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Burgueses somos nós todos ou ainda menos

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"Burgueses somos nós todos ou ainda menos" reúne 11 contos, revelando o "olhar subtil e irónico [de Mário de Carvalho] sobre a sociedade que o rodeia".

Traições e amantes, as crises económicas, mas não só, o envelhecimento, a viuvez e a ambição são temáticas abordadas nas histórias curtas destes burgueses "desenhados" por Mário de Carvalho, cuja obra completa tem estado a ser reeditada por esta editora.

Um marido recalcitrante ludibriado pela mulher defunta, um casal num jantar de amigos, um recém-viúvo percorrendo a lista das suas conquistas mais assíduas, dois homens de meia-idade rememorando no luxo das suas casas os tempos de jovens revolucionários, são alguns dos quadros narrativos apresentados por Mário de Carvalho.

110 pages, Paperback

Published April 1, 2018

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About the author

Mário de Carvalho

67 books182 followers
Mário de Carvalho nasceu em 1944, em Lisboa. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa em 1969. Desde jovem que se envolveu na luta antifascista, tendo estado preso ainda na década de 1960 e durante o serviço militar. A sua luta política leva-o ao exílio, primeiro para a França, depois para a Suécia, em 1973. Após o 25 de Abril regressa a Portugal. A sua estreia literária dá-se em 1981, tendo desde aí publicado regularmente numa grande diversidade de géneros: romance, drama, contos, guiões.

A sua escrita é extremamente versátil e torna-se impossível incluí-lo numa escola literária. A crítica considera-o um dos mais importantes ficcionistas da actualidade e a sua obra encontra-se traduzida em vários países (Inglaterra, França, Grécia, Bulgária, Espanha, etc.).

Recebeu diversos prémios, podendo-se destacar, na sua bibliografia, o romance histórico "Um Deus passeando pela brisa da tarde", que constitui o seu melhor sucesso de vendas e que mereceu a aclamação da crítica, tendo sido distinguido com o Grande Prémio da APE (romance) 1995, o Prémio Fernando Namora 1996 e Prémio Pégaso de Literatura do mesmo ano. Vencedor, em 2004, do Grande Prémio de Literatura ITF/DSTe, em 2009, do prémio Vergílio Ferreira.

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Community Reviews

5 stars
27 (16%)
4 stars
54 (32%)
3 stars
65 (38%)
2 stars
18 (10%)
1 star
3 (1%)
Displaying 1 - 17 of 17 reviews
Profile Image for Alice.
169 reviews
April 15, 2018
Acabado de chegar às livrarias. Nem li a contracapa. Bastou-me o nome do autor. Mais uma obra de arte. Várias, aliás, tratando-se este de um novo livro de contos.
Une-os a ironia desencantada do poema “Raio de Luz”de Mário Cesariny, cujos primeiros versos dão o título à coletânea:

Raio de Luz

Burgueses somos nós todos
ou ainda menos.
Burgueses somos nós todos
desde pequenos.

Burgueses somos nós todos
ó literatos.
Burgueses somos nós todos
ratos e gatos.

Burgueses somos nós todos
por nossas mãos.
Burgueses somos nós todos
que horror irmãos.

Burgueses somos nós todos
ou ainda menos.
Burgueses somos nós todos
desde pequenos.


Desencantadas, desleais, invejosas, cobiçosas e egoístas: burguesas-ou ainda menos- as personagens que se sucedem neste livro. Risíveis, ainda assim, nas suas vidinhas sabiamente desenhadas pelo autor. Um largo “raio de luz” sobre “nós todos”, a sua pena.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for José Carlos Gomes.
Author 1 book7 followers
April 25, 2018
Este conjunto de contos é um verdadeiro breviário da mesquinhez humana, denunciada pela pena ágil, atenta, irónica e bem humorada de Mário de Carvalho. Já que temos de assumir conscientemente os defeitos - em alguns casos, apenas os feitios, não dramatizemos - da espécie, ao menos que sejamos assim levados pela mão de um dos mais brilhantes narradores desta República burguesa.
Profile Image for Catarina C.
198 reviews30 followers
September 18, 2020
Um(a) leitor(a) anseia sempre conectar-se com a obra lida, e criar um laço indecifrável. O problema é que isso nem sempre acontece com os livros de contos. Não obstante, esta obra é especialmente ágil em convencer-nos do contrário - nomeadamente para leitoras como eu, que apreciam e degustam uma boa sátira social, adornada de duplicidade moral e história popular.

Este livro de contos é muito distinto dos que já tive a oportunidade de ler. Em primeiro lugar, porque é difícil enumerar os melhores, visto que a voz que os narra parece uníssona, fruto de uma só entidade. Há uma coerência brutal nesta figura do homem de meia-idade, branco, heterossexual e de classe média. Mas este homem, que em cada história é diferente, embora duplicado, é alguém sufocado pela vida, criando para si historietas paralelas costuradas a fim de apimentar o quotidiano macerado.

O título foi inspirado num poema de Mário Cesariny (1991) sobre ser burguês. O facto é que nada disto implica a aceitação dos valores culturais da burguesia. Ademais, o que é sequer ser burguês? Falamos de um ponto de vista liberal ou marxista?
Na verdade, tanto Cesariny como Mário de Carvalho embelezam o tema da ação cívica relacionada com a defesa da liberdade sexual, numa linha que passa pela tentativa de continuação de valores progressistas.

Destas histórias curtas, retiramos do trivial uma valente dose de humor, a lição de como saber rir-se de si próprio; o que se passa por detrás da porta do outro? Provavelmente muito drama e pouca ação - não muito mais do que na nossa.

São contos que abordam o flagelo da morte (pelo que fica e não se altera), da traição, e do isolamento face aos valores familiares e sociais, como pais e filhos desencontrados moralmente, e casamentos ardilosos. Admito que o vocabulário incontável caprichou a leitora mimada que sou.

Recomendo muito.
Profile Image for Madalena Silva.
50 reviews
July 21, 2025
Este não é, de todo, o meu estilo literário habitual, mas decidi experimentar este título por curiosidade, dado o reconhecimento do autor no panorama literário português.

Como é o primeiro livro que leio do autor, prefiro não emitir uma opinião demasiado aprofundada ou comparativa. Ainda assim, destaco duas citações que, na minha opinião, espelham bem o tom e a reflexão que atravessam toda a obra:

“Será o humano júbilo, de sua natureza, deceptivo?”

“A vida correra-lhe sempre à revelia das metas previstas, incumpridas por desleixo, cobardia, desinteresse, conformismo, fadiga, azar, soubesse ele lá.”

Uma leitura que convida à introspecção e à ironia, mesmo para quem (como eu) se encontra fora do seu registo habitual.
Profile Image for Filipa Machado.
240 reviews8 followers
April 25, 2020
Gostei da escrita do autor. Foi o primeiro livro que li dele. Mas não gostei dos temas dos contos, nem dos caminhos que estes percorreram. Talvez ler sobre seres humanos com comportamentos duvidosos durante um isolamento social não tenha sido a melhor opção.
Profile Image for Miguel.
Author 8 books38 followers
April 28, 2018
11 contos que põem a nu as públicas virtudes e os vícios privados de um certo estilo de vida burguês e contemporâneo. MdC é um mestre da narrativa e da linguagem. E o seu humor de uma ironia muito aguçada, faz da leitura um divertimento.
Profile Image for Hélio Carvalho.
32 reviews5 followers
January 26, 2022
Uma boa mistura de short stories sobre o envelhecimento, que sabem ainda melhor graças à escrita delicada e cuidada de Mário de Carvalho, um autor que consegue fazer as ações mais aborrecidas e mundanas ter um belo pano de fundo.
Profile Image for Raquel.
89 reviews
September 11, 2020
Além dos contos do funeral e da prostituta, achei que todos demoram a desenvolver e não vão a lado nenhum.
Profile Image for Graciosa Reis.
560 reviews54 followers
Read
April 14, 2023
“Burgueses somos nós todos ou ainda menos”, título retirado de um poema de Mário Cesariny (abaixo publicado), é um livro de onze narrativas curtas. Nestes contos o autor, através de uma escrita subtil e irónica, apresenta-nos “histórias de burgueses desencantados”, isto é, sobre a sociedade que o rodeia.

É sempre com prazer que abordo a prosa de Mário de Carvalho quer pela temática tratada de forma sublime quer pelo vocabulário variado e invulgar que me obriga a usar o dicionário para verificar o sentido das palavras usadas que tão bem se aplicam à descrição dos ambientes e das personagens narrados.
Raio de Luz

Burgueses somos nós todos
ou ainda menos.
Burgueses somos nós todos
desde pequenos.

Burgueses somos nós todos
ó literatos.
Burgueses somos nós todos
ratos e gatos.

Burgueses somos nós todos
por nossas mãos.
Burgueses somos nós todos
que horror irmãos.

Burgueses somos nós todos
ou ainda menos.
Burgueses somos nós todos
desde pequenos.

Mário Cesariny, «Nobilíssima Visão»
Profile Image for Matilde Garcias.
2 reviews
January 3, 2026
Não o considero um livro extraordinário, no entanto, cumpre o seu papel e revela-nos a sociedade que nos rodeia tão mesquinha e pobre de carácter. MdC domina o conto que tanto fala nas entrelinhas, diria não só o conto mas a palavra, esta tão lapidada quanto o possível.
137 reviews4 followers
June 25, 2018
São contos! Uns levam cinco estrelas, outros 4, outros 3, mas, um ou outro, menos!
No entanto, é sempre uma prosa deliciosa.
Profile Image for Salomé Neves.
54 reviews1 follower
August 4, 2022
Primeiro livro de MDC que li. Uma surpresa magnífica, daquelas que só o mundo literário nos consegue dar. Um humor perspicaz aliado a uma escrita incrível!
Profile Image for Carolina.
7 reviews
July 11, 2023
Que leitura divertida, como se fossem histórias contadas por um amigo
Profile Image for Diogo Castanheira.
27 reviews1 follower
August 21, 2023
Top muito engraçado, mas calculei mal a quantidade de páginas que faltava, o que me deixou metade da viagem de metro sem nada para ler...
Profile Image for Joaquim Margarido.
299 reviews40 followers
October 25, 2020
A um verso de Mário Cesariny foi Mário de Carvalho buscar o título deste livro, conjunto de onze contos onde se abrigam, sob o rotundo rótulo de “burgueses”, personagens para todos os gostos (ou talvez nem tanto). Narradas na primeira pessoa, cada uma destas pequenas histórias revela um olhar atento e profundamente cásutico sobre a sociedade actual, os tiques do novo-riquismo colocados a nu de forma crua, o luxo reduzido a lixo a cada volta da vida.

“Burgueses Somos Nós Todos Ou Ainda Menos” é o livro ideal para uma tarde de leitura. Nas suas pouco mais de cem páginas, oferece ao leitor um conjunto de imagens que se tocam subtilmente, formando assim um retrato duma certa “estirpe” onde o cinismo refoga em lume brando, o riso é alto e desempoeirado, a infidelidade é um lugar comum e a escola mais frequentada é a da indiscrição.

Mário de Carvalho faz-nos ver “as calvas, as brancas, os ventres, as rugas, as placas dentárias e o descaimento geral” de par com “movimentos, gestos, sorrisos, frases, imagens e um quotidiano ameno e sem história”. Nos salões há “soldados de Napoleão argilosos, pombinhos de mármore a beber na fonte, rodelas chinesas em caretas de monstro, (...) canecas alemãs e moinhos de vento”, enquanto as casas de banho têm “cores feminis, rosas e roxos, traços langorosos, ondeantes e instáveis que agridem, ameaçam, desfeiam e, em não lacerando a pele, ferem a vista”. Por todo o lado há bancos falidos, sinistros corvos pairando sobre as heranças, hospitais e cemitérios, putas e hotéis. Vale a pena ler!
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