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Ler Pessoa

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Jerónimo Pizarro ilumina neste livro a galáxia Pessoa: da obra múltipla que constitui o "Livro do Desassossego" ao labor de Caeiro, o engenho de Campos e a coerência de Reis, passando pelo génio de tantos outros autores fictícios. Pessoa procurou ser "toda a literatura", e "Ler Pessoa" é um tributo a esse universo.

171 pages, Paperback

Published June 1, 2018

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About the author

Jerónimo Pizarro

68 books17 followers
Professor, tradutor, crítico e editor, Jerónimo Pizarro é responsável por mais de trinta edições de e sobre Fernando Pessoa. Professor da Universidade dos Andes, titular da Cátedra de Estudos Portugueses do Instituto Camões e Prémio Eduardo Lourenço (2013), Pizarro voltou a abrir as arcas pessoanas e redescobriu «A biblioteca particular de Fernando Pessoa», para citar um título da sua bibliografia. Assíduo organizador de eventos, foi comissário da visita de Portugal à Feira Internacional do livro de Bogotá. É co-editor da revista Pessoa Plural e director da Colecção Pessoa na Tinta-da-china.

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Displaying 1 - 6 of 6 reviews
Profile Image for Helena Rodrigues.
187 reviews15 followers
February 23, 2026
Este livro curto, cativante e acessível, da autoria de Jerónimo Pizarro, é um olhar pelo buraco da fechadura para os meandros do desafiante e complexo processo de edição da obra de Fernando Pessoa (e dos seus muitos outros). Dividido em oito capítulos (Pluralidade, Unidade, Interpretação, Heteronomismo, Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Livro do Desassossego), "Ler Pessoa" apresenta-nos o poeta na sua indefinição genesíaca - um homem que é "um, ninguém e cem mil", citando-se a peça homónima de Pirandello, autor cuja obra, vimos a concluir, em muito se aproxima da mundivisão pessoana.

"Recordemos que a etimologia de pessoa é máscara", aponta Pizarro, sugerindo que a galáxia heterónima era algo que o poeta já em si, fatidicamente, carregava. Em consequência, ofereceu à posteridade uma arca de escritos, a maior parte dos quais sem assinatura, que deixa os editores a braços com questões como a discutibilidade do conceito de 'inacabado', a definição dos limites da atribuição dos poemas a "maybe" um dos heterónimos, e a veracidade da narrativa que Pessoa inventou para a vida e obra dos seus companheiros de sonho. A produção poética pessoana é um caleidoscópio de mil superfícies que se multiplicam sobre si próprias, quer através das várias versões que convergem num só manuscrito autógrafo, quer através das leituras que os protagonistas do diálogo polifónico da heteronímia fazem uns dos outros, prefaciando-se, entrevistando-se ou recordando-se.

Desta leitura se conclui, sobretudo, que o caso pessoano extravasa largamente as linhas argumentativas dos "Limites da Interpretação" de Eco, na medida em que, mais do que a intentio auctoris, a intentio operis e a intentio lectoris, importa na leitura de Pessoa a intentio editoris. Face a uma abundância tal de textos e fragmentos mais ou menos inconclusos e desorganizados, é o editor quem decide se aquilo que será entregue aos leitores será a versão de um poema escrita a azul ou aquela escrita a vermelho e com correções a lápis - uma opção que pode alterar substancialmente a leitura do poema. O "Livro do Desassossego", caso paradigmático, poderia perfeitamente exibir, na lista dos seus autores apresentada na capa, os nomes de Bernardo Soares, Vicente Guedes, Fernando Pessoa e do próprio editor, uma vez que é este quem seleciona os fragmentos que dele fazem parte e em que ordem (não há dois "Livro do Desassossego" iguais). O Fernando Pessoa que conhecemos é, portanto, a unidade de ele próprio, o vácuo de ele próprio, a multiplicidade de outros através de ele próprio e os editores que o leem como uma teia intrincada de enigmas (indecifráveis?) que da soma de tudo resulta.

Diz-nos Pessoa que "há dois tipos de artista: o que exprime o que não tem e o que exprime o que sobrou do que teve". O poeta que era muitos sobrou-se e ao seu tempo, permanecendo o guardião dos portões do sonho-realidade que sempre soube seu.
Profile Image for Wibsson Ribeiro Lopes.
8 reviews
May 22, 2026
Como editor de Fernando Pessoa, Pizarro mais do que ninguém percebe a complexidade da própria constituição do poeta enquanto autor, ele que não publicou nenhum livro em vida exceto a obra "Mensagem" e alguns poemas em revistas especializadas. Questões sobre autoria e obra ganham uma enorme carga dramática. Como definir a qual heterónimo pertence um determinado poema? Onde começa e onde acaba de fato o livro do desassossego? Dilemas que autores como Foucault, Barthes e Umberto Eco trouxeram no século XX tomam palco na própria constituição infinita desse escritor. Quem é Fernando Pessoa, quantas máscaras tem esse nome? Pizarro nos dá a dimensão desse problema infinito.
Profile Image for Ana Carolina.
26 reviews16 followers
April 28, 2020
favorito da vida inteira. o melhor retorno ao estudo teórico de Pessoa. encantador!

mas ressalto > não recomendo esse livro pra quem nunca, nunca NUNCA leu nada teórico sobre Pessoa. acho que seria bom você ter pelo menos um conhecimento basiquinho de quem foi Pessoa (e de quem foram as suas Pessoas) para entender & curtir os temas desses artigos.

o último artigo, sobre o livro do desassossego > UH. meu coração.
889 reviews
June 16, 2021
Agora já posso abalançar-me a ler «O Livro do Desassossego» com proveito e prazer: Fernando Pessoa estilhaçou a unidade entre autor-obra, a noção de autoria, de obra terminada e fixada, a ideia de que o autor de um texto é só um. O que escreveu e ainda está inédito em arquivo pode trazer novas variantes a textos já conhecidos ou ainda trazer outras novidades. Os arquivos são mundos a explorar, incluindo o de Pessoa.
Profile Image for Gabriel Leite.
44 reviews8 followers
January 29, 2024
Deliciosamente curto e cheio de informações realmente novas sobre o universo Pessoa, essa coletânea de ensaios funciona muito bem como uma introdução às edições críticas do próprio Jerónimo Pizarro.
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