O novo livro de Carpinejar. Não quero mais ter razão na vida. Só quero ter amor. Perdi muito tempo pela vaidade das ideias. Perdi muito tempo do afeto paterno e materno. O que importa é estar junto para o que der e vier. Família não é para concordar, mas para apoiar qualquer que seja o caminho adotado. Acreditamos que os pais são eternos, imutáveis, que estarão próximos quando surgir a necessidade. Mas eles adoecem e morrem. É uma fatalidade inadiável, não há como parar a idade, recuar o fim. Se é certo de que os pais um dia vão adoecer e partir, por que não organizamos a nossa vida para acolhê-los? Por que não assumimos sua gestação? Por que não reduzimos o ritmo da carreira para darmos sentido para os seus últimos dias?
Carpinejar, Fabricio Carpi Nejar, poet and journalist, master degree in Brazilian Literature for UFRGS.
Nasceu em 1972, na cidade de Caxias do Sul (RS), Fabrício Carpi Nejar, Carpinejar, poeta, cronista, jornalista e professor, autor de vinte livros, oito de poesia, cinco de crônicas e sete infantojuvenis. É apresentador da TV Gazeta, colunista do jornal Zero Hora e comentarista da Rádio Gaúcha. Seus poemas aparecem como questão de grande parte dos vestibulares do Brasil, como UFRJ, UFRGS e Universidade Católica de Goiás. Foi escolhido pela revista Época como uma das 27 personalidades mais influentes na internet. Seu blog já recebeu mais de dois milhões de visitantes e o twitter ultrapassou cento e cinquenta mil seguidores.
Esbarrei por acaso nesse livro, cujo título reverberou com sentimentos que têm me afogado ultimamente. “Os pais diminuem de tamanho, arqueiam as costas, para serem os nossos bebês. […] E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz. Todo filho é pai da morte de seu pai.” Por isso, e também por ser curtinho, ele furou a minha fila de leituras.
O livro é um misto de ensaio com escrita autobiográfica, com contornos de crônica. Muito do que o autor tem a dizer é bastante óbvio e imediatamente acessível, mas a maneira de olhar a singeleza da situação do envelhecimento dos pais (e dos filhos) é original. Aqui, Carpinejar se destaca como um exímio frasista.
Acho que a obra desviou do tema em certos momentos. Por vezes, passou a abordar questões sobre a infância e menos sobre a transformação das relações com nossos pais ao longo da vida e da necessária preparação para a despedida. Além disso, acho que a porção inicial do texto era a mais potente – talvez, se os “capítulos” fossem redesenhados, a leitura teria apresentado uma sequência mais fluida, capaz de dar conta do que significa amadurecer enquanto filho, além de reservado um final mais impactante e de sabor mais duradouro. Contudo, é evidente que a escrita e organização desse livro tem um caráter de conciliação do autor com sua história, seu passado. E, como ele escreve: “Você não possui uma recordação, é ela que possui você.”
Acredito nisso. Acredito que precisamos ter a coragem de nos deixarmos ser possuídos por nossas recordações (tudo tem seu momento…) em lugar de lutar contra elas ou de sustentar a crença de que cristalizamos, de modo satisfatório, a presença do outro em objetos e fotos. Precisamos nos preparar para nos despedirmos, para “enfrentar a loucura de falar sozinho”. Quem diz adeus não foi derrotado. “Derrota é perder quem amamos antes do fim, pelo fracasso de nossa comunicação. O resto é agradecimento.”
Esse é um daqueles livros que dá até remorso em terminar... Um livro leve, de fácil leitura, e o Autor (Carpinejar) tem um dom muito especial de associar palavras a momentos e reflexões que servem praticamente pra todo mundo. Relembrar a infância, a comida da avó, o carinho da mãe... refletir sobre um mundo sem essas pessoas por perto e sobre a finitude da vida. O emprego de palavras digno de um poeta que nos faz viajar por uma parte muito especial de nossa vida, com leveza e ao mesmo tempo com bastante emoção.
Altamente recomendado... e lembre-se: Cuide dos pais antes que seja tarde!
Um livro fantástico. Agridoce e super necessário. Carpinejar nos mostra como a relação entre filhos e pais é rica, como podemos crescer com ela, nos aprimorar, melhorar como seres humanos. Aprender, de fato, com eles.
Muitos filhos não tem mais qualquer relação com os pais. Depois que crescem e saem de casa, os abandonam, os rejeitam. Repudiam aqueles que os ensinaram a andar, falar, que tomaram conta quando eram pequenos, deram banho, cuidaram quando estavam doentes, que deram dengo, amor, carinho e até mesmo coisas materiais quando nem ao menos podiam.
Fabricio Carpinejar faz o leitor refletir sobre a vida. Sobre o acolhimento dos pais ao envelhecerem e adoecerem. Por que, infelizmente, a vida é assim. Um dia, não teremos mais nossos pais aqui. E frisa o quão importante é aproveitar cada momento, cada segundo. Ele mexe fundo dentro da alma do leitor que se permitir fazer essa reflexão, mostrando que, por mais que a pessoa tenha tido pais imperfeitos, sao seus pais. Cuidaram e te educaram e te amaram à maneira deles, talvez a melhor maneira que souberam fazer.
Abracem seus pais. Cuidem deles. Escutem suas histórias, conversem. Absorvam as experiencias de vida que eles tem, que sao muitas. Honrem a educação e o amor e a dedicação que eles tiveram ao te trazer ao mundo e investirem tanto tempo da vida deles para a construção da sua.
Livro lindo! Carpinejar possui uma sensibilidade imensa ao narrar fatos cotidianos. Alguns contos são bastante impactantes, como o do pé de nozes, que ela planta para os filhos.
Essa leitura me lembrou repetidas vezes da importância de cuidar e de dar atenção aos nossos pais.
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Com muita poesia e abrindo a realidade atual Carpinejar nos conecta aos nossos pais e avós e reforça o que vamos perdendo com o tempo e o valor da familia. Conta causos de sua infância e relembra o quão era difícil conseguir o que desejávamos quando crianças.
É uma leitura linda, as palavras de Carpinejar soam como música, maaaaas chorei horrores e pra quem gosta de chorar é um prato cheio. Me identifiquei com vários pontos citados, principalmente quando minha mãe não tinha coragem de jogar minhas tarefas de casa fora.
Concordo com uma review já posta aqui, o livro começa tocante, forte e esplêndido, mas se perde no meio do caminho e consequentemente não finaliza a proposta tão bem e bela apresentada. Algumas frases e ideias ficarão sim para toda a vida, e talvez por isso valha a pena a ligeiríssima leitura.
Ler os livros de Carpinejar eh emocao na certa, um livro que toca fundo no coracao e nos faz refletir, nossos pais nao estao neste plano para a vida toda, por isso temos que curtir a cada momento ao lado deles.
Livro de crônicas, bem pessoais que mexe com a gente ora pela similaridade ora por nós emocionar. É complicado julgar fatos reais mas se posso falar algo é que tem histórias que queria mais
Estou escrevendo minha opinião sobre este livro após ter lido "Família é tudo" também do Carpinejar, então talvez posso acabar passando aqui algum viés indesejado, mas tentarei ao máximo escrever uma avaliação que faça jus apenas a este livro.
"Cuide dos pais antes que seja tarde" é uma homenagem de Carpinejar aos seus pais e uma coletânea de seus pensamentos sobre o amadurecimento humano e a triste realidade que todos um dia iremos enfrentar quando nos tornamos os cuidadores de quem antes cuidava de nós mesmos. O autor tenta reservar para cada pensamento um capítulo do livro, que é pequeno e de rápida leitura. A obra é extremamente agradável de se ler, tendo em vista a experiência de Carpinejar com poesia, tendo frases cuidadosamente construídas e uma ordem clara dos pensamentos dele.
No entanto o livro também é a forma de como o autor achou de se encontrar nesta sua fase literária e de vida, dado todos as recentes obras, e isso faz com que alguns capítulos sejam mais pessoais e menos impactantes para nós que não tivemos o privilégio de viver na mesma década ou em volta da família Carpinejar. Isso não tira forma alguma o impacto da obra para aqueles que tiveram uma infância próxima de seus avós e pais, trazendo para os mais sensíveis (como no meu caso) lágrimas aos olhos.
Recomendo à obra para quem tenha o interesse de auto reflexão no assunto porque, diferentes dos livros que se tornaram comuns oferecendo um caminho para o sucesso, Carpinejar aqui apenas oferece pensamentos e um ponto de vista carinhoso sobre a relação com seus pais e avós.
Que beleza a leitura desse livro nos trazendo a nossa infância e ao nossa idade adulta ao mesmo tempo! Que gostoso chorar lendo e transformando em realidade o que um dia foi a própria realidade de todos nós... Ahhh que delícia enxergar tanta coisa incomum nos momentos poetizados pelo Carpinejar! Uma delícia e, sobretudo, delícia por nós trazer a reflexão a questão do cuidado com os nossos (hoje) velhinhos que tanto nos amaram e amam!