Um livro assombroso, insólito e de infinitos significados. Uma obra de arte do universo dos quadrinhos do Brasil. Num cenário que parece pertencer a outra realidade, duas criaturas caminham rumo a um lugar. Durante essa jornada, encontram outras criaturas, envolvidas em seus afazeres e dúvidas. Bianca Pinheiro e Greg Stella criaram um dos mais assombrosos quadrinhos brasileiros de hoje. Eles estão por aí é um convite para uma viagem insólita, sem rumo definido e nem regras claras.
Em Eles estão por aí o sentido pode não ser tão claro, já que o roteiro não nos entrega muita coisa, mas para alguns ele existe de uma forma intrinsecamente particular e individual.
Porém não importa se existe ou não um significado nesse quadrinho, essa é uma das historias onde não precisamos saber para onde ela vai nos levar, podemos apenas contemplar e desfrutar a trajetória. Numa viagem no qual não sabemos as motivações dos personagens, não sabemos o que eles são nem para onde eles vão mas conseguimos nos identificar e sentir o peso dos diálogos tal qual dos silêncios.
No fim das contas Bianca e Greg nos entregam uma HQ maravilhosa e diferente de quase tudo que você vai ler, com destaque não no destino mas numa viagem recheada de filosofia tendo personagens estranhamente cotidianos.
Eles estão por aí (2018) é uma obra conjunta de Bianca Pinheiro e Greg Stella. A grapic novel é povoada, em um estilo conciso e minimalista, por diversos personagens estranhos, inominados; sendo difícil que associemos diretamente suas formas físicas a outras conhecidas por nós neste mundo.
A narrativa é composta por vários núcleos. No principal, dois protagonistas empreendem uma jornada a um lugar desconhecido e encontram, pelo caminho quase desértico, diversos seres que guardam em seus gestos e ações muito do humano em nós. O uso da linguagem verbal é muito econômico, e os silêncios ganham força.
Pelo estilo adequado à proposta, com execução admirável; e pela sincera empatia que provoca, ainda que toque o non-sense, Eles estão por aí merece um lugar de muito destaque no quadrinho nacional alternativo.
Minha primeira reação foi: "que brisa!", rs. E que ótima brisa, é uma incrível e desorientadora história. Os recursos gráficos foram usados com maestria e achei linda a passagem do tempo, em especial. Também é curioso como as personagens são contextualizadas, seres tão desconhecidos e ao mesmo tempo com diálogos tão próximos. Toda essa desorientação me puxou, enquanto leitora, a um lugar de contemplação e não-julgamento. Adorei a experiência :)
O melhor do surrealismo existencialista que cê pode encontrar atualmente. Simples, muito engraçado, até poético, mas claro, filosófico sem ser pedante ou didático. Edição belíssima também.
Gostei muito. Comecei a ler perto da hora de dormir, o que pode ter ajudado na viagem rs fiquei tentando imaginar uma trilha sonora, mas só pensei no silêncio.
A frase título da História em Quadrinhos "Eles estão por aí" perpassa consciente ou inconscientemente por seres microbiológicos, que não sabem, mas acompanham, porque vivem, o crescimento vegetal de uma árvore. Ad infinitum, o desenho da artista brasileira coteja narrativas simultâneas de micro vidas dentro de outras micro/micro existências singulares. Náusea tragicômica de caminhos, diálogos, sonhos, afazeres e crenças. As personagens alienadas, assombradas ou atemorizadas pelas dúvidas do destino movimentam-se conforme seus limites físicos e culturais intransponíveis. Durante a iminência da morte no infinito, o enredo se desdobra à procura de algo, onde na falta de sentido, o nada paulatinamente ganha presença física. Por inflexões relacionadas à extinção humana, na metáfora existencialista de nossa relação predatória a pequenos ecossistemas vitais, permanecerão abertas as seguintes questões: Até quanto somos vítimas da extensão macrocósmica do universo? Até quando seremos vítimas de nossa própria autodestruição? Enquanto formos insignificantes ao intrespassável?
Este é um quadrinho bastante enigmático e que, como diz a sinopse, rompe muitas convenções do gênero. Será que poderia ser classificado com uma história em quadrinhos existencial? Como uma road trip lisérgica dos autores? Um laboratório em que Bianca Pinhero e Greg Stella desenvolveram experimentos narrativos? Uma ode à sordidez e a pequeneza da vida relacionada ao resto do universo? Certamente "Eles estão por aí" acaba deixando muito mais perguntas do que respostas. Mas é como Neil Gaiman uma vez falou "o sentido da leitura reside no mistério e não na explicação", Deixar o leitor com a pulga atrás da orelha é o que "Eles estão por aí" faz magistralmente bem.
Adoro as histórias da Bianca Pinheiro e foi por isso que eu fui atrás dessa HQ, mas ela é bem diferente de tudo que já tinha lido dela. É mais uma HQ filosófica, com traços estranhos (é para ser, faz todo sentido) e acho que a cada leitura vai te trazer sensações diferentes. 3,5!
Lombrei. É meio filosofia de botequim mas funciona, impacta, volta e meia emociona mesmo. Meio chocado que aparentemente ninguém leu esses personagens como sendo micróbios/bactérias (spoiler? kkk), achei bem óbvio.
É raro achar algo que te deixe tão perdido e com tantas dúvidas. Quando as respostas para as questões que ficam abertas... Eles de verdade não importam, a graça é acompanhar a viagem.
Tem partes muito interessantes aqui, mas no geral é um livro que não se comunicou comigo. Pelas primeiras páginas eu já entendi que a proposta é realmente ser algo muito controverso e extremamente aberto a interpretação, mas nada aqui me tocou ou me interessou a me aprofundar tanto. Fiquei pensando que talvez seja um livro interessante para guiar uma sessão de psicoterapia ou análise. Me senti consumindo uma versão do teste de Rorschach em HQ: "O que você vê aqui?", "O que você interpretou daqui?". Not my cop of tea.