Quatro anos depois de perder sua mãe, Leila Ferreira decidiu abrir a carta que ela deixou para ser lida depois de sua morte. Foi da necessidade de responder a esta carta que nasceu este livro. O amor que sinto agora é o desabafo extremamente corajoso de uma filha que quebra o silêncio de uma vida. A mistura de realidade e ficção é protagonizada por Ana,uma mulher que enfrentou um casamento fracassado, violência sexual e depressão, mas aprendeu a construir saídas. A conversa, em forma de cartas, relata viagens feitas ao Egito, México e França, mas o grande deslocamento feito por Ana é existencial. É dele, acima de tudo, que ela fala, e é impossível não se emocionar ao acompanhar a reconstrução, dolorosa e bela, do amor de Ana por sua mãe e pela vida.
Excelente! Quando a gente lê um livro da Leila Ferreira, a gente tem a sensação de estar sentada numa mesa, tomando um café e conversando com ela. Leitura deliciosa!
Foi um livro que me surpreendeu pela positiva. Foi-me oferecido e só o li porque me foi recomendado. É um daqueles livros que nunca compraria pelo título, mas ainda bem que cedi à recomendação e confesso que também fui influenciada pela opinião do Agualusa. Trata-se de um livro assaz pequeno, não pelo número de páginas, mas pela quantidade de texto já que se trata de um romance epistolar. A escrita é simples, mas profunda e que subtilmente nos conduz através de uma narrativa dura, intimista e dolorosa que nos faz reflectir sobre violência, amores, desamores, opções de vida, incompletudes.
Quatro anos após a morte de sua mãe, Ana arranja finalmente coragem para ler a carta que ela lhe deixou. É uma carta dolorosa como se calcula e Ana ao “abrir as janelas do quarto trancado onde guardou a dor”, sente necessidade de retomar o diálogo, de ”desenterrar o léxico do [nosso] afecto e devolver a cada sílaba e a cada sentimento o direito de existir” (p.16) e, então, decide escrever-lhe cartas para lhe narrar tudo o que nunca teve coragem de dizer de viva voz.
O leitor vai acompanhando a viagem interior de Ana, vai tomando conhecimento da sua infância infeliz, dos seus medos, das suas reflexões. Ana recebe uma herança pesada, sofrida, violentada, que se inicia com a sua bisavó, e chega até ela. Quatro gerações, é muito tempo para quebrar hábitos e valores estabelecidos em que tudo se suporta, mesmo a violência sexual por amor aos filhos. Ana, caiu no fundo, mas lentamente soube erguer-se, fez o luto das três mulheres que marcaram a sua vida, sobretudo a sua mãe, e conquistou a esperança de ser feliz.
4.5: Demorei um mês inteiro para ler esse livro, mas de uma forma, estou feliz por ter demorado tanto, assim eu pude digeri-lo da forma que ele deve ser lido. Esse livro foi dificílimo de ler, mas não de uma forma ruim, mas no sentido que sofri eternos gatilhos dele: como uma pessoa que passou a ter uma relação complicada com a mãe, eu me identifiquei DEMAIS com a personagem principal.
A história de Ana é extremamente emocionante de se ver, e toda vez que eu lia uma carta dela para a mãe, eu sentia a necessidade de fechar o Kindle e respirar suas palavras, já que elas pareciam se aplicar tão perfeitamente na minha situação, na maioria das vezes. Esse livro definitivamente merece mais reconhecimento. Recomendo esse livro para as pessoas que precisam escutar (ou ler) que tudo ficará bem no final.
O livro é de leitura fácil, bem escrito e nos prende. Porém, não são páginas que despertam bons sentimentos. Fala sobre estupro, traumas, falta de estrutura familiar, depressão, traição, submissão da mulher nas famílias... entre outras questões de ´pesadas’.
Alguns livros me despertam, logo nas primeiras páginas, sentimentos/emoções/impressões dignas de registro. Sempre positivas; do contrário, nem surgiria o impulso de registra-las. Aconteceu, mais recentemente, com "Stoner" e "Orgulho e Preconceito". No momento, estou lendo outros dois livros, "Missionários da Luz" e "Planeta dos Insetos". Evito me dedicar a mais de uma leitura ao mesmo tempo pelo risco de acabar abandonando uma delas, mas, agora à noite, por acaso, abri meu Kindle e me deparei com este livro. Iniciei a leitura e, dois minutos depois, estava "aos prantos"... chorando mesmo, não apenas emocionada... Ah! O poder das palavras! O impacto da identificação! O tema... Mãe, filha, luto, resgate.
Esse foi o primeiro livro que li da autora Leila Ferreira. Fiquei tão feliz que, assim que terminei, comprei e enviei para uma amiga. Um livro escrito com alma e que faz o nosso coração ficar mais leve.
Há tempos não me envolvia tanto com um livro. Cada página revela tanto da vida e da intimidade da escritora, tudo de uma forma bonita, leve e envolvente. Senti como se estivesse em um bate papo com minha melhor amiga, em uma troca intensa de afinidade, solidariedade e emoções.
O livro é uma compilação de cartas que Ana (provavelmente um Eu Lírico da autora) escreve em resposta a uma única carta que sua mãe a deixa, para ser lida após sua morte. A carta da mãe: um pedido de desculpas por “forçar” a filha a ser feliz. As cartas da filha: contam a história da relação entre as duas e o histórico familiar de relações amorosas fracasadas, abandono e eterna “busca pela felicidade”. Um desabafo muito sincero de uma mulher que evitava a dor e os riscos de grandes paixões para não cair no mesmo destino das mulheres de sua família, mas que acaba descobrindo as infelicidades de uma vida “feliz”. . O livro é carregado de emoções e de segredos íntimos. Ganhou meu coração ainda mais porque conta o relato de quando Ana viveu uma temporada no México. ❤️