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Ser escravo no Brasil: Séculos XVI - XIX

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Publicada inicialmente na França em 1979, Ser escravo no Brasil teve quatro edições em português e uma em inglês antes de ter sua segunda edição em francês. Tornou-se, de fato, uma obra de referência indispensável para quem deseja compreender o Brasil e a escravidão na América. Colocando-se no ponto de vista do próprio africano, mostrando a evolução de suas adaptações no tempo e no espaço, a autora retira do anonimato cativos, escravos e libertados, apresenta todo um povo hábil e trabalhador que soube fazer do Brasil sua nova pátria, sem nunca esquecer-se de sua África sonhada e recriada.

388 pages, Kindle Edition

Published October 3, 2017

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Profile Image for Otávio Bogoni.
29 reviews3 followers
August 30, 2024
Ser escravo no Brasil é uma obra que pode ser vista como um marco de toda uma mudança no modo como o tema de escravidão é tratado pela academia brasileira a partir dos anos 80. Nesse contexto, surgem questões até então inexploradadas sobre a realidade social da escravidão. Deixando de lado o aspecto puramente econômico da historiografia marxista que vigora até então, historiadores irão tratar das mentalidades e da cultura, dos costumes dos escravos, suas relações familiares, religião e rivalidades internas entre grupos de escravos, forros e livres; além de brancos, pardos e pretos africanos. Tudo isso é muito interessante. Mas vejo alguns problemas com esse movimento e esse livro é exemplar nesse sentido.

Como esperado de uma obra historiográfica, logo na introdução a autora apresenta suas intenções e posicionamentos. Se distanciando de interpretações marxistas clássicas do século XX, Mattoso rejeita a explicação histórica a partir de modelos que, segundo a autora, reduzem “as relações sociais a simples modos de produção, com, como corolário, uma sociedade dicotômica de senhores e escravos, de dominantes e dominados”.

É curioso como essa a crítica aos marxistas por vezes acabam se tornando, como diz Fernando Novais, um elogio involuntário ao marxismo. Chega a ser engraçado - ou talvez revoltante - o modo como a historiadora tenta relativizar a assimetria de poder entre os senhores e os escravizados, como no trecho que segue:

"Em geral, a relação entre senhores e escravos era hipócrita e de recíproca desconfiança. Nem sempre no entanto, esse enfrentamento era desigual, pois se o senhor tinha a seu lado a lei, a força e o poder, chegando a matar o escravo, este por sua vez possuia algumas armas eficazes: podia lentamente minar a autoridade do senhor e, acima de tudo, podia comprometer e desorganizar a produção, sabotar seu trabalho, fugir, se revoltar ou se suicidar."


Ora, como pode um ato de suicídio ou fuga - resultado do puro sentimento de medo e desespero com as condições a que os escravos eram submetidos - se tornar exemplo de como o escravo podia “revidar” as opressões de seu senhor? Como as relações descritas nesse trecho não são precisamente as de uma sociedade “dicotômica de senhores e escravos, de dominantes e dominados”? Tive esse sentimento em vários momentos da leitura, em que a autora, sem querer, acaba reafirmando o que historiadores marxistas como Caio Prado Jr. já disseram; com a diferença de que as relações são apresentadas com mais nuances, explorando aspectos até então “deixados de lado”.

Embora eu concorde que a historiografia marxista tenha apresentado obstáculos para se compreender as mentalidades ou as relações íntimas entre escravos de diferentes nações africanas, crioulos, livres e senhores; enfim, toda a pluralidade de relações características do regime escravista, me parece muitas das críticas são pretenciosas em demasia, e acabam não atingindo os seus objetivos.

Outro ponto, que me incomodou um pouco, foi o não-trato da questão indígena. Ao terminar a leitura, um leigo terá a impressão de que sequer houve escravidão indígena no Brasil. Reduzindo o fenômeno apenas a escravidão negra, a autora reforça o mito de que o indígena seria simplesmente preguiçoso demais para trabalhar nas lavouras e por isso foi preterido em relação ao africano.

Contudo, dadas as ressalvas que apresentei, o livro pode ser útil se lido com cautela e de forma crítica; a autora apresenta de uma forma ampla as questões que percorrem os debates sobre o tema “escravidão” na historiografia. Nesse sentido, talvez seja uma boa introdução ao tema.

Infelizmente, essa edição da Vozes não possui notas de rodapé, e parece que o livro publicado assim mesmo originalmente por ser uma obra voltada para um público mais amplo, que não apenas o de estudantes e acadêmicos da área. Isso é problemático, pois dificulta muito a verificação de afirmações soltas sobre questões importantes da vida dos escravos que estão espalhadas pelo livro. Isso acaba aumento a sensação de que tudo deve ser lido com cautela, visto que, sem um sólido conhecimento da historiografia sobre o tema fica difícil avaliar a obra como um todo.
Profile Image for Gabriel Ribeiro.
37 reviews
June 24, 2024
Outro livro que li partes para a minha pesquisa, não podendo dar um veredito final em relação a uma nota. Dou um três no momento, pois auxiliou-me com o necessário para minha pesquisa. No momento, sem pretensão de finalizar a leitura.
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