Ciranda cirandinha, vamos todos cirandar Vamos dar a meia volta Volta e meia vamos dar
Cantigas no Escuro é uma coletânea que reúne seis autoras brasileiras de literatura young adult fazendo uma releitura de cantigas de infância. Ambientada nos tempos atuais, as origens sombrias e fantásticas dos contos de fada são relembradas em contos recheados com as figuras que ambientam o imaginário popular.
Entre plantações de batatas, fantasmas esquecidos, corpos-secos e um anjo solitário, descubra um novo mundo que vai além da ciranda, cirandinha.
Laura Pohl is the New York Times best-selling author of The Grimrose Girls. Her debut novel, The Last 8, won the International Latino Book Awards. She likes writing messages in caps lock, never using autocorrect, and obsessing about Star Wars. When not taking pictures of her dog, she can be found curled up with a fantasy or science-fiction book or replaying Dragon Age. Her favorite Disney princess is Cinderella, and her favorite Disney prince is Kylo Ren. A Brazilian at heart and soul, she makes her home in São Paulo.
She is represented by Kari Sutherland at Bradford Literary.
que livro maravilhoso, meu deus do céu!!!!!! é raro ler um livro de contos e sentir que amei todos, sem exceção, mas foi definitivamente o caso de "cantigas no escuro". todas as autoras me fizeram sentir medo e emoção, cada uma de um jeito diferente. lindo, lindo, lindo, juro. <3
Você já observou as letras das canções que deixamos nossas crianças ouvirem enquanto brincam de roda, ou que, cantamos para que elas durmam? A maioria dessas letras incutem nas crianças à normalidade da violência física e emocional, contam histórias de desgraças, e as assustam com personagens assustadores que os vem pegar a qualquer momento.
Ambientado nos dias atuais, e recheado do imaginário popular brasileiro, essa antologia nos mostra o lado negro e assustador das cantigas infantis. Em uma prosa saudosa e assustadora as autoras desenvolvem contos extremamente inteligentes, que vão seguindo seu próprio ritmo e nos deixando nostálgicos, apreensivos e até mesmo assustados a cada página avançada. Entre plantações de batatas, fantasmas esquecidos, corpos-secos e um anjo solitário, vamos descobrindo que uma ciranda, cirandinha pode ser horripilante até mesmo para nós adultos.
Estou completamente encantado com esse livro, porque nunca pensei que cantigas de rodas poderiam gerar histórias assombradas tão boas. A princípio, o que me atraiu no livro foi a capa maravilhosas, a promessa de autoras brasileiras escrevendo terror veio só em seguida, mas nessa altura, eu já tinha total certeza que precisava ler esse livro. E assim o fiz, com a expectativa lá em cima comecei a ler, e já me deparei com um conto totalmente nostálgico, gostoso, bem escrito e desenvolvido, e com um clímax espetacular. Daí em diante vieram só histórias fantásticas que mexiam com minha imaginação o tempo todo, em alguns momentos precisei parar, colocar o kindle de lado e relembrar minhas aventuras infantis com um sorriso no rosto.
O livro tem um aspecto infanto-juvenil, e diferente do que muitos podem pensar, não atrapalha em nada, na verdade torna a antologia mais preciosa, vai agradar desde crianças à adultos. Não posso deixar de mencionar a diversidade que compõe cada conto, personagens negros, surdos (que são essenciais para a história) e LGBT são alguns presentes aqui.
É um projeto lindo, que oscila entre a fantasia, a cultura do nosso país e o terror. Além de ser curtinho, e você poder ler rapidinho, é de uma riqueza inigualável. Não deixe de ler.
Nota para cada conto: Diga adeus e vá-se Embora - 5 estrelas Na beira do Rio - 5 estrelas Juro que te Amo - 4 estrelas Escamas de Espinhos - 2,5 estrelas Dourado - 5 estrelas Algo Teu - 4,5 estrelas
Sou suspeita pra falar, mas amo demais esse livro. O capricho das organizadoras, o cuidado delas com a identidade visual do livro, a atenção pra diversidade de personagens e de autoras e, claro, a ideia GENIAL que tiveram de pegar as letras das nossas cantigas e transformar em histórias creepy já valem cinco estrelas e muito amor. Espero que você se divirta tanto quanto eu me diverti ao escrever Diga adeus e vá-se embora. E que sinta aquele arrepiozinho gostoso enquanto lê todos os contos... :P
A ideia central do livro, por si só, já é incrível. Cresci ouvindo tanto as cantigas populares brasileiras, quanto as histórias de visagem (as assombrações aqui no Norte). Nunca havia passado pela minha cabeça que talvez as cantigas tivessem um lado sombrio... Amo que o livro é direcionado ao público infanto-juvenil. É a época mais bacana de adquirir o hábito da leitura, quando os livros que a gente lê são extremamente marcantes na nossa memória e coração. Tirando alguns pequenos errinhos de digitação, nada mais me incomodou. É uma antologia ótima, recomendo muito a leitura. E aconselharia ler no interior, as sensações devem ser amplificadas (hahaha)
Não é meu estilo de leitura favorito, mas a proposta da coletânea é muito original e os contos, no geral, são muito bem escritos e fora da caixinha. Vale destacar que a maior parte deles tem uma ótima representação LGBTQ e isso contou muitos pontos pra mim. Alguns contos são obviamente muito melhores que outros, menos previsíveis e clichês, então vou dar uma notinha pra cada em separado, mas sem entrar em detalhes. Diga adeus e vá-se embora - 5 Na beira do Rio - 4 Juro que te Amo - 3 Escamas de Espinhos - 3,5 Dourado - 2,5 Algo Teu - 4
Todas as autoras tem estilos próprios que transparecem na escrita e te prendem. Os contos são assustadores cada um a sua maneira e eu não conseguia ler de novo. Muito bom!
Nota para cada conto: Diga adeus e vá-se Embora - 4 estrelas Na beira do Rio - 4,5 estrelas Juro que te Amo - 3 estrelas Escamas de Espinhos - 2 estrelas Dourado - 3 estrelas Algo Teu - 3 estrelas
O livro me surpreendeu muito, não esperava que ia gostar tanto de ler os contos e é muito raro eu gostar tanto assim de todos os contos de um livro assim. Geralmente tem sempre um conto que eu não gosto, mas felizmente dessa vez foi diferente. Claro que teve alguns que gostei mais que outros, que foi a única coisa que me impediu de dar 5 estrelas, além de não ser meu gênero favorito, mas adorei demais essa experiência com um gênero que não estou acostumada, graças a maratona literária de halloween. Aposto que quem gosta de terror e suspense vai amar ainda mais que eu.
-Achei espetacular essa proposta de transformar canções infantis em contos de terror/suspense! Quando eu era criança amava as canções, mas olho para elas hoje e fico tipo ?????;
-Se tivesse um segundo livro com mais contos e mais autoras EU LERIA SIM;
-Eu achei fantástico que os contos foram escritos somente por autorAs;
-Para mim, os melhores contos foram o Diga Adeus e Vá-se Embora (fiquei arrepiada demais, acho que das pouquíssimas coisas que já li em terror, esse é o único conto que me deixou assim - já li outro livro com contos de terror), Na Beira do Rio (amei que essa história teve um final feliz no final das contas) e o Escamas de Espinhos (adoro uma mulher se vingando de homem embuste);
-Para mim não teve nenhum conto ruim, todos foram bons, mas os que se destacaram são esses do tópico acima.
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Adorei demais ter lido este livro de contos. Cada conto conta uma história baseada em uma cantiga infantil e fez com que eu pensasse um pouco em como uma música pode inspirar um texto. Não precisamos nos prender literalmente em todos os versos que estão ali: o que importa é o clima e os elementos. Por 1 dia de Flipop, eu não vim com meu exemplar autografado completamente (tem o autógrafo da Laura!). Depois eu consigo tudo bonitinho. Recomendo demais!
Os contos que me deixaram mais impactado foi o da menina do quadro, o do relacionamento tóxico e o da Batata (que é o da Laura). Foram histórias bem particulares, eu estava esperando mais terror e menos suspense. É um livro bom pra ir intercalando com outras leituras e pra sair da ressaca literária.
Livros de contos sempre trazem um misto de sensações. No geral, gostei dos contos, mas não achei que foram exatamente assustadores. Mas adorei a proposta e a criatividade das autoras! Meu conto favorito foi o da Iris, achei muito fofo :)
Diga adeus e vá-se embora: 3,5 Na beira do rio: 4 Juro que te amo: 3,5 Escamas de espinhos: 2,5 Dourado: 3 Algo teu: 3,5
3,5 (meia estrela plmdds Goodreads) Amei demais a ideia dessa antologia! Confesso que ele foi um pouco mais infanto juvenil do que eu esperava, mas isso não interferiu nenhum pouco em sua qualidade. Como todo livro de contos, gostei mais de uns do que de outros, então tive que fazer uma média hahaha
Falando dos aspectos gerais da coletânea antes de passar para os contos achei a proposta genial. Pegar cantigas de roda e escrever histórias com tons sombrios foi muito criativo. E todas as autoras souberam explorar bem as cantigas escolhidas seja literalmente, seja apenas como fio condutor para a narrativa. Saber o que vai sair de cada cantiga é chutar no escuro, porque cada história dependeu da interpretação que a autora fez do material usado. Algumas histórias puxam para o terror, outras para o drama e até uma que se embrenha pelo realismo mágico. Histórias de assassinato, de seres sobrenaturais, de relações abusivas. A variedade é grande e no geral as histórias são muito boas.
Peguei alguns pequenos erros de edição aqui e ali, mas nada que comprometa a fruição da trama. Só chamo a atenção porque o número destes errinhos foi razoável, então merece uma atenção maior no momento de revisar. Todos os contos tem um bom tamanho e permitiu às autoras desenvolver bem sua história. Gostei também das ilustrações muito bonitas e que ajudam a passar o ar sombrio da história. E essa coletânea merecia muito uma edição física, hein. Não é de todos os ebooks que eu digo isso, mas nesse caso, valeria muito a pena por todo o trabalho de formatação e edição.
1 - “Diga Adeus e Vá-se Embora” de Jana P. Bianchi
2 estrelas
Já não é o primeiro trabalho da Jana que eu leio e por essa razão sei muito bem o que ela consegue nos entregar. E é sempre com muita alegria que eu começo a ler qualquer coisa que ela escreve. A autora alcançou hoje uma maturidade na escrita que é bem característica em si. E, ao mesmo tempo, ela consegue nos surpreender dando um passo a mais. A cantiga que ela escolheu foi o Ciranda, Cirandinha e ela escreveu uma história de suspense com adolescentes. O engraçado é que a gente sente um pouquinho daquela pegada de curiosidade e aventura típica de um Stranger Things (apesar de a narrativa ser com adolescentes e não crianças). Jana preferiu uma abordagem mais literal da cantiga usando seus versos para conduzir o ritmo de suspense imposto desde o início da história.
Aqui temos um grupo de adolescentes filmando uma história de terror na casa de seus avós. Usando o celeiro e os estranhos objetos presentes por lá, eles se deparam com uma estranha lápide no celeiro. Dentro da lápide eles encontram uma caixa contendo um estranho objeto dentro. E é a partir desse objeto que vai se iniciar uma estranha história envolvendo elementos sobrenaturais. Gostei da ideia da história e da forma como ela foi finalizada. Só achei que a Jana não conseguiu desenvolver bem seus personagens e dar individualidade a eles. Muitas vezes ela consegue nos entregar bons personagens em espaços pequenos. Dessa vez não achei tanto. Talvez seja chatice da minha parte por eu conhecer o estilo de narrativa dela e a gente sempre ficar naquela expectativa de algo inesquecível. Achei legal ela ter usado uma personagem surda, mas não senti que ela fez tanta diferença para a história (exceto lá no final). Poderia ter sido muito melhor aproveitada.
Diferente de outro conto que eu li na coletânea do Mitografias, Janayna opta por uma escrita mais direta. Algo mais narrativo do que expositivo. Confesso que gostei mais da Jana contadora de histórias do que da Jana narradora. Mas, é muito mais uma questão de preferência mesmo (até porque Lobo de Rua, que eu amo de paixão, é narrado). A narrativa está em terceira pessoa, sempre com os personagens focados em grupo. Mesmo narrando a história, ela ainda mantém uma condução de história que me encanta, com poucos diálogos e mantendo o leitor preso à narrativa. Esse é aquele tipo de conto que você tem que ler do começo ao fim, sem paradas. E a própria narração da Jana vai fazer você virar páginas para saber o que vai acontecer a seguir.
Gostei da história, e a Jana manteve a qualidade tão característica de sua escrita. Ao mesmo tempo ela conseguiu nos mostrar como ela amadureceu como autora e dar um passo além. Só achei que faltou um desenvolvimento maior dos personagens, para dar individualidade a eles. Ou será que conheço tanto a escrita dela que já me tornei um chato de galocha?
2 - “Na Beira do Rio” de Íris Figueiredo
3 corujas
Histórias de fantasmas sempre são muito legais. Íris Figueiredo resgata aquela tradição de histórias contadas ao redor de uma fogueira. Como se fossem causos. A autora nos coloca diante de uma protagonista que tem problemas de sonambulismo e vai visitar sua amiga que mora em um lugar mais afastado. Nessa casa aconteceu um estranho desaparecimento no passado que vai voltar para assombrar os personagens desse conto.
A ideia de usar o sonambulismo como uma forma de contato com o outro mundo não é nova, mas é explorada de uma forma bem intimista pela autora. A protagonista entende que a sua condição interfere no seu modo de vida. No começo da história até somos colocados diante de uma personagem insegura acerca de si mesma e o que ela pode fazer durante os seus episódios. A autora explora bem a relação dela com seus pais, com sua amiga e consigo mesma. Não é uma jornada de crescimento (até porque não há tempo para explorar isso na narrativa), mas mesmo assim tem algus flashes desse tipo de temática.
Outro elemento que a Íris Figueiredo deixa implícito é que a personagem parece gostar de sua amiga. Essa dúvida acerca de sua própria sexualidade e de seus sentimentos por sua amiga talvez contribuam para o fato de ela não gostar que outras pessoas a vejam durante seus episódios de sonambulismo. Mais uma vez, a autora explora isso de uma maneira bem sutil, sem se aprofundar demais, mas deixando aquela pontada de dúvida no leitor. Como eu sempre falo em algumas resenhas, muitas vezes menos é mais. A autora não precisou fazer todo um tratado sobre a personagem para torná-la mais complexa. Bastaram alguns poucos parágrafos para construir toda a personalidade dela.
Quanto à história de fantasmas em si, não achei espetacular, mas ela conseguiu transmitir o necessário para o leitor. O foco do conto não estava no acontecimento sobrenatural, mas na insegurança da protagonista e em sua relação com sua amiga. A ideia era mostrar o quanto os laços de ambas eram fortes e o quanto a protagonista precisava enfrentar seus medos. Gostei de conhecer a escrita da Íris e fiquei curioso por ler mais coisas dela.
3 - “Juro que te Amo” de Solaine Chioro
3 corujas
Esse é um conto que puxa mais para o terror e para a escuridão. Solaine pega a cantiga Se Essa Rua fosse Minha e dá uma guinada em direção ao obscuro que surpreende totalmente. Luciana é a irmã mais nova de Leonora. Ela foi convidada para uma festa da galera e está muito animada por ir. Faz o possível para obter a autorização dos pais para ir e a irmã fica de buscá-la na hora de ir embora. Mas, chegando à festa, Luciana fica com uma sensação ruim e pede que sua irmã volte com ela um pouco mais cedo. Ao caminhar de volta, elas são pegas por uma estranha atração rumo a um bosque escuro. Nesse bosque as duas irmãs serão confrontadas por algo da infância delas. E esse confronto pode ser fatal.
Uma das grandes necessidades em uma história de terror é a maneira como o autor faz com que o leitor sinta cada vez mais pavor à medida em que a história vai acontecendo. É o que chamamos de crescendo. Uma história de terror ela precisa sair de um ponto normal e aumentar o medo gradativamente enquanto insere elementos sobrenaturais na história. No final, o insólito está tão entranhado na narrativa que não há como retornar ao status de normalidade. Por essa razão não há como haver altos e baixos em uma história de terror… o terror precisa ser sempre crescente. Nesse caso aqui, Solaine conseguiu fazer isso com precisão. Se no início tememos pela segurança das personagens, no final sabemos que algo muito ruim irá acontecer e só desejamos que elas possam sair vivas do encontro.
A relação entre as irmãs é colocado como temática principal da narrativa. O quanto um irmão gosta do outro, o quanto eles são imprescindíveis para nossas vidas. Algumas vezes não gostamos de nossos irmãos porque eles são chatos ou implicam conosco. No entanto, eles são partes integrantes de nossas vidas. Na história, Leonora ama Luciana e vic-versa. Apesar daquelas briguinhas entre irmãs, elas sabem o quanto a presença e a companhia de ambas traz segurança e calidez às suas vidas. A escolha da narrativa em primeira pessoa pela autora foi muito feliz, pois nos permitiu entrar na mente de Luciana para entender as sensações que ela tinha ao lado de sua irmã. Da metade para o final da narrativa vemos como os parágrafos se tornam mais tensos e agitados, fruto daquilo que está se sucedendo na história. Para os fãs de boas histórias de terror, vocês vão curtir bastante essa interpretação de uma bela cantiga pela mente da autora.
4 - “Escamas de Espinhos “ de Gabriela Martins
2 corujas
Fazendo um trocadilho com o título, esse conto é bem espinhoso. E parabéns à edição da coletânea por avisar no início da história que ela trata de relacionamentos abusivos. Muitas pessoas tem gatilho com esse tipo de narrativa e preferem não ler. Parabéns mesmo. Mas, voltando ao parágrafo inicial, a autora foi corajosa ao embarcar nessa temática e procurou usar um pouco de realismo mágico para tratar dos sentimentos da protagonista em relação àquilo que se passava com ela. Entretanto, nem sempre se embrenhar pela fantasia vai dar o resultado adequado.
A protagonista é Tábata, uma adolescente normal que sai com as amigas para mais uma noitada. Lá ela conhece Sérgio um cara com a qual ela começa a se relacionar. O que começa como um sonho de princesa, pouco a pouco vai se transformando em uma relação abusiva, que vai corroendo a protagonista em pequenas fatias. Até que os espinhos que se formam dentro de si são tantos que ela precisa expeli-los de alguma forma. E é aí que o cravo irá brigar com a rosa, a princesa vai se transformar no dragão.
Gostei de como Gabriela constrói o tema da relação abusiva. Quando se diz que uma narrativa vai tratar disso, logo se imagina que haverá agressão física ou contato violento de algum tipo. Quando uma relação abusiva não se resume a somente isso. Muitas vezes relações abusivas acontecem quando um dos lados diminui o outro através de palavras ou ações. A relação entre Tábata e Sérgio é marcada por pequenos abusos: ciúmes exagerados, obstruir as amizades, atrapalhar a liberdade, usar como um objeto decorativo, cercear as decisões. Nesse sentido, a autora é muito feliz em mostrar os pequenos abusos que vão se empilhando um após o outro até se tornaram sufocantes e insuportáveis. O momento final é fruto de tudo isso, mas tem mulheres que não tem esse momento em que os espinhos são tantos que não é possível mais escondê-los.
Não gostei do realismo mágico empregado na narrativa. Achei que ele foi mais confuso do que útil para o contorno geral. A mensagem do cravo e a rosa teria sido obtido com a mesma eficiência sem os elementos estranhos. A história toda se cerca dessa temática. Em muitos momentos eu precisei parar e reler o parágrafo para imaginar o que a autora quis dizer com uma passagem. Ao final eu entendi que era preciso ir além das imagens fantásticas e buscar criar o que elas realmente significavam. Mas, garanto que não serão todos os leitores que vão conseguir fazer essa transição.
Porém, gostei da coragem da autora em abordar o assunto e a narrativa é boa o suficiente para transmitir de forma adequada a mensagem. Os personagens são marcantes e a estruturação da história é bem feita tendo um início, um desenvolvimento e uma conclusão bem claras.
5 - “Dourado” de Emily de Moura
1 coruja
Usando a cantiga do alecrim dourado, Emily nos coloca na pela de Rebeca, nossa narradora em primeira pessoa. Ela nos leva por uma aventura pelas matas atrás da casa de sua família. Ao lado de Rosa e da nova amiga Nadine, por quem Beca sente uma atração, vamos explorar essa mata que segue até um lindo campo de alecrim de todas as cores. Entre brincadeiras e uma tarde ensolarada, as meninas relaxam nesse campo curtindo tudo o que a natureza pode lhe dar. Mas, uma sombra está à espreita e colocará a vida de todas elas em perigo. Beca, Rosa e Nadine precisarão de todas as suas forças para escapar desse mal.
Esse foi o conto que eu menos gostei na coletânea. Ele me pareceu grande e arrastado demais. Teria sido possível cortá-lo pela metade que teria ficado melhor. Em vários momentos eu senti que a autora se perdeu em sequências de situações que não levavam a lugar algum ou até repetia frases que ela insistia em fazer gravar na mente do leitor a todo o momento. Eu entendi que a Beca sentia algo pela Nadine… não precisava ser lembrado a cada duas páginas disso. Para vocês terem uma ideia, o próximo conto lida com uma situação semelhante e a autora conseguiu o mesmo efeito (acho que até melhor trabalhado) sem forçar a barra.
Me incomodou também não saber qual era a temática da história. O foco era aonde exatamente? Na atração de Beca por Nadine? Na amizade das três? No lado obscuro da mata? O que o campo de alecrim tinha a ver com tudo? Enquanto outras autoras souberam usar muito bem as cantigas seja de forma direta ou indireta, eu não entendi qual foi o propósito do emprego da cantiga aqui. Era só porque a criatura se alimentava de alecrim? Sabe quando você fica confuso sobre qual o direcionamento tomado no conto? Foi assim que eu me senti. Infelizmente acabei não gostando da história, não me simpatizei com os personagens e me arrastei muito pela história. Se fosse um romance padrão, eu teria abandonado. Convoluto demais. É a mesma questão do menos é mais. Muitas vezes não é preciso entregar uma história muito complicada. Talvez se a história se focasse apenas na criatura sombria com três meninas explorando a mata pura e simples, não haveria maiores problemas. Não era nem preciso explorar os sentimentos delas. Bastava ser uma aventura boba que acabou mal.
Tem alguns pontos positivos na narrativa como a boa ambientação e o uso de uma lenda que eu não conhecia muito a respeito. A autora conseguiu criar essa sensação de mata e de o quanto a mata é perigosa mesmo quando ela parece inocente. Porém, os pontos negativos acabam se sobressaindo demais em relação aos positivos.
6 - “Algo Teu” de Laura Pohl
2 corujas
O último conto da coletânea é da organizadora e nos coloca diante de uma história realmente assustadora. Incrível como ela conseguiu pegar uma cantiga bonitinha como Batatinha quando Nasce e transformar em algo bem insólito. Laura me fez lembrar da série Além da Imaginação ou até do Contos da Cripta quando éramos colocados diante de situações bem improváveis e dali resultava uma história de arrepiar.
Um ponto extremamente positivo nessa narrativa é o quanto a autora não precisou mostrar o que estava causando o terror; bastou insinuar. Ao criar o clima e a tensão, ela fez com que a gente comprasse o que estava acontecendo como alguma coisa terrível e que não deveríamos nos aproximar. É a boa e velha suspensão de descrença funcionando de forma ideal. Bons diretores de filmes de terror não precisam te mostrar uma criatura gosmenta e que baba sangue da boca. Basta aparecer uma silhueta, ou o vento soprar diferente, ou os nossos pelos do corpo ficarem eriçados. Laura faz bem isso durante a ida da nossa narradora em primeira pessoa, Marília, até a cabana. Ela segue por uma mata escura e densa até chegar a uma cabana onde ninguém vai. Tudo fruto de um joguinho estúpido de verdade ou consequência. Marília aceita porque quer impressionar a popular Patrícia. Ela é desafiada a retornar com uma batata de uma cabana no alto da casa de um colega da escola. Mas, ao fazer isso, ela toma algo de uma força sinistra que quer também tomar algo dela.
A autora também foi muito habilidosa ao tratar da insegurança de Lia acerca de seus sentimentos em relação à Patrícia. Diferentemente do conto anterior, aqui a autora consegue ser sutil e coloca a personagem em situações totalmente verossímeis e que são coerentes com a sua personagem. Ela não precisa nos dizer que Lia é apaixonada por Patrícia. A gente sabe que ela é. É fruto de um conselho que toda hora vemos ser repetido entre autores: mostre, não diga. É o palpitar do coração de uma forma diferente, é o corar com um comentário, é o ser corajoso mesmo que seja uma coragem estúpida. A gente acaba se importando com Lia o suficiente para torcermos que ela se abra para sua amiga e revele o que está entalado na garganta.
Adorei o conto da Laura e, como bom leitor de terror, queria ver mais trabalhos da autora nesse sentido. Ela tem uma boa noção de criar tensão e uma pegada de terror em um estilo mais clássico. Quase não vejo autores se embrenhando nesse formato de histórias. Tomara que ela escreva mais porque certamente conquistou um fã.
CANTIGAS NO ESCURO – VÁRIAS AUTORAS Nota: 3.5 estrelas
1. Diga adeus e vá-se embora - Jana Bianchi Nota: 4 estrelas
"A criatura em posse dele o fazia andar de um lado pro outro dentro do círculo de sal. Era até engraçado pensar que a criatura inexplicável tivesse tanto repúdio por algo tão banal quanto o sal. Os antigos sabiam muito bem das coisas."
Este conto poderia muito bem virar um curta, e eu assistiria. A historia é contada em terceira pessoa - e acho que todas - de um grupo de primos: Anita, a mais velha e com um filho; Murilo e Raissa, ambos com 15 anos; Lara, a mais nova, uma garotinha deficiente auditiva. O ponto de partida da história começa com a Lara presa num baú, que era para ser uma tentativa de assustar Murilo para o curto que eles estavam gravando, mas depois do incidente, eles pararam de filmar. Quando estavam retornando para a casa dos avôs, Murilo tropeça em alguma coisa, não contente em deixar para lá e ir embora, o garoto começa a cavar e acha uma caixa dentro de um buraco com uma sigla e uma data. Não satisfeitos, os primos tentam abrir a caixa ali mesmo, então o conto começa a tomar um rumo totalmente diferente, porque a história passa a girar em torno da caixa e descobrir o que tem dentro dela. Por um momento cheguei a pensar, "o que esta acontecendo aqui?", mas então aparece um garoto chamado Tuco, tratado pelos primos como o filho do caseiro, e então a história começa a tomar um rumo mais interessante. O garoto logo se enturma com os grupo de primos, passa a participar da filmagem do curta, brinca com eles, só que chega num momento que ele tenta abrir a caixa, e consegue. Quando estava lendo, eu podia perfeitamente ver esse conto como curta, porque a história de prende até você descobrir o que tem de estranho nela. Tem uma boa ambientação, a Jana consegue nos transportar para o cenário num curtíssimo tempo, como se você estivesse lendo um lindo, não um conto. O sub-plot da febre do menino foi legal e caiu super bem na história, não sendo algo totalmente aleatório jogado ali só para ter uma base e criar uma coisa sem sentindo.
2. Na beira do rio - Iris Figueiredo Nota: 3 estrelas
"E se um dia alguém que amasse desaparecesse de repente e Maria nunca mais tivesse notícias sobre seu paradeiro? Era pior do que a morte e pior do que uma separação forçada, porque sempre haveria a expectativa do reencontro. Sempre existiria a esperança. E às vezes era uma droga essa história da esperança ser a última que morre."
Os pais de Maria se separaram, desde então ela mora com mãe e o irmão mais novo. Não aguentando ficar mais dentro de casa aguentando os gritos de raiva do irmão e as crises da mãe, Maria não pensa duas vezes antes de aceitar o convite de Tereza, sua melhor amiga, para passar um final de semana no sítio da avó da amiga.
Logo no começo, Iris Figueiredo conta logo como a vida de Maria ficou conturbada depois dos divórcio dos pais. A mãe fica estressada o tempo todo, o irmão mais novo faz maior briga toda vez que o nome do pai é mencionado em alguma conversa, ainda tem a diminuição na renda da família, fazendo a mãe repensar nas dispensas com os filhos. Então para salvar a semana de Maria, a menina recebe um convite da amiga parar passar uns dias com ela no sítio que pertence a avó amiga; e Maria aceita. Maria é bissexual e não lida muito bem com os sentimentos que nutre pela amiga, o que eu gostei, porque representatividade nunca é demais. Porém o outro assunto importante - na minha opinião - não foi muito bem retratado, que é o sonambulismo. Um episódio de sonambulismo é o que conduz a história de Maria depois que ela chega no sítio, porque depois que ela ouve a historia de uma garota Morena ter desaparecido na beira do rio, a menina começa a ter pesadelos. Pois bem, eu pesquisei sobre sonambulismo antes de escrever essa resenha, porque não quero ser idiota de escrever algo sem noção alguma coisa. Nessa pesquisa descobri muitos fatores que levam uma pessoa - muita vezes adolescentes - a terem pelo menos um episódio de sonambulismo na vida, dentre eles: ficar sem dormir por longos períodos e mudanças na rotina do sono. Eu já tive vários episódios de sonambulismo, o pior foi quando sair de casa e fui para a parada de ônibus que ficava perto da minha antiga casa. Bom, é o que a minha mãe conta, pois não lembro de nada. Quem tem um episódio de sonambulismo sabe que não vai lembrar de nada se tiver feito alguma coisa nesse tempo que a nossa consciência está inativa, mas as nossas funções motoras estão em perfeitas condições. Aqui no conto, tudo é bem diferente e mal explicado. Eu não sabia se a Maria estava tendo um episódio de sonambulismo ou se ela estava enfeitiçada pelo fantasma, porque a Iris descreve que a Maria sabe o que está fazendo, mas que não tem forças o suficiente para se controlar. Errado. Se a nossa consciência está inativa durante um episódio de sonambulismo, como a Maria estava percebendo o que acontecia com ela? E depois ela lembra de tudo, o que também é errado. Posso está sendo chato porque é um história sobrenatural e não tem a obrigação de retratar a vida real, mas…
Ah, e a Maria encontrar os ossos não colou comigo, até a própria personagem se questiona isso. Por que justo ela? Também não sei.
3. Juro que te amo - Solaine Chioro Nota: 5 estrelas FAVORITO
"Mais uma vez estava hipnotizada por aquela criatura. O ornamento continuava do mesmo jeito que me lembrava, exceto pelas marcas do tempo e o limo que o cobria, mas ainda era lindo. A mesma imagem do anjo mais amedrontadora que eu já havia visto."
Luciana e Leonora são irmãs, e em como qualquer relação de irmãs/irmãos sempre há brigas, desentendimentos, caras feias aqui e ali. No começo da história, as duas estão questionando se a irmã mais nova (Luciana) vai voltar sozinha ou com as amigas da festa de um garoto, mas a irmã velha (Leonora) se voluntaria para buscar a irmã depois da festa, que é bem aceito por Lu.
Pelo fato do conto ser contando em primeira pessoa, a gente se conecta mais com a personagem, deixando a gente saber dos seus medos e inseguranças, o que é bom. Para mim tanto faz se a história é contada na primeira ou terceira pessoa, porém Juro que Te Amo, foi essencial ser contando em primeira pessoa para sabermos como a personagem se sentiu depois do que aconteceu no final. Aquele final!!!!!!!! 10/10. O conto é perfeito do começo ao fim. É uma história suave, mas bem aterrorizante, tornando um dos melhores contos até agora. Tem mistério, drama. É muito bom! Se eu contar tudo o que acontece aqui (eu queria muito, mas me segurei), eu teria que colocar um aviso de spoiler aqui porque não tem como falar deste conto sem mencionar o trabalho, a escrita maravilhoso da Chioro ao descrever o ser sobrenatural que é essencial da história.
4. Escamas de Espinhos - Gabriela Martins Nota: 4 estrelas
"Se ela fosse um dragão, as coisas seriam mais fáceis. Ser a princesa era cansativo."
Tábita conhece seu príncipe na fila de um bar, mas descobre que o seu príncipe não é digno do seu amor. Eis aqui uma história de príncipe e um dragão e, no final, o dragão sai vencedor, se libertando das correntes que o prendem. Esse conto é um soco no estômago, com uma história triste, mas como uma escrita linda, usando o elemento se realismo mágico. A prosa da autora é uma das mais lindas nessa antologia, tornando um conto simples, porém abordando um assunto importante: o relacionamento abusivo. A Gabriela escreve uma história que muitas mulheres sofrem não só no Brasil, mas no mundo todo. Ela faz a gente sentir uma empatia enorme com personagem, querendo a proteger do cara que é abusivo. Esse é um mal de qualquer ser humano achar que uma pessoa com um rosto bonito é cheia de boas intenções. Mas isso não é verde. Muitas vezes, o cara tem o rosto bonito, mas trás consigo uma faceta que ninguém conhece até se envolver com ele.
Eu fiquei igual a Tabita, com um nó na garganta pelo o que ela estava passando, sendo humilha e tratada como um objeto apenas para satisfazer um cara.
O final do conto é tão lindo, mostrando que às vezes o príncipes são os vilões das histórias.
5. Dourado - Emily de Moura Nota: 2 estrelas
Eu nunca dei muita atenção pra histórias ou filmes de romance. A coisa toda sempre me pareceu meio exagerada."
Não gostei muito desse conto. Não achei a história tão boa como as quatros primeiras. Não sei se a autora estava mais preocupada em contar sobre a quedinha que a Beca tinha pela Nadine ou sobre a perseguição do corpo-seco atrás delas. Não é ruim, mas não é aquela história que te prende querendo saber mais. A origem dos corpos-secos foi até bem explicada, porém parecia que estava lendo uma história sobre um zumbi. A autora só mudou o nome do ser. Não vi nada demais neste conto, nem mesmo o quase romance.
6. Algo teu - Laura Pohl Nota: 3.5 estrelas
"Não se deve pegar coisas que não são suas."
Marília, ou Lia, como prefere ser chamada, é a esquisitona e solitária garota do segundo ano que decide ir à festa de Guilherme enquanto os pais dele estão fora. Nessa festa, rola a brincadeira de Verdade e Desafio. Então quando a garrafa para na Lia, ela é desafiada por Renato, seu nêmeses, a ir numa cabana onde tem um plantio de batatas, e trazer uma batata como prova que esteve lá. O bom desse conto está reservado pro final quando Lia se vinga de uma pessoa que ela não gosta. Eu achei a sacada das batatas serem os corações das pessoas que já tinham pisado naquela cabana bem genial, nem passava pela minha cabeça que seria corações transformados. Tem um pequeno romance no conto, mas não é nada demais, não toma o foco principal que é a história da cabana e batatas. Apesar de não ter tido um começo tão bom e o melhor do conto ser quase no finalzinho, eu achei bem legal.
Dos seis contos, dois realmente me pegaram de jeito, um pareceu mais origem de vilã de quadrinhos (e eu amo quadrinhos, então em um contexto fora do terror acaba por ser uma ótima história!!) e os outros foram ok. O primeiro e o último realmente fizeram uso da Cantigas de Roda como peça fundamental, enquanto em um deles nem fez diferença a associação (ou não entrei na sintonia do folclore que a autora usou como base pra escrever.) Entendo que a premissa de representatividade era um dos focos da obra, mas praticamente todos os contos possuírem conotação amorosa entre meninas me pareceu um pouco forçado em alguns contos, no sentido de não agregarem realmente à história. Pareceu que era preciso rolar um envolvimento pra "cumprir cota". Note que um dos contos que mais gostei ( o da "Batatinha quando nasce") tem envolvimento entre meninas. No geral recomendo a leitura, já que foi minha primeira experiência com um livro de contos, então acho que foi uma boa média.
Nota: 2,5 / A antologia tem uma ótima proposta, mas com isso minhas expectativas foram altas demais. Tiro o chapéu para os contos "Na beira do rio" (Iris Figueiredo), "Juro que Te Amo" (Solaine Chioro) e "Algo Teu" (Laura Pohl), que fizeram um bom suspense e forneceram histórias interessantes. O restante não funcionou comigo, foi difícil me conectar às narrativas e aos personagens para manter a atenção. As artes são lindas.
Antes de mais nada, este livro é de uma importância tremenda. Uma antologia de contos fantásticos e sombrios inspirados em cantigas clássicas brasileiras (ou ao menos em parte?) escritos por mulheres e estrelando personagens femininas. Em uma tacada temos um show de muito daquilo que mais precisamos na literatura nacional: mais mulheres, mais Brasil, mais inovação na fantasia. Isso sem mencionar, para não dar nenhum spoiler, as personagens que vão aparecendo e somando à grande representatividade que este livro contém.
Como em toda antologia, há um nível esperado de inconstância naquilo que é oferecido ao leitor, porque por mais que haja uma coesão temática, no final das contas cada conto é como pegar um livro diferente, com outra história, contada de outra maneira por outro autor. Já é difícil manter essa constância ao longo de um único romance de um único autor, mais difícil ainda em uma antologia com contos de um mesmo autor, então imagine uma antologia de contos de autores diferentes! Mas sei muito bem que às vezes os próprios limites que temos ao escrever para uma antologia, como o número de palavras ou caracteres, também pode atrapalhar o desenvolvimento ideal da história que queremos contar. Por isso, um ou outro conto talvez tenha errado um pouquinho o timing do clímax. Foi quase lá, mas não foi bem lá. A bola bateu na trave e foi para fora, digamos assim, aproveitando que, no momento da escrita desta resenha, estamos em clima de Copa do Mundo. Mas foi um belo chute.
Dito isso, meu conto favorito provavelmente foi o primeiríssimo deles, "Diga adeus e vá-se embora". Uma coisa curiosa que percebi ao terminar de lê-lo foi que ele me fez repensar um pequeno preconceito meu: o de que histórias que seguem uma estrutura bem firme costumam ser mais entediantes, previsíveis, clichê. De todos os contos, ele é o que mais faz, e muito bem, o que mandam os gurus do storytelling, de Campbell a McKee (*arrepios*), acertando todos os pontos identificáveis da narrativa tradicional a la Jornada do Herói e, ainda assim, entregando um enredo com personagens muito legais digno de um romance inteiro com novas aventuras aterrorizantes. Fica a dica aí para a Jana! (E uma lição para mim.)
Refleti sobre a necessidade de indicar qual conto precisaria de maiores ajustes, mas estou tentando reduzir o tamanho das resenhas e, a bem da verdade, nenhum conto é de fato ruim. O que de fato posso apontar, e isso é algo bem objetivo, é que encontrei um bocado de erros de revisão. Particularmente, não me incomodo assim tão fácil com isso, mas tem gente que pega pesado com esses detalhes, então acho que convém avisar. Li a versão do Kindle.
Um último comentário: como não amar essas ilustrações?
QUE LIVRO MARAVILHOSO. Sério, fiquei encantada e assustada do começo ao fim. Claro que eu já esperava algo assim das autoras, porque elas são maravilhosas e eu amo o que elas escrevem, mas COMO EU AMEI ESSA COLETÂNEA AAAAA. Tá, já fangirlei o suficiente, vamos falar sério agora. São seis contos maravilhosos inspirados em cantigas de crianças. Cada conto tem sua peculiaridade e uma abordagem sobre um assunto que discutimos diariamente pela internet. As personagens são maravilhosas e eu duvido muito que eu consiga ver essas cantigas da mesma forma que antes. ( Fui no tororó tem TODO UM NOVO SIGNIFICADO PRA MIM). Aliás, o conto do Tororó foi o meu favorito, seguido do inspirado em Alecrim Dourado. Mas vamos por partes porque meu coração não aguenta tanta coisa maravilhosa junta. O conto do Tororó me trouxe lembranças de quando eu ia para a casa da minha tia, que era literalmente no meio de um terreno ( bem menor, mas ainda assim) e passava um rio por baixo, onde as crianças não podiam ir pra ninguém acabar caindo no rio. Não, não tinha nada de ter coisa assombrando, mas ler esse conto meu deu ideias do que fazer quando eu visitá-la. *evil laugh* A do Alecrim literalmente me lembrou de quando eu fui pra roça com o namorado e ele resolveu me contar lá que uma vez ele achou que * insira aqui a criatura do conto* tava rondando a casa dele. I CAN'T EVEN. Advinha quem não conseguiu dormir. risos. Mas sério, é uma história maravilhosa que todo mundo deveria ler e conhecer. Virou meu favorito de 2018.
Que ideia GENIAL pegar cantigas clássicas brasileiras e transformar em contos sombrios!! E tudo isso pela mão de mulheres!! Além disso, os contos são repletos de diversidade. Eu só gostaria de ver mais autoras negras assinando histórias. O primeiro conto, Diga adeus e vá-se Embora, de Jana Bianchi começa a coletanea jogando a expectativa lá pra cima. Fez um ótimo trabalho na adaptação da cantiga e tem uma narrativa que te faz querer participar da resuloção do mistério, ao mesmo tempo que gritar pras crianças deixarem isso pra lá, o medinho é real! 5/5 Na beira do Rio, de Isis Figueredo, é o segundo conto. Muito criativa a utilização da cantiga no conto e conseguiu ser fofinho e assustador ao mesmo tempo. 4/5 O terceiro conto, Juro que te Amo de Solaine Chioro, foi o que, na minha opinião, mostrou um empenho bem grande (e bem sucedido) em transformar a cantiga em algo sombrio de forma literal. Pra isso, teve que forçar um pouquinho a barra em alguns momentos, mas teve como resultado uma história bem assustadora. 4/5 Em Escamas de Espinhos, de Gabriela Martins, o terror é bem real. Acho que era a cantiga mais difícil de se tornar sombria de forma fantasiosa e creio que a dificuldade ficou presente no conto. 2/5 Em Dourado, de Emily de Moura, a cantiga passou pela tangente, sendo apenas o cenário do conto, sem muita ligação com a história em si. 2/5 Algo Teu de Laura Pohl fecha a coletanea com uma nota alta, um conto bem escrito e que também mostra todo o empenho em transformar a cantiga em algo literalmente sombrio. 4/5
Cantigas no Escuro é uma coletânea de contos escritos por autoras brasileiras e gira em torno da ideia de que as cantigas de roda tipicamente brasileiras são um tanto estranhas, até assustadoras. Assim, cada uma das seis autoras desse livro adapta uma cantiga popular, em forma de história de terror. Eu amo a proposta desse livro desde que ouvi falar dele pela primeira vez, e depois de ler, amo ainda mais. Os contos conseguem trabalhar com elementos muito brasileiros, seja pela tradição popular, pela nostalgia de brincarmos com nossos primos durante a infância ou pelas histórias de lugares mal-assombrados. As situações assustadoras presentas nas histórias vêm daquilo que não podemos explicar - que é o que dá origem a mitos e lendas, e eu gostei de como as autoras trabalharam isso, de forma moderna e atual. Temos histórias com personagens femininas interessantes, fortes, corajosas, enfrentando a morte, o sobrenatural e também um relacionamento abusivo. Meu conto favorito da coletânea foi "Juro que te amo". Solaine Chioro trabalhou a história mais insólita desse livro, com muita criatividade. O conto de Iris Figueiredo também é maravilhoso, uma genuína história de assombração baseada na minha cantiga favorita. E "Algo teu", de Laura Pohl, é tenebroso e muito bem escrito. Recomendo muito essa coletânea, não só por ser uma excelente leitura para quem gosta de terror, mas também por explorar elementos culturais muito brasileiros com os quais podemos nos identificar. Além de tudo, o livro tem um projeto gráfico muito bonito, com ilustrações caprichadas.
Simplesmente adorei! Impossível de largar essa leitura, as histórias são simples, porém extremamente bem construídas e envolventes. Cada uma das autoras soube trabalhar com o lado sombrio de forma instigante e inteligente. Eu adorei cada uma das histórias e até agora não consigo decidir qual foi minha favorita! Recomendo demais esse e-book! Queria muito uma edição física, pois tem ilustrações e são lindíssimas, adoraria ter um exemplar na estante!
Em todos os livros de contos que leio sempre tem contos que se destacam mais que outros. Porém, neste livro todos estavam no mesmo nível(e um nível elevado). Gostei muito da forma que autoras ligaram os contos as suas respectivas cantigas. Minha maior surpresa foi o conto da cantiga 'Se essa rua fosse minha', o final foi bem chocante. Em relação ao conto do 'Cravo e a rosa' não gostei do final(achei estranho).
Obs: Evitem de ler este livro a noite, pois dá muito medo
Uma boa antologia de terror "young adult". Gostei muito da proposta das histórias girarem em torno de cantigas de roda, bem como do fato de contarem com bastante diversidade de personagens.
Muitos dos contos também envolvem horror folk, algo que acho muito legal. As ilustrações também são excelentes.
Minha única crítica se faz em relação a existência alguns poucos erros de digitação, mas não são nada que impeça a leitura, nem acabe com a imersão.
Que massa! Não vou mentir que sou assombrado com histórias de terror e afins, então obviamente fiquei cabreiro com esses contos. Ainda bem que não tenho costume de frequentar cenários parecidos com os que são descritos kkk achei super inovador e deveria ter lido antes, assim que me recomendaram pela primeira vez. Meninas, parabéns pelos contos.
Eu gostei demais de todas as abordagens que as autoras utilizaram pra fazer a releitura das cantigas infantis. E confesso que nunca parei pra pensar no que realmente as letras querem dizer ou o que elas escondem, sabe? Foi muito bom mesmo ver pela perspectiva delas. Foi uma leitura muito rápida, fluiu muito bem pra mim. Recomendo demais!!
Esse é um livro de contos nacionais excelentes! Todos me deram um arrepio na nuca, uma sensação horripilante, pois são baseados nas famosas cantigas que conhecemos desde a infância. Minhas histórias favoritas são Juro Que Te Amo. Escamas de Espinhos e Algo Teu. Recomendo muito essa antologia, assustadora e rápida de ler!