Uma seleção com o melhor de um dos mais importantes poetas brasileiros de hoje. O mineiro Ricardo Aleixo é também um performer experimentado e mesmerizante. Na Flip de 2017 sua atuação na Tenda dos Autores teve a eletricidade de um show de rock. Sua obra, reunida aqui em seus momentos mais representativos, traz temas como o amor, os relacionamentos, a literatura, a cidade, o racismo, os antepassados e a própria poesia. Divididos em seis grandes seções, os poemas aqui compilados são a melhor porta de entrada para a obra de uma das grandes vozes líricas do Brasil.
(Belo Horizonte, 1960) Poeta, músico, produtor cultural, artista plástico e editor. Autodidata, atua em diversas áreas, sobretudo nas poéticas experimentais com a voz. Faz sua estréia na poesia em 1992, com o livro Festim. Em Belo Horizonte, é curador do Festival de Arte Negra - FAN, e coordena projetos como 30 Anos da Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, Tricentenário de Zumbi e a Bienal Internacional de Poesia. Faz curadoria de diversas exposições, como Sebastião Nunes: 30 Anos de Guerrilha Cultural e Estética de Provocaçam. Com Adyr Assumpção (1958) monta vários espetáculos multimeios como Jogo de Guerra - Malês, em 1990, Desconcerto Grosso - Poemas de Gregório de Matos, em 1996, e Canudos, Sertão da Bahia, 1897, em 1997. Edita a revista Roda - Arte e Cultura do Atlântico Negro, pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte. Seus poemas revelam forte afinidade com o movimento concretista e com a etnopoesia. Com visão crítica da realidade, Aleixo faz poesia social, mordaz, seca e irônica. Junta-se a isso seu trabalho de agitador cultural que leva a poesia à integração com outras formas de arte como o teatro, a música e a dança. [Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural]
Não conhecia Ricardo Aleixo até me deparar com seu livro, de nome forte — que sempre me captura — e uma capa esteticamente tão bonita, nas estantes de uma livraria qualquer da cidade. Não sabia nada sobre ele, mas o mantive em minha mente até o momento em que consegui comprá-lo — e, agora, fico feliz de tê-lo feito.
Já na introdução, levamos uma pedrada de Aleixo: "O desastre que é a experiência brasileira, do ponto de vista dos descendentes de africanos e dos pobres em geral, fez de boa parte desses poemas, a um só tempo, testemunhos e exercícios de resistência ativa, de celebração da vida não fascista e do poema como um estado do pensamento e possível respiração."
Pelo resto de suas páginas, o autor brinca com figuras concretistas, denuncia o racismo, faz retrato de figuras cotidianas que poderiam passar despercebidas e é irreverente como Leminski, além de, apresentar um ritmo próprio de linguagem que se torna mais natural quando imaginamos que ele as representa de forma teatral na vida real fora das páginas. Uma antologia que mostra todas as suas facetas e termina com 'Meu Negro', seu poema mais forte.
Ao ver a composição de sua história vemos que, não à toa, Aleixo é considerado um dos maiores poetas mineiros desde Carlos Drummond de Andrade. Aliás, para não sermos injustos, devemos dizer que o estado de Minas com a também incrível Ana Martins Marques está muitíssimo bem servido.
Leia os mineiros, leia 'Pesado Demais para a Ventania', leia poesia.
Gostei a variedade de estilos, temáticas, linguagens, propostas e técnicas que Ricardo Aleixo propõe. Sua versatilidade quase radical é sua maior força, e ele o sabe, por isso a explora sem medo e constantemente. Sem dúvida, Aleixo constitui uma das vozes mais interessantes de nossa literatura contemporânea, mostrando, primeiro, que o vanguardismo não está morto, apenas se reinventou, e, segundo, que é possível aliar esse passado estético ao presente ideológico.