Clarice apresenta por meio da ficção as observações de duas crianças que vivenciaram a ditadura militar. O autor entrega no olhar curioso da menina Clarice os questionamentos de diferentes gerações sobre o exercício de poder do adulto, sobre os medos, as contradições, as fugas e a opressão. Quanto pesa um livro que afunda no lago com a sua história e a história de quem o leu? Quão perigoso é ter um lago de livros emergindo no pensamento? Em fortes linhas, os autores deste livro traçam, como arquitetos, uma estrutura ficcional capaz de transportar o leitor de todas as idades por uma cidade construída e destruída pela utopia. Uma história que subverte o olhar como um caleidoscópio, um filtro, um cobogó, um reflexo no lago. Uma Brasília por memórias familiares sem a preocupação de entregar fatos, mas sim possibilidades de vivências das personagens. A obra reúne os talentos de Roger Mello, já consagrado no Brasil e no exterior, e do jovem ilustrador e designer Felipe Cavalcante, que revela o seu compromisso com a arte e a infância. Clarice é uma daquelas histórias que não conseguimos parar de ler e reler porque foi projetada num clima de suspense, em que as mensagens são cifradas e incompletas. Os artistas nos entregam o prazer de decifrar olhares, senhas, sumiços e sussurros.
Roger Mello é ilustrador, escritor e dramaturgo. Nasceu em Brasília, em 1965. É considerado hors-concours pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, que já lhe concedeu premiado pela Academia Brasileira de Letras e pela União Brasileira dos Escritores — nesta instituição, pelo conjunto de sua obra. Participou de diversas feiras internacionais de livros. Seu livro "Meninos do mangue" recebeu em 2002 o prêmio internacional na categoria melhor livro infantil da Fondation Espace Enfants, na Suíça. Três de seus livros — "A flor do lado de lá", "Todo cuidado é pouco!" e "Meninos do mangue" — constaram da “lista de livros que toda criança deve ler antes de virar adulto”, publicada pela Folha de S. Paulo em 2007.
Minha sobrinha ganhou este livro e comecei a folhear. Quando vi q a história se passava em Brasília, na época da ditadura militar, já tinha sido pega pela narrativa estranha de suspense. Uma obra muito interessante para o público infanto-juvenil, que planta perguntas sobre este período i feliz de nossa história e que pode levar seu público a compreender mais sobre ele. Importante demais nos tempos em que vivemos!
Poderia rechear minha avaliação de coisas mais específicas notadas por uma análise de alguém que estuda literatura, mas vou me ater a dizer que é muito interessante ler livros em que a voz narrativa é uma criança. Os adultos são de morte, como diria a personagem. O livro se passa em um contexto de ditadura, os mistérios e as subjetividades são bem desenhados.
"I'd rather see this world through the eyes of a child"