Composto de 15 micro-contos, que na verdade se assemelham mais a reflexões em forma de narrativa, e um conto longo, "O desconhecido de Rrechtovka".
Em comum, todos tratam da condição humana, por meio da reflexões da natureza, de acontecimentos vários, da vida de outros seres, etc. Quanto a esse último tema, tocou-me o micro-conto em que o narrador, ao atirar um tronco de olmo ao fogo, descobre que ali havia uma colônia de formigas em seu interior que saem em disparada, perecendo no fogo. Quando o narrador retira o tronco do fogo, as formigas procuram escapar, mas quando percebem que o tronco já não está em chamas, voltam, e mesmo assim morrem em razão da incandescência. Pensei nas guerras que nós, humanos fazemos uns contra os outros, e mesmo tendo ciência de seu absurdo, ainda assim matamos e morremos para justificar não nossa capacidade de razão, mas sim dos nossos instintos. Somos animais.
O longo conto, que toma mais da metade do livro, também fala da condição humana, daquilo que carregamos conosco ao denunciar alguém que nem ao menos temos noção de ser culpado ou não. No limite das guerras, sejam mundiais ou locais, uns contra os outros, somos tudo menos racionais. E devemos arcar com o peso de levar durante a vida o destino de alguém que pode ser inocente.