Quais são os possíveis rumos das esquerdas? Quais os caminhos para uma luta unificada internacional? Em seu novo livro, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos faz um panorama crítico do interregno pós-crise de 2008. O desmantelamento da democracia no Brasil, as dificuldades do processo de paz na Colômbia, a crise institucional no México, os desafios do Podemos espanhol, as novas facetas do imperialismo e a experiência portuguesa, que possibilitou o único governo de esquerda na Europa atual, são as conjunturas que o autor analisa a fim de oferecer elementos para o combate ao neoliberalismo e propostas para o futuro da esquerda mundial.
Boaventura centra sua reflexão no cenário político e nas forças de esquerda de determinadas nações e, a partir disso, apresenta questões de fundo que se movem para escalas temporais de médio e longo prazos. “A utilidade da obra pode estar precisamente no fato de proporcionar uma análise retrospectiva da atualidade política e do modo como ela nos confronta quando não sabemos como vai se desenrolar”, afirma. Num mundo cada vez mais interdependente, o sociólogo defende as aprendizagens globais e as epistemologias do Sul como uma das vias para promover tais aprendizagens, sem perder de vista os contextos e as necessidades específicas de cada um – e de o fazer a partir das experiências dos grupos sociais que sofrem nos diferentes países a exclusão e a discriminação causadas pelo capitalismo, pelo colonialismo e pelo patriarcado.
Esquerdas do mundo, uni-vos! foi lançado simultaneamente em Portugal, Brasil, Colômbia, México e Espanha. A edição brasileira, além de contar com uma longa introdução do autor sobre a crise da democracia no país, tem textos de Tarso Genro, Guilherme Boulos e Nilma Lino Gomes nas orelhas e na quarta capa.
Boaventura de Sousa Santos is Professor of Sociology, University of Coimbra (Portugal), and Distinguished Legal Scholar at the University of Wisconsin-Madison. He earned an LL.M and J.S.D. from Yale University and holds the Degree of Doctor of Laws, Honoris Causa, by McGill University. He is director of the Center for Social Studies at the University of Coimbra and has written and published widely on the issues of globalization, sociology of law and the state, epistemology, social movements and the World Social Forum. He has been awarded several prizes, most recently the Science and Technology Prize of Mexico, 2010, and the Kalven Jr. Prize of the Law and Society Association, 2011. His most recent project – ALICE: Leading Europe to a New Way of Sharing the World Experiences – was funded by an Advanced Grant of the European Research Council (ERC), one of the most prestigious and highly competitive international financial institutes for scientific excellence in Europe. The project was initiated in July 2011 and ended in December 2016. Boaventura de Sousa Santos has published widely on globalization, sociology of law and the state, epistemology, democracy, and human rights in Portuguese, Spanish, English, Italian, French, German, Chinese, and Romanian.
Com vários problemas no raciocínio de Boaventura, mas escrito de uma forma inteligível a leigos (tipo eu), o livro consegue mostrar, ou ao menos tentar, para o que veio. É um livro-manifesto onde Boaventura faz uma análise de eventos ocorridos no séc. XXI, e a partir do que chama de início da “democracia neoliberal”, em 1989, juntamente com a queda do muro se Berlim (primeiro problema de nomenclatura ao princípio de que nenhum filósofo, pensador ou sociólogo considera-se neoliberal, ou defende o neoliberalismo; sendo então uma miragem na cabeça do autor e da esquerda como um todo), a atual ordem vigente no mundo, que foi muito bem explicado por Harari em “21 Lições para o Século 21”. Boaventura faz um recorte de governos ibéricos e latino-americanos, onde a esquerda teve a hegemonia do poder por um longo tempo e vê agora suas bases quebradas, perdendo para uma direita louca do estilo Bolsonaro, e países que tiveram um governo de direita e vêm hoje uma esquerda ascendente ao poder. O erro nesta parte do texto é ele colocar a culpa simplesmente na ideologia fascista (que não é realmente fascista mas um liberal-conservador, um belo Frankenstein atual), e no que ele chama de fim da real democracia, o que em si não faz sentido, já que, pelo menos no caso brasileiro, todo o caso de Impeachment da presidente Dilma, o governo Temer e a eleição de Bolsonaro foram fatos totalmente “legais” e “democráticos” a partir da constituição brasileira. Ele tenta demonizar o adversário e não realmente assume responsabilidade pelos erros da chamada Onda Rosa na América Latina, como por exemplo ele passa um tremendo pano para as Farc, onde chama de “falta de gratidão do povo Colombiano”, a trégua e o acordo de paz. Sem pensar nas vítimas de um conflito extenso e cruel. Ele também não tenta questionar a democracia em si; mas simplesmente coloca a culpa de tudo que aconteceu em atos e povos “fascizantes”, sem ao menos questionar o Estado e a democracia (o quê eu, do meu ponto de vista libertário fiz o livro inteiro). Outra coisa que me incomodou profundamente foi a falta de responsabilidade perante os governos de esquerda, onde chamou o governo de François Hollande de socialismo que se vendeu ao capital, pelos fato de não ter dado certo (porque o socialismo não funciona, aliás). Mas no tocante a este assunto seriam estes os meus comentários ao manifesto de Boaventura.
El trabajo permite entender cómo han operado diversas izquierdas en países y contextos diversos, tales como Colombia, Brasil, Portugal y España. Al igual que Mouffé sostiene la necesidad de radicalizar la democracia, dotándola de acciones concretas para garantizar más derechos, proteger el ambiente y detener un capitalismo como el actual, codicioso, basado en el patriarcado y una desigualdad social cada vez más amplia.