do sol. A inocência repetida mil vezes na vontade sincera de desejar que o céu compreenda. Levantam-se tempestades frágeis e delicadas na respiração vegetal do amor. Como uma planta a crescer da terra. O amor é a luz do sol a beber a voz doce dessa planta. (...) O amor é o sentido de todas as palavras impossíveis. Atravessar o interior de uma montanha. Correr pelas horas originais do mundo. O amor é a paz fresca e a combustão de um incêndio dentro, dentro, dentro, dentro, dentro dos dias. Em cada instante de manhã, o céu a deslizar como um rio. À tarde, o sol como uma certeza. O amor é feito da claridade e da seiva das rochas. O amor é feito de mar, de ondas na distância do oceano e de areia eterna. O amor é feito de tantas coisas opostas e verdadeiras.

(...) nesse momento (...) soubemos mesmo que éramos duas pessoas a ser a mesma pessoa.

Ser feliz por momentos é algo de que não se deve ter vergonha. Momentos que o fim torna ridículos. A felicidade, como o amor, é um sentimento ridículo. Mas a felicidade, como o amor, só é ridícula quando vista de fora. A felicidade (...) só é ridícula antes ou depois de si própria. A felicidade são momentos que, no seu presente fugaz, são mais fortes do que todas as sombras, todos os lugares frios, todos os arrependimentos."
Profile Image for renato veiga.
23 reviews
February 26, 2024
“Eu nunca mais poderia ter um momento de felicidade. Finalmente, sabia que nunca mais poderia ter um momento de felicidade.”

O horror e a aceitação trágica do horror.
A morte e a aceitação complacente da morte.
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