Um livro sedutor da colunista da revista Vip Carol Teixeira. Bitch narra as histórias de Princess, uma artista plástica de 26 anos que se relaciona com o mundo através da exploração do prazer – intrinsecamente artístico e sexual –, e C., uma escritora sem inibições que está escrevendo um novo romance. Suas trajetórias seguem em paralelo até que o choque inusitado e metalinguístico do encontro das duas influencia a arte de ambas de maneira definitiva. Entrelaçando a intimidade crua, sensual e explícita dos relacionamentos entre os personagens a reflexões filosóficas e existenciais sobre a arte, a vida e o sexo, Bitch seduz o leitor de forma visceral.
Para quem espera apenas um romance erótico tradicional, desses que estão tão em voga hoje em dia, fique sabendo que "Bitch" tem muito pouco a ver com esses livros. As passagens cruas e sensuais estão lá - e muito bem escritas, por sinal -, mas não se trata de um "boy-meets-girl", e sim de uma literatura sem frescura, recheada de ótimas referências, narrada sob o ponto de vista feminino. O melhor do livro é justamente mostrar que a mulher ser livre e fazer o que lhe der na telha, sexualmente falando, não é render-se ao machismo propagado pelos filmes pornôs, não é ser submissa para satisfazer as vontades dos homens: é, sim, ter o poder de buscar seu próprio prazer, cagando e andamento para julgamentos. A forma como as duas tramas se entrelaçam, num certo jogo de realidade x ficção, é bem interessante e funciona bem, dando um ritmo fácil à leitura. Talvez o defeito do livro seja se levar um pouquinho a sério demais - se o romance risse um pouco mais de si mesmo seria ainda melhor. Outro pequeno defeito é uma certa forçação de barra em inserir reflexões filosóficas (de Filosofia mesmo, não filosofia de boteco) que muitas vezes parecem fora de lugar na obra. Anyway, um bom exemplar de literatura nacional, que vale a pena conferir!
"Nada nessa imagem é dele, esse pau é dela, ela é a dona desse pau. (...) Lembrei ali do que eu sempre falo: quem detém o desejo do outro está no poder."