Guerra Colonial e lutas de libertação: as memórias que não se podem perder. Mais de 40 anos passados, o que sabemos de facto sobre a Guerra Colonial e as lutas de libertação? Que memórias guardamos, além dos relatos veiculados pelas versões oficiais? O que se terá perdido entre o amplo silenciamento de algumas vertentes do conflito? E que perspectivas nunca chegámos a considerar sobre o que se passou nos territórios bélicos de Angola, de Moçambique e da Guiné? Neste livro, cerca de 40 autores recuperam este passado recente, colocando lado a lado memórias difíceis e memórias heróicas, memórias «fortes» e memórias «fracas», as memórias da antiga metrópole e as memórias das antigas colónias. Assim se encontra um outro modo de contar Portugal e as diferentes nações africanas emergentes do colonialismo.
TEXTOS DE: Aida Freudenthal, Albert Farré, Aniceto Afonso, André Caiado, Amélia Neves de Souto, Ângela Campos, Ângela Benoliel Coutinho, Bruno Sena Martins, Carlos de Matos Gomes, Celeste Fortes, Cláudia Castelo, Cláudio Alves Furtado, Diana Andringa, Elsa Peralta, Fidel Reis, Gerhard Seibert, Helena Wakim Moreno, Inês Nascimento Rodrigues, Isabel Maria Cortesão Casimiro, José Neves, José Pedro Monteiro, Julião Soares Sousa, Justin Pearce, Leonor Pires Martins, Leopoldo Amado, Manuel Loff, Marcelo Bittencourt, Margarida Calafate Ribeiro, Maria‑Benedita Basto, Maria da Conceição Neto, Maria José Lobo Antunes, Maria Paula Meneses, Michel Cahen, Miguel Bandeira Jerónimo, Miguel Cardina, Miguel de Barros, Mustafah Dhada, Nélida Brito, Odete Semedo, Paulo Lara, Raquel Ribeiro, Redy Wilson Lima, Rita Rainho, Rui Bebiano, Sílvia Roque, Sheila Khan, Susana Martins, Teresa Cruz e Silva, Tiago Matos Silva, Vasco Martins e Verónica Ferreira
«A Guerra Colonial tem sido vista maioritariamente como um evento longo, único e relativamente homogéneo, iniciado em 1961 e terminado na sequência do 25 de Abril de 1974. […] Convocar as histórias que se cruzaram e as memórias que sobreviveram às várias latitudes da guerra é também uma forma de não obliterar os muitos tempos da violência colonial enquanto elemento constituinte da secular empresa ultramarina de Portugal, como bem nos lembram as impressionantes cifras do tráfico atlântico de escravizados.» —Miguel Cardina e Bruno Sena Martins, Introdução
MIGUEL CARDINA é licenciado em Filosofia (2001) e Mestre em História das Ideologias e Utopias Contemporâneas (2005), pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde se doutorou, em Letras, (2011), com uma tese intitulada Margem de Certa Maneira. O maoísmo em Portugal: 1964-1974, à qual foi atribuído o Prémio Victor de Sá de História Contemporânea (2011) e o Prémio CES para Jovens Cientistas Sociais de Língua Portuguesa (2013). É ainda autor de A Esquerda Radical (Coimbra: Angelus Novus, 2010) e A Tradição da Contestação. Resistência Estudantil em Coimbra no Marcelismo (Coimbra: Angelus Novus, 2008). Os seus interesses de investigação actuais centram-se na temática do colonialismo, do anticolonialismo e da guerra colonial, na análise das dinâmicas entre história e memória e na reflexão sobre os usos e as particularidades da História Oral. É investigador do Centro de Estudos Sociais, onde co-coordena o Núcleo de Humanidades, Migrações e Estudos para a Paz, e investigador integrado do Instituto de História Contemporânea (IHC-FCSH/UNL).
Compilação de 40 estudos académicos sobre a guerra colonial, da autoria de jovens investigadores. Essencialmente baseados na memória e no esquecimento, este livro apresenta um mergulho na nossa história.