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O Escuro Que Te Ilumina

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«As almas gémeas não são as que se talham no Céu. Mas as que se esculpem uma à outra em alguma parte dos seus abismos.»
Lisboa é a cidade onde ninguém dorme. Nem o narrador desta história surreal. A sua janela dá para a fachada de um edifício de apartamentos de cujos habitantes imagina a vida sexual (até se apaixonar por uma vizinha).

Porém, quando começa a investigar a vida real dessas pessoas - e dessas mulheres -, percebe que a sua imaginação é demasiado pobre em comparação com a realidade; na «cidade que não dorme» o desejo confunde-se com a perdição, o delírio com a abjeção, e não há fronteiras entre sexos nem entre pessoas. Um romance erótico - e pornográfico, brutal, perigoso e inclassificável, onde reconhecemos parte da cidade e dos seus habitantes. Todos os lugares são reais; as personagens, às vezes - mas só às vezes -, são inventadas.

144 pages, Paperback

Published May 1, 2018

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About the author

José Riço Direitinho

16 books19 followers
José Riço Direitinho (Lisboa, julho de 1965) é um escritor português, graduado em Agronomia, nas cadeiras de Economia agrária e Sociologia rural. Com seu estilo nostálgico e visceral, conquistou seu lugar no círculo literário português.
Entre os anos de 1985 e 1991, iniciou suas publicações contribuindo com artigos para o Suplemento para jovens escritores do jornal Diário de notícias. Contudo, sua estréia no mundo literário através de uma publicação de vulto veio com a obra A casa do fim, lançada em 1992, seguida de perto pelos romances Breviário das más inclinações, em 1994, e Relógio do cárcere, em 1997.
Em 1999, na Bienal do Livro no Rio de Janeiro, Direitinho foi o único autor a representar seu país, o qual foi homenageado no evento, demonstrando o prestígio que já possui como escritor. Neste mesmo ano, consegue uma bolsa de estudos do Berliner Künstlerprogramm e segue para Berlim, onde permanece até 2000. Lá, começa a trabalhar em sua próxima obra, Histórias com cidades, a qual é lançada em 2001.
No ano de 2004, esteve na Ledig House, uma residência para escritores de todo o mundo, situada na cidade de Omi, Nova Iorque, onde iniciou seu livro de contos Um sorriso inesperado, sendo publicado em 2005. Talvez essa experiência tenha rendido boas inspirações a Direitinho, pois a Ledig House localizase no belo vale do rio Hudson, um local afastado, com natureza abundante, o que combina com seu estilo literário. Direitinho pertence à nova geração de escritores portugueses, distanciada da ditadura que assolou o país por décadas até 1974, e seu estilo é considerado nostálgico, retratando, a partir de uma narrativa realista, a decadência da sociedade rural de seu país. Sua obra é considerada uma das mais importantes da nova geração de escritores europeus. Seus livros já foram traduzidos para vários idiomas, imprimindo mais força e viço à sua literatura.
Alguns de seus livros receberam prêmios importantes como o Breviário das más inclinações, Prêmio Ramón Gómez de la Senra, e o Relógio do cárcere, Prêmio Villa de Madrid.

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Community Reviews

5 stars
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4 stars
29 (27%)
3 stars
26 (24%)
2 stars
25 (23%)
1 star
6 (5%)
Displaying 1 - 23 of 23 reviews
Profile Image for Carlos Azevedo.
Author 9 books19 followers
July 9, 2018
Não parece verosímil que o homem que escreveu o Relógio do Cárcere e o Breviário das Más Inclinações, regresse com esta autêntica fraude de cariz porno. Mas é verdade.

Um texto sempre com o varapau em riste e muitos rabos esfolados, digno de uma sub-literatura que não sei se ainda existe mas em que Corin Tellado era rainha, mas indigno de Henry Miller, e ainda mais indigno do Bocage que cita profusamente.

Para dar o toque de "crítico literário" que assume como profissão, o Riço, sempre afirmando-se direitinho, cita vários autores consagrados, talvez pensando que com isso melhora o pastel estragado em que chafurda.

Mas o lugar do autor é mesmo o do local que dá como exemplo de vários desvarios: a Praia da Rainha, na Costa da Caparica.
Profile Image for Telma Castro.
132 reviews6 followers
May 29, 2022
"Escrevo como se me lesses" - são estas as palavras que o narrador usa em jeito de diário, num tom francamente intimista. É nesta voz que o professor de Literatura nos dá a conhecer uma Lisboa diferente, camuflada. Primeiramente, numa atitude voyeurista começa a observar os vizinhos do prédio da frente, sem que o vejam e, acaba apaixonado por uma vizinha. A partir daí as surpresas acontecem...
Um romance generoso em erotismo, sem roçar o ordinário, ainda que as cenas de sexo ecoem em toda a obra, impressionando pelo arrojo e mestria com que são descritas.
Um livro escrito sem censura, que sendo de autoria portuguesa, não ficou à mercê de uma tradução mais acanhada, que poderia desvirtuar toda a obra. Em vez disso, o autor encontrou o tom certo para nos deliciar com as suas palavras. A prosa, muitas vezes poética e introspectiva, convida-nos a reflectir acerca do amor, da vida, do prazer, do desejo, da solidão...
Contudo, o que mais me ficou desta leitura foi o amor incondicional que o nosso narrador sente pela sua escolhida. Efectivamente, quem tem o prazer e a sorte de experienciar um amor destes,  experiencia o melhor que a vida tem. Citando o autor: "Foi preciso conhecer-te para descobrir que pode haver no mundo alguém mais desejável do que todas as mulheres: TU: o amor como a experiência que nos faz viver no absoluto."
Agradeço ao autor por me brindar com esta liturgia dos abismos mais obscuros das nossas mentes, repleta de referências literárias maravilhosas.
5⭐
Profile Image for Zezi.
12 reviews27 followers
January 17, 2021
Um livro que se lê quase num fôlego. Fetiches, busca interior (disfarçada de auto-comiseração, ou vice versa), amor, erudição. Um exercício negro mas agradável. Não sendo um obra-prima é aprazível, havendo muito por onde sublinhar.
Profile Image for Vera Sopa.
745 reviews73 followers
November 8, 2023
Este livro foi elogiado e hesitei quando vi a capa, que me pareceu tenebrosa mas a curiosidade venceu. Um narrador que gosta de observar os outros e sente uma solidão sem fim. Alma atormentada, um desespero existencial que passa para o sexo. E assim já se percebe a capa.

"As vidas dos outros, olhadas com distância, sempre me interessaram: não no seu sentido moral... mas sim pelo que as faz mover..., e também algo que não sabemos o nome e que nos chega sempre do passado."
Uma vizinha que vê pela janela iluminou a vida e como tal, teve início esta espécie de diário como exercício de catarse e registo de memória de um tempo que acabou, numa escrita apurada e pungente de um homem condenado que faz muitas referências literárias. Não deixa de parecer autoficção.

Às tantas perde o interesse porque é como se olhássemos o abismo e pouco se vislumbra para além da devassidão enquanto declara "Escrevo como se me lesses."
Profile Image for Rui Filipe.
17 reviews2 followers
June 9, 2018
Pornografia para janados do facebook cuja mente já está queimada. Do pior que já li.
Profile Image for Luís Queijo.
322 reviews27 followers
June 19, 2018
Desilusão... depois do bastante bom “Breviário das más inclinações”, este é um livro banalíssimo com um exagero linguístico forçado e irreal...
Profile Image for Paulo Teixeira.
920 reviews14 followers
October 4, 2018
(PT) Este livro fala sobre a solidão nos nossos dias, e de como queremos escapar a ela. De como o sexo se tornou tão central nas nossas vidas, como forma de mostrar que estamos vivos, mas na realidade, não nos dá aquilo que mais queremos: amor, compreensão, sensação de felicidade permanente. É escrito como se fosse um diário, e ali vemos a vida de alguém na meia-idade, professor de literatura - as suas entradas estão cheias de citações de escritores, que se apaixona por uma vizinha e coloca nela todos os seus desejos e as suas aspirações, colocando-a num pedestal, como se fosse uma Deusa.

As cenas de sexo são quase uma droga: há a euforia e depois a depressão. E é isso que muita gente não vê. Pode excitar no momento - a cena dele citar Bocage enquanto tem sexo com uma aluna no seu gabinete é das mais inesquecíveis - mas na realidade, o que assistimos deprime-nos. É por isso que é uma escuridão que ilumina. Não nos apresenta qualquer esperança. Um espelho dos nossos tempos.

(EN) This book talks about the lonliness of our time, of how we try to escape from it. Of how sex became a central part of our lives, to show that we're alive, but on reality, it doesn't give us what we really need: love, hapiness, sense of fufilness. The book is written as a diary, and we see a middle-aged man, a literature teacher - several of it's entries are full of citations from several writters - that falls in love for one of her neighbours and puts on her all of her wishes and aspirations, puting her on a pedestal, like a godess.

The sex scenes are like a drug: there is the euphoria, then the depression.That's what many people dosn't see in their critics. It can excite on the moment - one of the most unforgetabble scenes is the Bocage poem while he has sex with her student in his office - but on reality, what we read depresses us. It's an darkness that enlightness us. Doesn't present any hope, an mirror of our days.
Profile Image for Luísa Bravo Da Mata.
5 reviews6 followers
January 13, 2023
Encontrei neste livro fantasias, sonhos, desejos, mas também, por vezes, o impacto da solidão, da ausência, e da procura, consciente ou não, de um amor que nos faça sentir plenos, completos, (quase) felizes!!!
ADOREI 🌟🌟🌟🌟🌟
Profile Image for Vera.
15 reviews2 followers
August 1, 2018
Meh. Não é a parte pornográfica que me chateia neste livro. É o facto de ser um texto mal cosido, forçado, partindo da receita reflexão filosófica/ diário/ citação/ realismo pornográfico - que não resulta. O sub-enredo do amor pela vizinha também não convence. E o uso excessivo dos dois pontos, constantemente a cortar a leitura. Admiro a coragem da escrita nua e crua, mas esperava melhor.
Profile Image for Nuno.
112 reviews6 followers
July 18, 2019
Depois de alguma resistência, rendi-me... É um livro que lemos de uma penada, intenso, forte, sem falsos moralismos ou convenções, cru, por vezes, mas imensamente lírico na sua verbe... Cheio de frases que ficam, que se agarram a nós e permanecem. Faz sentir, toca-nos sem ser banal. Erótico, sim, visual por vezes, mas fora o diário das aventuras sexuais explícitas, ou imaginadas, de de conteúdo para além... Um livro a devorar numa qualquer noite de insónia ou tarde de inquietação...
Profile Image for Ricardo Ribeiro.
354 reviews4 followers
December 25, 2019
"Não temos saída: aquilo que nos resta, que é muito pouco, é recomeçar sempre: recomeçar sempre é cansativo. Mas não nos rendemos: não nos rendamos."

É um livro sobre a solidão, com uma versão de Lisboa que não é frequentemente utilizada. Não tem a mesma riqueza literária que o livro anterior que li do autor (Breviário das Más Inclinações), mas ganha por ser amoral e cru.
Profile Image for Holy Tash.
158 reviews
February 13, 2019
Eu juro que não sei o que acabei de ler. Para além de ser mau, é só extremamente irritante ter uma citação de outros autores a cada página que se avança. Não dá para escrever por si mesmo?
O Fifty Shades tornou-se uma piada pelo seu cariz erótico-cómico, mas este livro é só mau.
Profile Image for Paulo Neves.
Author 22 books10 followers
August 17, 2018
“Há dias em que tudo nos é pesado como lã suja e húmida: memórias que chegam para nos lembrar qual é o nosso lugar: o de desejos simples que se mostram impossíveis, a escrita de um artigo académico que não nos sai dos dedos, o medo que nos cresce nos gestos, as paredes brancas da casa que se tornam o único abraço que julgamos merecer. Depois há as palavras dos outros: dos amigos: mas sabemos que nenhuma nos salvará do abismo. Ou melhor, apenas uma nos salvaria, lançada como uma mão junto ao precipício: a da pessoa amada.”

Numa prosa poética que em forma de diário nos vai descrevendo uma existência bizarra e prosaica, comove-nos a busca idílica de um amor salvador que se contrapõe a um comportamento sexual obsessivo sem tabus, com contornos simultaneamente divertidos e trágicos, reveladores da imensa solidão que grassa pela sociedade. Com uma escrita muito apurada e ponteada por várias referências reflexivas de outros autores, é uma narrativa que se lê num ápice, surpreendendo-nos a cada página.

Mais outro excerto:
“É verdade que, depois de termos deixado calcificar a vida (assim como acontece com as torneiras que já não abrem nem fecham, só pingam durante a noite — não, isto não é uma irónica metáfora sobre o sexo conjugal), precisamos quase sempre de um estímulo para ressuscitar. Então, ou o inventamos ou, sendo sortudos, ele vem ter connosco como uma aparição — talvez trajando de amarelo — que caminha devagar por entre arbustos de um jardim: e a nossa boca e os nossos olhos abrem-se de espanto como se presenciássemos o começo do mundo (que de certeza não terá sido mais milagroso).
Talvez essa oportunidade e a possibilidade desse deslumbramento, dessa fascinação, sejam as únicas coisas que ainda devemos agradecer à vida. O resto é apenas nosso e não serve para muito — produtos domésticos que o tempo cuidará de apagar e de tratar.”
Profile Image for Mary Poppins.
1 review2 followers
September 17, 2021
A personagem começa e acaba só, como uma grande metáfora do destino de todos os seres humanos. E pelo caminho, desta viagem de autoconhecimento, o “herói desta façanha postmoderna, experimenta com o seu corpo e com o corpo dos outros, como uma forma de se auto perceber e perceber o mundo que o rodeia.
Este periplo como todos aqueles dignos de serem contados é impulsado pelo Amor na sua forma mais pura e idealizada até que na tentativa de o alcançar, desvanece-se. A personagem começa e acaba só; mas nunca será o mesmo.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Sofia.
45 reviews
May 31, 2020
Intenso, furioso por vezes na escrita. Palavras buriladas até serem quase uma filigrana de sons, e pausas que dizem mais que muitas palavras. A história de um libertino que apenas se liberta num amor maior.
Profile Image for Jorge.
55 reviews6 followers
November 7, 2018
Uma exploração de fantasias. Apesar da linguagem mais vulgar, li avidamente, tendo em conta que queria saber até onde seria possível chegar.
Profile Image for Ana Paulino.
83 reviews11 followers
March 10, 2020
Vídeo sobre o livro, com passatempo para ganhar um exemplar autografado pelo autor:

https://youtu.be/WOCGE0Yp7NM



Um homem, a sua solidão e um telescópio. Uma mulher que vive no prédio em frente, a quem conhece os traços, os gestos e até o cheiro. Apaixonado pela mulher que conhece plenamente, embora ela não saiba da sua existência, esse homem, ébrio na sua solidão, torna-se um voyuer das vidas alheias. De “olhar amoral”, este homem, imerge num mundo de devassidão, activa e passivamente, numa procura de si próprio, tentando encontrar nas histórias dos outros, a redenção que procura em si. Este livro tem pouco de pornográfico e muito de fé. É a história de um homem que, ao desembaraçar-se do seu sentimento de culpa, se sente cada vez mais perto da plenitude. Ao longo de 10 meses, este homem cruza-se com diversos abismos, com o escuro que ilumina cada uma das personagens cujas vidas visita inadvertidamente, suprindo o seu arbítrio e o dos outros nesse processo.

José Riço Direitinho escreveu “um livro que não existe em Portugal”, um livro no qual vai mais longe do que as rosas e os espinhos do amor, vai ao âmago da solidão. Um livro que nos confronta com os lugares mais obscuros a que a busca pelo nosso existencialismo nos leva,. Os abismos para onde, essa procura, nos empurra. Sem culpa, sem medo, sem censura, sem metaforizar o que precisa de ser real, através de uma escrita crua, este livro confronta-nos com o escuro que ilumina o nosso interior, se assim o permitirmos.

Acerca deste livro, tive oportunidade de entrevistar o autor. Podem ler aqui:
https://anacarinapaulino.wordpress.co...
Profile Image for Carla.
16 reviews5 followers
Read
March 2, 2019
Um daqueles casos em que penso que é de mim.
De uma crescente e quase insuspeitada intensidade com muito " isto só na literatura... e então?" à mistura.
Profile Image for António Ganhão.
Author 2 books28 followers
Read
September 15, 2018
Aquele que se entrega à devassidão erótica não faz mais do que descobrir a linguagem do corpo.

Numa escrita direta, sem perder o tom ou a contenção, o narrador oferece-nos um pouco da sua experiência. Não a de devasso, mas a de compulsivo voyeur e de romântico incorrigível, prendendo o leitor ao abismo que se abre entre o desejo e a coragem de o satisfazer.

Ler mais em Acrítico - leituras dispersas
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