Se não quiserem ler a minha revisão na íntegra avancem para o último parágrafo da mesma que, sendo um excerto da obra, traduz todas as minhas intenções. Estou a brincar, mas falando a sério... 😄 Este é um livro que na sua matéria narrativa denuncia e mantém viva a luta do povo africano da República dos Camarões numa situação histórica concreta mas que, contudo, se mantém muito atual se pensarmos em vários países da África atual.
Um livro em que o autor, Mongo Beti, procurou promover a libertação e o encorajamento revolucionário que, na minha opinião, sem grandes rasgos narrativos e literários, contextualiza a situação político-social da República dos Camarões e vai apresentando algumas ideias interessantes de reflexão acerca do colonialismo, da máquina que representa e dos efeito da opressão nos oprimidos.
Não se trata de uma leitura cativante, mas realça-se na sua atitude progressista para quem se interessa por causas desta ordem - certamente, José Saramago não terá feito a sua tradução para esta edição por acaso ou por imposição de terceiros!
"Não tenham pressa, façam cuidadosamente as coisas, não se preocupem com prazos, o tempo, para nós, não conta. A África está agrilhoada, por assim dizer, desde a eternidade, a todo o tempo é tempo de a libertarmos. O nosso combate será demorado, muito demorado." (pp. 283)