"Era um deserto imenso. A sua aridez alastrava por planícies, montes e vales que um dia haviam sido férteis..." Através deste deserto, um estranho trovador, um poeta que se recusa a ter um nome, entra num mundo que se encontra em mutação e que perde rapidamente os últimos vestígios da sua pureza primitiva. É também assim que o leitor entra nesse mundo e acompanha o poeta nas suas extraordinárias aventuras. Há várias maneiras de ler este livro. Ele pode ser lido como uma história fantástica, quase uma história de fadas. Também pode ser lido como uma mensagem sobre a vida e sobre os homens. Ou ainda como uma alegoria irónica- porque o mundo em que o poeta entra é muito parecido com o nosso, sobretudo nos absurdos. Mas a melhor maneira de o ler é pôr de lado todas essas preocupações: ler, muito simplesmente, e deixar-se seduzir. Como acontece ao fim e ao cabo em todos os romances de João Aguiar, que, desde A Voz dos Deuses até Os Comedores de Pérolas, tem vindo a construir, numa premeditada e saudável discrição, uma das suas obras mais interessantes e coerentes da actual literatura portuguesa.
JOÃO AGUIAR nasceu em 28 de Outubro de 1943. Licenciado em Jornalismo pela Universidade Livre de Bruxelas, trabalhou nos centros de turismo de Portugal em Bruxelas e Amesterdão, regressando a Lisboa e à carreira jornalística em 1976. Foi assessor do Ministro da Qualidade de Vida, no VII Governo Constitucional (1982-83). Foi autor da reportagem Uma Incursão pelo Esoterismo Português (1983) e dos romances A Voz dos Deuses (1984), O Homem Sem Nome (1986), O Trono do Altíssimo (1988), O Canto dos Fantasmas (1990), Os Comedores de Pérolas (1992), A Hora de Sertório (1994), A Encomendação das Almas (Prémio Eça de Queiroz, 1995), O Navegador Solitário (1996), Inês de Portugal(1997), O Dragão de Fumo (1998), A Catedral Verde (2000), Diálogo das Compensadas (2002), Uma Deusa na Bruma (2003), O Sétimo Herói (2004), O Jardim das Delícias (2005), O Tigre Sentado (2008) e O Priorado do Cifrão (2008). Foi também autor de colecções infanto-juvenis, nomeadamente de O Bando dos Quatro e Sebastião e os Mundos Secretos. Faleceu a 3 de Junho de 2010.
Diz a sinopse que este livro pode ser lido de várias maneiras: como uma história fantástica, como uma mensagem sobre a vida e os homens, como uma alegoria irónica; ou, então, ler simplesmente e deixar-se seduzir. Acrescento a minha maneira: deslumbrar-me com as palavras bonitas que contam uma história mágica e misteriosa e, simultaneamente, sentir ternura e gratidão por quem, generosa e inesperadamente, me ofereceu este livro precioso, o qual guardarei, carinhosamente, na vitrine dos meus tesouros.
O Homem Sem Nome não me emocionou como A Encomendação das Almas — uma das maravilhas que li em 2018 — e a sua experiência de leitura seria um gosto de quatro estrelas, mas acrescento uma pelo valor sentimental do objecto.
Dois parágrafos já lá vão e sobre o livro ainda nada disse. Nem vou dizer. Fico-me pelo expressar do meu reconhecimento, não só por quem me proporcionou ler esta obra, mas também por todos os que com as suas palavras me têm revelado e incentivado a ler obras e autores que fazem da minha vida um paraíso luminoso e colorido. Obrigada!
sinto-me amaldiçoada, como se tivesse brincado com a religião de outrem. tenho a respiração desregulada e não vou conseguir dormir sem me distrair com outro livro. não acredito que tenho de estudar isto na faculdade, sinto-me repugnada, completamente medonho. preciso de acender incenso. um valente 5 negativo.
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Livro inspirador. Por um lado, aborda um mundo de fantasia e, por outro, evoca características humanas: crenças, tradições burocracias, guerras, corrupção. Este livro levanta de forma ora descarada, ora sub-reptícia questões escatológicas para as quais as grandes religiões e cultos humanos tentam, desde sempre, dar resposta. Recomendo-o a todos os aficionados de boa literatura.