Comumente definida como “teoria do conhecimento”, epistemologia é uma disciplina tradicional dos currículos dos cursos de Filosofia. Neste livro, há uma seleção de autores e posições básicas da área. O exame da contribuição dos principais nomes da epistemologia não se dá numa linha cronológica limitadora. Ao tratar dos filósofos atuais, é mantida a perspectiva do passado que os embasa e, quando os capítulos focam célebres filósofos ou escolas, os estudos são feitos de forma atualizada.
O que é que podemos chamar de conhecimento? Saber algo, fazer uma afirmação ou ter uma opinião, etc... só é considerado como conhecimento, se tal fato representa o mundo real. Além disso, é preciso verificar a legitimidade desse conhecimento, isso é, quais foram os meios pelos quais ele foi adquirido. Essa questão aparentemente simples, envolve questões filosóficas profundas, entre elas: a realidade de fato é o que é, ou se trata apenas de nossas impressões sensoriais sobre algo incógnito? Existem objetos de conhecimentos inatos ou tudo o que conhecemos é fruto da experiência a posteriori? A epistemologia se fundamentou nessas questões, visando entender se nossas opiniões são ou não verdadeiras e como se dá o acordo entre a realidade e os aparatos subjetivos que utilizamos para interagir com ela.
A principal preocupação da epistemologia é a natureza do conhecimento, como ele é obtido e quais são os limites do conhecimento. Os filósofos desde então empreenderam debates e elaboraram doutrinas que desenvolveram resoluções para essa problemática. Nesse livro, temos uma introdução sobre a disciplina e uma explicação de suas principais doutrinas: encontramos desde explicações básicas sobre os conceitos fundamentais e avançamos para um resumo das principais doutrinas — racionalismo, empirismo, positivismo, naturalismo e ceticismo — sempre elencando seus principais autores e pontuando os pontos essenciais do debate.
Sucinto, mas extraordinário para quem se interessa a ingressar no tema, o livro possui uma linguagem clara, norteia o leitor para interesses específicos e funciona como guia de leitura para quem deseja se aprofundar. Apesar de curto e muito bem discutido, não é um livro simples, entender conceitos basais leva tempo e não foram poucas vezes que me peguei relendo um mesmo capítulo duas ou três vezes. Mas, se assim como eu, você é um leigo que se interessa pelo tema, não acredito que haja outra maneira melhor do que começar a entender a epistemologia do que esse livro — que facilita inclusive a leitura das obras por ele citadas — um apanhado sintético e ao mesmo tempo profundo sobre uma das áreas mais fascinantes e influentes da filosofia.
P. S. Em determinado momento, o autor discute uma das críticas que Quine faz ao viés linguístico do positivismo lógico: segundo ele, a linguagem por si só, provém de uma habilidade subjetiva do sujeito — a entender, certas palavras podem ter significados ambíguos, como banco na língua portuguesa, ou simplesmente não existirem em outras línguas, fator que vai contra a noção da existência de enunciados universais — não ironicamente, esse é uma das maiores dificuldades encontradas para mim durante a leitura do livro e de outros livros de filosofia em geral: muitos conceitos que me invocam um entendimento óbvio, eram na verdade conceitos anteriores da filosofia, ou seja, com significados diferentes. Portanto, cuidado na hora de ler ou discutir conceitos filosóficos!
Bom livro, trata de teorias importantes na história da filosofia e da epistemologia, embora deixe de fora uma apresentação mais profunda da perspectiva greco-romana da antiguidade e da metafísica medieval. Caso você esteja interessado numa introdução às teorias epistemológicas modernas, definitivamente este é um bom livro.
O livro atem-se ao que propõe: ser uma introdução à epistemologia. Dito isto, não se deve esperar que o autor aprofunde muito em cada teoria - o que creio que seria possível com algumas dezenas de páginas a mais, dado que a obra possui menos de 200 páginas.