Fruto de uma extensa pesquisa, "Fantástico Brasileiro: o insólito literário do romantismo ao fantasismo", de Bruno Anselmi Matangrano e Enéias Tavares, percorre quase 200 anos de história literária para mostrar que o fantástico sempre motivou interesse de escritores, críticos, editores e leitores em nosso país.
O livro apresenta um percurso pelos grandes movimentos literários que marcaram nossa história. Partindo do romantismo até chegar ao recente fantasismo, o volume discute os diversos modos narrativos de ontem e de hoje, como as várias fantasias, a distopia, o horror, o steampunk, dentre outros, sem perder de vista a importância de quem escreve, publica, divulga e estuda tais temas no Brasil. Tudo isso para mostrar que o elemento insólito sempre se revelou uma parte importante de nosso patrimônio literário, embora nem sempre tenha sido valorizado e entendido como tal. Em um momento no qual a fantasia, a ficção científica, o horror e outras vertentes estão ganhando a atenção de leitores e críticos de todo o mundo, lembrar de quem veio antes e reconhecer quem tem se destacado agora, torna-se fundamental. Afinal, o fantástico brasileiro sempre existiu. Bastava saber onde e como encontrá-lo.
Este livro faz uma radiografia abrangente da história da literatura fantástica brasileira. Reúne o que estava disperso em termos de referência a obras e autores, com foco na produção dos últimos vinte anos. Reconhece a importância de escritores e de estudiosos que vieram antes, num esforço admirável destes de construir uma ficção científica, uma fantasia e um terror com nossa cara e cultura, conscientemente, não apenas de maneira pontual, como praticantes, defensores e críticos da literatura de gênero no país. Trabalho acadêmico de leitura acessível, Fantástico Brasileiro se torna uma fonte de consulta fundamental, tanto para conhecer os mestres do passado quanto os nomes que estão movimentando o mercado editorial hoje. É uma belíssima edição em capa dura, com projeto gráfico arrojado e poucos erros de revisão. Mesmo sendo uma obra bastante descritiva, servindo como um robusto catálogo de nossa literatura fantástica, há reflexões muito pertinentes, questionamentos e tentativas de respostas. A tese do livro está aberta a discussões.
Uma cuidadosa análise do histórico da literatura fantástica brasileira, de Machado de Assis ao Eric Novello, atravessando a separação em ondas, os movimentos e propondo o movimento Fantasismo como uma forma de identificar a geração de 2010 pra cá.
O livro merece todos os louros do mundo pela pesquisa realizada e por trazer à baila essa necessidade de definir o crescimento imenso do mercado nacional de literatura fantástica na última década. Eu quis ler a obra justamente por me interessar bastante por esse assunto e até ter um desejo de futuramente entrar no mercado.
Dito isso, eu não sei se o formato escolhido é o melhor. Da forma como foi construído, tem uma utilidade maior para a Academia que para o uso cotidiano. Eu gostaria de ver uma obra com abordagem mais enciclopédica, de verbetes e alguns textos apenas de contextualização, para servir realmente de consulta.
No esforço de uma literatura acadêmica brasileira de literatura fantástica, cujo corpus ainda é incipiente, Fantástico Brasileiro é um acréscimo necessário e muito bem-vindo.