Neste livro, Emília Viotti da Costa reuniu ensaios escritos em diferentes momentos, sobre vários temas relativos à história do Brasil. Nasceram eles de uma preocupação que lhes dá unidade- a de entender a fraqueza das instituições democráticas e da ideolgia liberal, assim como a marginalização política, econômica e cultural de grande parte da população brasileira, problemas básicos do Brasil contemporâneo. Fiel à perspectiva segundo a qual dentro das determinações gerais do processo histórico há sempre uma margem relativa de liberdade, a autora procura evitar explicações mecanicistas que apresentam os homens isentos de qualquer responsabilidade, como meras vítimas de forças históricas incontroláveis. Com base nisto, examina o comportamento das elites brasileiras em alguns momentos decisivos da nossa história, apontando os limites que caracterizam a sua formação.
Emília Viotti da Costa foi uma historiadora e professora brasileira. Autora de vários livros, entre eles Da Senzala à Colônia, publicado pela Editora UNESP, que aborda a transição do trabalho escravo ao livre na zona cafeeira paulista e é considerado referência obrigatória para estudiosos do período.
Emilia Viotti apresenta vários entendimentos de diferentes autores sobre o fim do império, a Abolição, as ideias republicanas, a proclamação da República, entre outros acontecimentos que se fizeram presentes naquele período da história do Brasil. A abordagem da autora é ideal para o entendimento pois ela procura apresentar interpretações antagônicas de diferentes autores, o que leva o leitor a fazer sua própria análise e tirar suas próprias conclusões. Considero esse o ponto forte do livro, pois o leitor pode ser levado a concordar com um ou outro posicionamento, ou ainda criar uma terceira interpretação muito própria, ainda que, em alguns momentos, a autora apresente sua própria visão dos acontecimentos. Acho, por exemplo, que ela foi demasiadamente crítica sobre a miscigenação ocorrida no Brasil. Viotti pondera que aqueles que acreditavam que a miscigenação ocorrida no Brasil poderia ensinar algo a outros países acreditavam numa “ilusão”. Discordo. Ainda que a “democracia racial” fosse discutível, a miscigenação ocorrida aqui, a meu ver, ainda é uma singularidade e tem sim algo a ensinar ao mundo. É muito interessante sua descrição das forças que levaram à Proclamação da República, e a forma como elas foram analisadas pelos diversos autores, o que ajuda a desfazer certos mitos, mas sempre com fundamentos em obras de pessoas que viveram a época, bem como de outros autores que vieram posteriormente. Nesse aspecto, a Viotti ressalta que os autores posteriores atuaram como revisionistas das visões dos que viveram a época. Isso porque aqueles que foram contemporâneos dos acontecimentos os descreveram com visões que se alinhavam a uma ou outra força envolvida naqueles momentos históricos, tornando tais visões, segundo ela, tendenciosas.