Há vários anos atrás li o livro "Como Água para Chocolate", da escritora mexicana Laura Esquivel, o qual me encantou, e que narra a história do amor proibido de Tita e Pedro, dois jovens mexicanos impedidos de casar pela mãe da primeira, uma vez ser seu entendimento constituir uma tradição familiar a filha mais nova ficar solteira, a fim de se dedicar unicamente a cuidar da mãe até à sua morte, levando Pedro a casar com a filha do meio, Rosaura, por pensar ser esta a única forma de ficar perto de Tita.
Esta história decorre no início do século XX, num rancho (herdade) mexicano, durante a guerra civil que assola aquele país, em que a filha mais velha das três irmãs, Gertrudis, foge de casa e torna-se na chefe de um grupo de guerrilheiros combatentes envolvidos na revolução.
Por mero acaso, no início deste ano, descobri numa livraria que Laura Esquivel havia escrito, posteriormente, mais dois livros a dar seguimento a esta história, "O Diário de Tita" e "O Meu Negro Passado", que comprei de imediato.
Num ano em que tive pouco tempo livre para ler, terminei a leitura do livro "O Diário de Tita", ficando para o início do próximo ano o terceiro livro desta sequela, "O Meu Negro Passado".
Fazendo uma breve referência à obra "O Diário de Tita", esta trata-se, como o próprio nome indica, do diário escrito pela personagem Tita, a mais jovem das três filhas de uma rica e austera proprietária de uma quinta agrícola com vários trabalhadores, que descreve no mesmo os factos que ocorrem na sua vida e na das suas duas irmãs, bem como os seus sentimentos, nomeadamente a sua paixão intensa por Pedro e, mais tarde, o seu amor tranquilo por John, um médico americano, que cuida da primeira, após esta ser agredida e trancada num pombal pela sua mãe, que a deixam num conflito interior, dividida entre esperar por Pedro ou casar-se com John.
Nas duas obras "Como Água para Chocolate" e "O Diário de Tita", as receitas culinárias e os pratos confecionados por Tita são expressão das suas emoções, sendo através da comida que comunica os seus afetos pelos outros e que interfere nos estados de humor das restantes personagens.
Encontramos também em ambos os livros elementos do realismo mágico da literatura sul-americana, nomeadamente a presença e o contacto com os espíritos de pessoas já falecidas que, de uma forma ou de outra, tentam influenciar de forma benéfica a vida de Tita.
Um livro que vale a pena ler porque nos retrata as várias formas que o Amor pode assumir e transformar a vida de quem é capaz de não o temer e de enfrentar os riscos e os sobressaltos que aquele pode trazer.