Este livro revela um panorama contemporâneo da Ilha, longe do radicalismo anticomunista e também da inocência de quem a venera como sucursal do Paraíso na Terra. Da mesma forma, passa distante da visão turística que a vende como um país parado no tempo.
Cuba esteve e está em movimento. A Revolução de 1959, que retirou Fulgencio Batista do poder e a ingerência norte-americana sobre a Ilha, foi um dos marcos do século XX, mas as coisas não pararam por ali. Havia muito país colonial no presente e futuro cubanos e a formação do 'homem novo' almejada por Che Guevara ainda hoje é um processo. Direitos sociais universais foram garantidos, assim como a soberania. Contudo, a característica essencialmente agrária e monocultora da ilha e a consequente aproximação com a URSS dificultaram o fortalecimento das bases materiais e produtivas da revolução, assim como determinaram um enorme burocratismo e autoritarismo nos moldes stalinistas. E algumas questões essenciais, como racismo, homofobia e machismo não foram contempladas pela revolução, entrando apenas recentemente em pauta pois ainda é necessário 'cambiar mentalidades'.
Hoje, Cuba passa por um momento de reflexão e de demanda por mudanças. O jovem cubano, por exemplo, reconhece a importância das conquistas sociais, porém nem sempre isso é o suficiente, ele quer mais, porém os caminhos possíveis ainda estão em aberto e várias são as possibilidades. Por isso, para entendermos a realidade da Ilha e conjecturar sobre o que estar por vir é interessante ler o trabalho dos pesquisadores brasileiros que estiveram em Cuba em 2016 e cujos estudos resultaram nos artigos que compõe o livro e tentam responder a questões como "Cuba é uma democracia?", "Os cubanos querem deixar Cuba?", "Os direitos sociais em Cuba estão em risco?", "Está em curso uma restauração capitalista?", dentre outras, mas é preciso ter em mente que a experiência cubana é única e deve ser observada sem a injustiça de usarmos nossa régua como parâmetro.