E se as nossas poupanças de uma vida perdessem todo o valor e com elas não fosse possível pagar os nossos encargos mensais para colocar pão na mesa da nossa família? Não estamos muito longe disso, em pleno séc XXI eis a realidade da Venezuela. E se houvesse uma moeda transacionável sem qualquer implicação de terceiros, bancos ou governos com políticas erróneas? Em plena crise financeira no final da primeira década deste século parece ter sido esta a alavanca para a criação da primeira criptomoeda por Satoshi Nakamoto.
Tecendo algumas considerações e preocupações ao que acabei de ler no livro “Bitcoin” de António Vilaça Pacheco, o qual recomendo vivamente a qualquer ignorante na matéria das criptomoedas, onde me incluo, identifico à priori a volatilidade a que todos estamos sujeitos perante as decisões dos bancos centrais e respetivas decisões políticas. E disso é hoje prova a guerra e as consequências económicas no nosso país quando os governos caem nas mãos de loucos, ou simplesmente pessoas mal-amadas em criança. Daí, levar-me a pensar se não deveríamos converter parte das nossas poupanças em ouro e assim assegurá-las através de um bem raro que muito dificilmente desvalorizará e que serviu de bitola às principais moedas mundiais. Fica a dica...
Após aprofundar a temática, e concordando com o autor, o surgimento da criptomoeda em 2008 na sequência de uma crise económica fruto da bolha imobiliária, é, definitivamente, uma forte candidata a ser um dos maiores sistemas disruptivos tecnológicos, juntamente com a potencialidade da blockchain (aliás, parece-me que a isenção da blockchain ainda será maior), de que há memória e após a invenção da internet. Por outro lado, o que a torna única, é sobretudo, a forma como foi inventada para eliminar o fator terceirizado da banca e das más políticas governamentais.
Contudo, há um longo caminho a percorrer, a começar pela segurança. Para além de cada um nós ter que apresentar uma mínima apetência tecnológica e de empenho, é também exaustiva a preocupação que devemos conferir à segurança, pois cada um de nós tornar-se-á o seu próprio banco. Outra preocupação surge com o tempo que temos que dispensar para a manter segurança e garantir a sua gestão. A correria do dia-a-dia obrigar-nos-ia a tornar a sua gestão um invasor do nosso tempo de lazer, a não ser que o façam de forma prazerosa ou a tornem a vossa principal fonte de rendimento e laboral.
Apesar dos criadores destacarem a importância do peer to peer eliminando aqui qualquer intervenção de terceiros, como a banca, há algo pela qual as criptomoedas (ou tokens) ainda vão ter que alcançar, a confiança das pessoas. A banca levou muitos séculos para que cada cidadão tenha hoje uma conta a prazo, e ainda hoje a segurança não está totalmente assegurada, como nunca vai estar enquanto existir gente mal-intencionada. No exemplo usado pelo livro quanto à criptomoeda DAO, assente na blockchain Ethereum, de quando sofreu um ataque informático os detentores da moeda perderam-na para todo o sempre. Um pouco à semelhança do descalabre que será se perdermos as chaves de acesso... pois somos o nosso banco. Não estou com isto a descredibilizar a segurança das criptomoedas (ou tokens), mas há ainda um longo caminho a percorrer, e neste momento não me sentiria confiante em investir sem me sentir minimamente especialista na matéria, afinal de contas estou a falar do dinheiro ganho com o meu suor e lágrimas. Embora o livro nos deixe alguns bons exemplos da vantagem do investimento precoce.
Deixo no ar, neste momento faz falta dar o salto no suporte ao pequeno investidor que não conhece os meandros, não tem tempo, mas tem imensa disponibilidade a investir e procura um retorno a médio/longo prazo. Contudo, voltamos ao referido anteriormente, esse sistema também terá que demonstrar confiança de forma alargada, independentemente do risco que apresente.
Quando toca a dinheiro, CONFIANÇA ASSENTE EM PROVAS DADAS é a chave. Ainda assim... viu-se o que aconteceu no BES, e outros bancos. Mas isto leva-nos a outras discussões, como de quem está por detrás destes sistemas, e como garantimos que apenas trabalhamos com pessoas com elevado padrão ético.