Breve História da Europa -Da Grande Guerra aos nossos dias é um ensaio histórico sobre os principais acontecimentos que marcaram o continente entre 1917 e 2017, num olhar aguçado sobre as dinâmicas sociais de um século. Do militarismo imperialista à Revolução Russa, da crise de 1929 à Segunda Guerra Mundial, do fim do pacto social à crise da União Europeia, passando pelas descrições empolgantes do Maio de 68 e da Primavera de Praga, Raquel Varela coloca o trabalho e as suas relações políticas e sociais no centro das grandes mudanças que ocorreram nos últimos 100 anos.
Este é um livro que levanta questões provocadoras e nos dá respostas sérias e rigorosas. Terá sido o apocalipse da Segunda Guerra Mundial - o episódio mais brutal da história da Humanidade, com a perda de 80 milhões de pessoas - a resposta de uma classe suicidária à crise de 1929? E o século XX, que começou (ainda que não oficialmente) em 1917, terá terminado em 1989 com a queda do Muro de Berlim, ou em 2008, com o fim do pacto social europeu?
RAQUEL VARELA nasceu a 15 de Outubro de 1978, em Cascais. É licenciada em História (2005), pós-graduada em História Contemporânea (2006) e doutorada em História Política e Institucional (2010), pelo ISCTE-IUL. É Professora Auxiliar com Agregação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa (Secção Autónoma em Educação e Formação Geral). Foi investigadora do Instituto de História Contemporânea (IHC-FCSH/UNL), onde coordenou o Grupo de Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais, e é investigadora do Instituto Internacional de História Social, presidente do Observatório para as Condições de Vida e Trabalho e coordenadora do Social Data/Nova4Globe. Investigadora no grupo História, Território e Comunidades CEF/UC/Polo FCSH e Colaboradora do Centro de Estudos Globais da Universidade Aberta. As suas áreas de investigação são História Global do Trabalho; História do Estado Social e da Segurança Social; História do Trabalho e História da Revolução de 25 de Abril de 1974. É coordenadora da obra Quem paga o Estado Social em Portugal? (Bertrand, 2012) e autora de História da Política do PCP na Revolução dos Cravos (Bertrand, 2011) e História do Povo na Revolução Portuguesa: 1974-1975 (Bertrand, 2014), coordenadora de Revolução ou Transição? História e Memória da Revolução dos Cravos (Bertrand, 2012), co-coordenadora de Greves e Conflitos Sociais no Portugal Contemporâneo (Colibri, 2012), co-coordenadora de O Fim das Ditaduras Ibéricas (1974-1978) (Centro de Estudios Andaluces/ Edições Pluma, 2010).
Gigantesco e magnífico trabalho, suportado por uma bibliografia extensa e diversificada quanto a géneros literários. A organização do livro está excelente, encadeando datas, correntes e acontecimentos históricos do século XIX, XX e XXI.
O pensamento de esquerda está lá, obviamente, longe dos lugares-comuns da direita populista e da direita disfarçada de centrista ou centro-direita; igualmente distante está um discurso de esquerda partidariamente condicionado ou o identitário pós-modernista que marca o presente e o passado recente.
Não posso terminar este comentário sem deixar expressa a minha admiração pela consciência política e de classe da autora, que tem dado voz a inúmeras lutas pelos direitos e liberdades dos mais desprotegidos e daqueles que (sobre)vivem do seu trabalho.
Uma obra realmente breve mas que sintetiza os principais e mais marcantes acontecimentos históricos na Europa desde a Grande Guerra. Com uma prespetiva de classe, onde os e as trabalhadoras são o principal sujeito, podemos ter acesso a uma narração mais livre e consciente do que as que normalmente tendemos a aceder. Aborda revoluções, greves e mais, não deixando de lado o foco, quando necessário, na realidade portuguesa. Particularmente interessantes as citações literárias que vão acompanhando o texto, enriquecendo a nossa leitura e respetivo estudo.
Desejam fugir ao discurso sempre igual e que pela sua insistência nos começa a soar como a verdade incontestável sobre a história social da Europa? Leiam este relato da Raquel Varela.
Raquel Varela apresenta sucintamente as dinâmicas sociais, políticas e de trabalho do último século em um formato compacto e fácil leitura. Nota-se o enviasamento dos seus argumentos alinhados à esquerda do espectro político, no entanto sempre com um tom bastante crítico e refletivo. Desta forma algumas assuntos ficam por retratar ao longo do século XX. Recomendo a leitura deste livro mesmo às pessoas que não se enquadrem no posicionamento da autora, pois esta desconstrói o status-quo sócio-político do último século 20, acompanhado de bastantes citações e referências bibliográficas.
Um livro muito interessante e completo, que exige algum conhecimento prévio sobre os temas abordados. A História da Europa em que a principal visão é a do trabalhador e com um toque de esquerda que seria já esperado da autora e que não retira nada ao livro, pelo contrário, acrescenta. Um livro que quis ler para desenvolver os meu conhecimentos e que, por isso, usei como base para muitas pesquisas simultâneas à leitura do mesmo. Recomendo!
Very interesting and necessary work! I was expecting something more along the lines of standard history classes but this books focuses on explaining history through labour movements and worker struggles since WWII. This was definitely a welcome surprise! The only drawback is that the book feels unnecessarily academic and sesquipedalian, what could make it less reachable to some of the people it uses in its narrative.
Livro interessante para conhecer a história da Europa e do mundo no último século. Achei o livro um pouco difícil de ler, no entanto não sou entendida nestes assuntos e poderá ser esse o motivo. Para quem pretende conhecer mais a fundo os principais acontecimentos na Europa durante o último século, este livro é um excelente opção.
Conteúdo extremamente interessante, construtivo e relevante. No entanto a forma de escrita da autora não se revela "fluída", de forma a ser facilmente entendida e persepcionada pela generalidade dos leitores, talvez mais dirigida a académicos e historiadores.
This is more of a Trotskyist sketch of the 20th century, it’s disjointed and doesn’t feel well put together. However, it does manage to provide the reader with some lesser known information while being only 217 pages long.
(PT) Embora melhor do que o relato liberal da história europeia moderna, a narrativa de Varela é um relato vulgar trotskista, tentando frequentemente equiparar o papel da URSS ao do Ocidente liderado pelos EUA na opressão do mundo. Isto é bastante incoerente — por exemplo, ela afirma que foi a URSS que iniciou a Guerra Fria (apesar de mais tarde reconhecer que foi claramente uma criação americana), e cita alguém que diz que "os EUA fizeram mais pelo anti-colonialismo do que a URSS", para depois mostrar vários exemplos em que a URSS apoiou movimentos anti-coloniais e os EUA se lhes opuseram.
Há também, no final, um certo espanto estranho com a forma como os média tradicionais interpretaram mal a Revolução de Outubro e as suas consequências.
O livro sofre também do problema “como falar da Europa do pós-guerra sem abordar o resto do mundo”, o que faz com que a autora perca o foco no contexto europeu. Fica-se com a sensação de que queria escrever a sua própria versão de uma "História Popular do Mundo", mas esse não era o que estava no contrato.
Uso irritantemente criativo de expressões como “diz-se que” ou “segundo estudiosos”, sem muita avaliação da veracidade, e uma grande tendência para descartar pontos de vista divergentes.
Não vale a pena ler se já estiveres familiarizado com a visão geral da história da esquerda no século XX.
(EN) While better than the liberal account of modern European history, Varela's narrative is pretty sectarian Trotskyist, often attempting to equate the USSR's role with that of the American-led West in oppressing the world. This is pretty incoherent—for example, she claims the USSR started the Cold War (even though she later points out it was clearly an American creation) and cites someone saying that "the USA did more for anti-colonialism than the USSR," only to then show multiple examples of the USSR supporting anti-colonial movements and the USA opposing them.
There's also a strange sense of bafflement at the end regarding the mainstream media’s misinterpretation of the October Revolution and its consequences.
It suffers from the “how do you talk about post-war Europe without addressing the rest of the world" problem, as a result, the author loses focus on Europe. One gets the feeling she wanted to write her own version of a People’s History of the World, but that wasn’t the assignment.
Annoyingly creative use of phrases like "is said to be" or "scholars say" without much evaluation of their accuracy and a lot of dismissal of differing viewpoints.
Not worth reading if you're already familiar with the broad left-wing history of the 20th century.
Uma história dos povos da Europa, assente na força motriz da luta de classes e na organização do movimento operário. Um belo documento para quem quer perceber o mundo onde vive e que não encontra essa compreensão na história pós-modernista, nem na história oficial dos vencedores.