Foi uma das coisas mais lindas que eu já li na vida e também uma das mais exaustivas, é tão cheio de memórias que as vezes é difícil de suportar. Na verdade eu só sentei pra ler ele em três momentos nesses três meses e isso porque nunca antes um livro me assustou assim, de ter medo de pegar pra ler, é desestabilizador. Ele é o título, é isso aí, Dias e noites de amor e de guerra, e nunca dá pra ter muita certeza se tá lendo sobre amor ou sobre a guerra porque os dois estão juntos sempre.
Foi a primeira vez que li Galeano e ele é mágico mesmo. É tão pessoal as coisas que ele escreve, o livro por si é quase uma autobiografia, e tão lindo e tão sincero. Tem tanta coisa aí dentro, me arrependo de ter comprado a versão de bolso.
Vou deixar uns trechos que eu espero que convençam vocês a lerem:
"(...) viver morrendo, que é uma maneira de dar razão ao sistema que despreza os vivos. Desde que éramos pequenos, na hipocrisia dos velórios, nos ensinaram que a morte é uma coisa que melhora as pessoas."
"Quando entra o sol, pestanejo e espreguiço com quatro braços. Ninguém sabe quem é o dono deste joelho, nem de quem é este cotovelo ou este pé, esta voz que murmura bom-dia. Então o animal de duas cabeças pensa ou diz ou queria:
- Para gente que acorda assim, não pode acontecer nada ruim"
"O tempo de um homem não é o tempo da História, embora, tenho de reconhecer, bem que eu gostaria que fosse"
"-Nem rico nem pobre.
-Nem pobre nem rico.
-Mas, então, não vai ficar ninguém na Guatemala. Porque aqui, você sabe, o que não é rico é pobre."
"Escrever era perigoso, como fazer o amor quando se faz como deve"
"Sem uma gota de sangue, sem nem ao menos uma lágrima, se executa a cotidiana matança do melhor que cada um tem dentro de si"