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Nobel

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Jacques Fux cria um irreverente discurso de aceitação do Prêmio Nobel de Literatura Em seu novo romance, o mineiro Jacques Fux realiza o sonho de todo escritor: ser laureado com um Nobel de Literatura. Com uma escrita divertida, Jacques narra o discurso de aceitação do prêmio, enquanto e destila toda sua inveja sobre antigos laureados. Com muitas referências e comentários perspicazes, Jacques Fux se delicia com o momento e reflete a história de uma das maiores premiações existentes no meio literário.

128 pages, Paperback

Published April 5, 2018

21 people want to read

About the author

Jacques Fux

23 books9 followers
Jacques Fux é graduado em matemática e mestre em ciência da computação pela UFMG, doutor e pós-doutor em literatura pela UFMG, pela Universidade de Lille 3 (França) e pela Unicamp, além de pesquisador visitante na Universidade de Harvard. Sua tese de doutorado, versão do livro Literatura e Matemática: Jorge Luis Borges, Georges Perec e o OULIPO (Perspectiva, 2016), recebeu em 2011 o Prêmio CAPES de melhor tese de Letras e Linguística do Brasil e foi finalista do Prêmio APCA de 2016. Antiterapias (Scriptum, 2012), seu romance de estreia, venceu o Prêmio São Paulo de Literatura 2013 e o manuscrito de Brochadas: confissões sexuais de um jovem escritor (Rocco, 2015), recebeu Menção Honrosa no Prêmio Cidade de Belo Horizonte. Foi finalista do Prêmio Barco a Vapor 2016. Publicou ainda Meshugá: um romance sobre a loucura, que saiu pela prestigiosa Editora José Olympio, e recebeu o Prêmio Manaus de Literatura 2016, e Nobel (José Olympio, 2018) em que realiza o sonho de todo escritor: ser laureado com um Nobel de Literatura.

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Displaying 1 - 6 of 6 reviews
Profile Image for João Reis.
Author 108 books618 followers
May 8, 2022
Apesar de marcado por um caráter transgressivo no que aos géneros literários diz respeito, Nobel, de Jacques Fux, é, em suma, um ensaio disfarçado de ficção. A tese de Fux é simples na sua conceção, mas as ligações que nos permite estabelecer são no mínimo abundantes.
Esta novela-ensaística tem, pois, como fundamento a tese de que toda a literatura genuína se alicerça em práticas e visões pouco éticas ou recomendáveis — na «sujeira», para utilizar o termo a que o autor recorre — e que, por conseguinte, os escritores, por mais adorados, consagrados ou canonizados que sejam, são sempre seres humanos contraditórios ou inclusive detestáveis.
No fundo, Fux pretende analisar a criação literária, e estabelecer uma relação entre o vigor literário de certos autores e as suas respetivas vidas, quase como que associando os sentimentos obscuros de determinados autores à sua pulsão narrativa. Para este fim, Fux apoia a sua narrativa num discurso efabulado, que ele próprio, narrador-autor-alter-ego, profere na Academia Sueca como primeiro escritor brasileiro laureado com o Prémio Nobel de Literatura. Neste discurso, o autor-narrador vasculha a mencionada «sujeira» de diversos autores — alguns vencedores do Nobel, outros não —, entre eles Kafka, Canetti, Sartre, Beauvoir, Saramago, Beckett, Vargas Llosa, Márquez, Coetzee, Walcott, etc.
Tal como o autor, intrometo-me subjetivamente nesta breve recensão com o intuito de frisar que abomino a corrente de crítica literária que avalia a obra de um autor conforme as suas circunstâncias de vida ou personalidade; ao arrepio dos ditames comerciais, capitalistas e da ditadura hipócrita dos bons costumes, creio que quanto menos se souber ou conhecer de um autor, melhor, e pouco me interessa se grandes autores foram ou não crápulas (em última instância, não leríamos ninguém, mas todos sabem que ao vender o autor e não a obra, o público acaba por comprar ou não comprar simpatias ou antipatias; essa, no entanto, é uma reflexão que não cabe aqui). Além de factos biográficos gerais, não me interessa, de todo, o material que habitualmente podemos categorizar como «coscuvilhice», e se é verdade que quase cai no mexerico e nas lengalengas sórdidas de quem dormiu com quem, Fux consegue elevar o seu texto misturando ensaio e ficção, análise e divagação, e assim discorrer sobre a associação entre o lado obscuro da existência do autor e a sua pulsão criativa. Fá-lo com algum humor (mais melancólico do que divertido), que em muito ajuda a obra, que também ganha em ter a dimensão de uma novela, e conquanto namore um pouco, sem qualquer necessidade, a perspetiva fácil de um certo empenhamento social tóxico, vulgo politicamente correto, Fux não cai em moralismos ocos.
Um livro muito interessante, que apesar de breve nos remete para uma série de possíveis cogitações sobre a arte e quem a cria, sem deixar de criticar, em tom jocoso e em diversas ocasiões, todo o sistema canónico e corrupto, que premeia mais depressa os lambe-botas, os amigos ou quem tem a posição política mais aconselhável do que os melhores escritores. Porque a função da literatura genuína deveria ser a de lutar contra as imposições do status quo e do cânone, ao invés de ser um gatinho peludo e branco que, no sofá, nos mia uma algaraviada de lugares-comuns pretensamente bondosos que ele próprio não entende.
A ler, sobretudo porque quem escreve ou se interessa pela criação artística.
Profile Image for Felipe Vieira.
787 reviews17 followers
July 25, 2022
Equivocados senhores, sou culpado. Minha digressão — a de degradar a vida dos autores por intermédio de suas obras — é condenável. Amaldiçoem-me, mas não retirem meu ouro.


Jacques Fux ganha o prêmio mais famoso e cobiçado da literatura mundial. Nobel é o seu discurso de agradecimento. Com um texto inundado de ironia e sarcasmo o autor fala sobre as escolhas da academia sueca. As escolhas que permeiam o machismo, o racismo, o tráfico de influência. Isso não fica a cargo somente dos votantes. Muitos dos autores premiados também carregam em sua bagagem um passado não tão agradável. Ao longo do extenso agradecimento o Fux se usa do caráter dos laureados para afirmar que, assim como ele, pessoas de caráter ruim podem construir obras magníficas com poder de influência significativo. Muito dos autores premiados eram pessoas detestáveis.

Além de uma grande crítica a tudo isso àquela velha questão: é possível separar o autor ou autora da obra? Eu, sinceramente, não sei. No entanto, é sempre possível questionar e discutir sobre seus ideais que, com certeza, perpetuam a obra que escrevem. Fux usa muito da liberdade criativa para aumentar as histórias dos autores e deixa isso claro. No entanto, muito do que li ali e fui conferir era verdade. Não posso me deixar de ter ficado extremamente surpreso. Pessoas ruins escrevem coisas incríveis e muitas vezes fica por isso mesmo.

É no desvio, nos atos indecorosos, nos recalques obscenos, sórdidos, sorrateiros que repousa o verdadeiro autor e as suas mais sensíveis e honestas palavras.


Fux, o personagem-escritor que não vale nada, começa o livro de forma arrebatadora. A escrita rebuscada e humor na medida certa me dominaram logo de cara. Entretanto, um pouco depois da metade ele perde fôlego e as críticas irônicas ficam menos profundas. Apesar de reconhecer isso eu já havia sido conquistado. Enfim, se você gosta de fofoca no meio literário esse livro é um prato cheio. Fica a recomendação.
Profile Image for Norberto Iazzetta.
47 reviews1 follower
October 27, 2024
Ainda q este mês eu tenha dedicado a maior parte da minha literatura de ficção pro terror e pra literatura vitoriana, ou ambas ao mesmo tempo, sobrou um espacinho pra está leitura bastante sui generis, inesperada e que não estava no roteiro, mas a vida fica menos colorida sem os temperos q nos apresentam...


Eu sou crítico da literatura brasileira contemporânea, acho q na média é bem sofrível, inclusive os "badalados", mas aqui nós temos um autor contemporâneo, relativamente jovem e já 5 ou 6 livros publicados e este livro em específico me chamou bastante a atenção por dois motivos: por ser curto, uma novela, assim não tomaria muito meu tempo das outras leituras do mês e principalmente pelo tema, o Nobel!


O romance ou novela é o discurso de agradecimento do prêmio Nobel q o autor escreveu como se ele tivesse ganho. Uma ideia simples e aparentemente divertida. Quando a gente mergulha na leitura é muito mais que isso. Jacques Fux afundou nas entranhas dos escritores laureados com o Nobel e outros que passaram perto, faz um apanhado das suas qualidades e muito das suas podridões. Ele demole a ideia de que o escritor q ganhou o Nobel ou esteve perto é uma entidade metafísica de altíssimo pedigree, conduta impecável, exemplo de ser humano. Porra nenhuma! A maioria já era bem podre antes do prêmio e até piorou depois.


E o autor faz tudo isso com graça, leveza, humor e muitas vezes se incluindo nas baixarias dos colegas laureados, como se ele também tivesse feito e, talvez, tivesse mesmo, porque este livro faz parte da literatura contemporânea e já contempla aquele gênero da autoficção. Não sabemos porque não conhecemos a vida pessoal do autor, mas perpassa pelo livro todos eventos, situações ou "micos" ou falhas de caráter q ele relata em algum escritor e também se inclui junto.


O autor também expõe o lado político e comercial da premiação, onde membros votantes tem relações comerciais com escritores (são tradutores e ganham muito dinheiro com a venda dos livros q o prêmio causa ao escritor vencedor). 


Algo que não tá explícito no livro, mas implicitamente está contido e se não estiver, fica como uma visão minha é o fato de que pra você se tornar um grande escritor - laureado ou não com este prêmio, pouco importa - você precisa conhecer a natureza humana, suas paixões, seus desejos, seus anseios, suas pulsões você precisa estar no meio das pessoas, se embrenhar com o povo, viver e assistir dramas humanos, este é o material das grandes obras de ficção de todos os tempos. Obviamente, além de viver e observar isso tudo na sociedade, o grande escritor precisa ter a capacidade de intelecção pra absorver isso tudo e ter o talento de acondicionar tudo isso, no todo ou em partes, em boas histórias q façam as pessoas quererem ler.


Se eu pudesse fazer uma crítica, eu diria que por ser um "discurso de agradecimento de Nobel" ficou um pouco longo demais. Quando passou da metade, começou a me cansar um pouco e pra mim perdeu o ritmo durante um tempo, mas retomou meu interesse já entrando no quarto final. 


Uma novela original, não conhecia nada q tivesse sido feita na literatura mundial, com muito humor, bem escrito, o autor domina (ou pesquisou bem) os fatos e escândalos em torno dos laureados pra poder narrar aqui, só elogios.


Uma deliciosa surpresa da literatura contemporânea brasileira. 


Vale um 8,5
Profile Image for Steph Mostav.
454 reviews28 followers
December 1, 2020
A premissa desse livro é bem interessante: um discurso sarcástico do primeiro brasileiro a receber o Nobel. O humor ácido até funciona durante as primeiras páginas, mas torna-se cada vez mais repetitivo e artificial. Aliás, um dos grandes problemas do texto é que ele soa extremamente pretensioso. O autor conhece um bocado a respeito de literatura e quer nos comprovar isso inserindo o máximo de alusões possíveis aos grandes escritores, mas isso é feito sem muito critério e com pouca profundidade. Muitas vezes o texto soa como uma crônica, em outras como um rabisco de ensaio em que falta muito conteúdo para que tenha realmente algo a acrescentar. A intenção do autor de se aproveitar da fama dos outros para construir sua própria narrativa intertextual seria mais eficiente se ele não nos contasse seu objetivo nesse monólogo prolixo e pedante. Além disso, Fux quer dotar o texto de um estilo que só combina forma e conteúdo porque ambos se sustentam sobre a pretensão de ser bem mais do que ele realmente alcança com o próprio talento. Até mesmo as discussões relevantes a respeito do machismo e racismo da academia se perdem em meio a tantas ofensas irônicas que soam apenas como mal gosto. Além disso, o final é risível de tão exagerado.
Profile Image for Luís Henrique Borba.
56 reviews1 follower
March 5, 2019
Usando palavras do próprio autor: "Verdade? Ficção? Impostura?". Todo esse discurso/ensaio de experiência íntima, de um duplo que todo escritor esconde (!), usa da gosma com que os escritores tecem sua obra.
"Escrever o que nunca vivi, o que nunca viverei"; mostrar que "a ficção não é o contrário da verdade" - eis a máscara com que os escritores se mostram, com que mostram aquilo que não são e que fazem crer serem.
O Romantismo difundiu a ideia de que apenas o sofrimento faz o artista, no caso o escritor, criar. Com uma linguagem firmemente cínica e lúcida, Jacques quer nos mostrar que somente a sujeira tem força criativa.
157 reviews
August 31, 2024
Não importa se é ficção, romance ou crônicas entrelaçadas. A ideia de um discurso feito por Jacques se tivesse sido laureado com um Nobel da Literatura é muito boa. Engraçado e fofoqueiro, vale a pena ler, apesar de no fim tornar-se num pouco cansativo. Valeu também para nos aproximar ou, ao contrário, nos distanciar de alguns autores. 3,5
This entire review has been hidden because of spoilers.
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