Afinal não tardou muito para que voltasse Lars Kepler e ao seu Joona Linna. E ainda o li em dois dias...
Ainda não posso dizer que Linna tenha conseguido garantir um lugar no meu coração, ao contrário de umas quantas personagens femininas que o rodeiam, mas admito que me agrada sempre o livro que se leia bem, que não seja chato.
E 'chato' não é um adjetivo que se aplique a este livro, carregado de cenas de acção. Ao contrário d'O Hipnotista, que tinha umas partes um bocado arrastadas, n'O Executor não há partes passíveis de serem consideradas aborrecidas.
A história começa com um homicídio e um aparente suicídio, ambos bem intrigantes, e desenrola-se para uma trama carregada de acção, como escrevi anteriormente, que envolve tráfico de armas para países africanos, corrupção e Paganini.
Não achei este livro tão negro como o anterior, embora tenha cenas muito violentas, descritas com elevado pormenor. Continua ali a roçar o macabro, com os maus a serem mesmo maus, mas, talvez por ter temas diferentes dos do primeiro livro, não me tenha parecido tão assustador. (Atenção, que isto foi só o que eu achei. Outra pessoa poderá achar este livro mais assustador.)
No entanto, apesar de me ter parecido ligeiramente melhor que o anterior, Lars Kepler e o seu comissário não me conseguem convencer na totalidade. Para começar, o que é que Linna tem de tão especial? O homem é do mais teimoso que há, quer sempre levar a dele avante, chega a ser irritante. E é verdade que ele acerta praticamente sempre, mas isso também acaba por irritar. Joona Linna ganharia mais simpatia da minha parte se os autores não pretendessem que ele fosse perfeito. Porque não é. Assim, só ganha alguns pontos simpáticos da minha parte porque o homem sofre de enxaquecas e eu já passei por momentos desagradáveis à conta dessas dores de cabeça do demónio. Além disso, Linna toma Topiramato, medicamento que eu própria tomei durante uma fase em que a mais pequena coisa me provocava enxaquecas.
Depois, gostava que alguém me explicasse o que raios se passa com os diálogos nestes livros? São o pavor. Parece-me que falta ali qualquer coisa, que as personagens disseram algo que não aparece, já que muitas respostas em conversas entre as diversas personagens parecem cair do céu, são abruptas e fazem com que a conversa fique sem muito sentido. Personagens a gritar, passadas da cabeça, sem motivo aparente, também fazem a sua aparição (Saga Bauer, esta é para ti). Pensamos sempre que os suecos devem ser umas pessoas muito calmas e compostas; nos livros de Lars Kepler o único calmo e composto é mesmo o comissário Joona Linna. De resto é tudo uma cambada de stressados com os quais não consigo sentir qualquer tipo de ligação.
Enfim, já sei que brevemente irei ler o próximo desta série (já o tenho cá em casa; quem me empresta estes livros é a minha mãe) e espero que comecem as explicações das indicações ao passado de Linna que aparecem no final do livro. Confesso que me deixaram intrigada.