A observação e a descrição perspicazes de pessoas e comportamentos de Wiazemsky são particularmente surpreendentes, tendo apanhado um leitor que nada de mais esperava senão um relato dos eventos de 68 próximo de Godard - como eu - completamente desprevenido. Aliás, o mês de maio é aqui talvez apenas a faísca de uma discussão mais abrangente sobre o desfasamento entre estética e política, isto é, emoções e política, e não num plano teórico, antes social (interpessoal). A narração evidentemente parcial, por autobiográfica ser, não descura da seriedade e justeza com que o lado político - apesar das suas contradições, representado por Godard - é retratado, pelo que, numa nota explicitamente pessoal, me fez repensar algumas atitudes. Falar-se-ia de uma espécie de miséria da Sociologia, diferente, embora com alguns traços comuns, da da Filosofia, onde todas as questões perdem os seus contornos e se obliquam.