Como tratar melhor o outro e a si mesmo O que dizer de um livro que interpreta a sabedoria e a cultura japonesa pensando na alma ocidental? Que mistura filósofos como Sócrates, Kant e Rousseau; poetas como Hesíodo, Rilke e Oscar Wilde; escritores como Eça de Queiroz, Montaigne e Clarice Lispector e personagens como a Tieta de Jorge Amado? Que parte do conhecimento do mundo e de suas próprias experiências para falar de assuntos como gentileza e moral; humildade e amor; empatia e fraternidade; limites e consideração? Um dos palestrantes mais requisitados do Brasil, o professor Clóvis de Barros Filho escreveu um livro em que ele conversa com o leitor e, sem que este perceba, ensina o que, de fato, é importante nesta vida. Poderia ser considerado como uma versão brasileira do clássico O mundo de Sofia, romance que conta a história da filosofia. Clóvis usa três a aluna japonesa Shinsetsu, sua amiga italiana Moral e a professora britânica Mrs. Utilility. É através delas que lembramos que está na hora de pararmos de pensar só em nós mesmos. "Quando útil, qualquer coisa ganha valor positivo. No caso de não servir para nada, não tem valor para ninguém", afirma Clóvis de Barros Filho. O poder da gentileza tem utilidade para todo homens e mulheres, mais jovens e mais velhos, pobres e ricos, ocidentais e orientais. Se toda real transformação do mundo começa dentro de si, nesses tempos de intolerância e individualismo este livro é leitura obrigatória para quem quer começar a tratar o outro e a si mesmo melhor.
Adorei os ensinamentos desse livro! Marquei muitas passagens para poder refletir ao final. O escritor elucida esta sabedoria japonesa com exemplos perfeitos para cada situação! Sinto que este livro me fez ponderar muito sobre minhas ações e como eu poderia agir mais de acordo com essa filosofia! A única critica que tenho, é que não foi uma leitura fácil e rápida. Em alguns momentos eu me via lendo como uma obrigação para terminá-lo. No entanto, as reflexões e ensinamentos sobrepõem esta questão.
Livro simples e claro. Bem humorado. Com leveza, Clóvis que é eloquente e gritante na fala, escreve um livro singelo que ensina tanto quanto uma de suas palestras, mas desta vez não de filosofia e pensadores, mas da prática do dia a dia de uma ação comprometida com o valor da gentileza.
A gentileza precisa e pode ser exigida, aprendida, ensinada, praticada, protegida e partilhada
Viver é relacionar-se. Toda blindagem é ilusória.
Tendo a própria ação ou omissão como objeto de reflexão, recorreremos à moral como primeira ferramenta conceitual de referência.
Princípios para agir por dever. Para fazer o que é devido. A coisa certa do jeito certo. E assim, quem sabe, contribuir com o coletivo. Com uma convivência harmoniosa. Respeitando direitos, pretensões e interesses do outro. Construindo, por intermédio da própria conduta, uma ideia de si e da humanidade.
a flexibilidade da moral vem de par com o ódio moralizador. O mais promíscuo é também o mais higienista. A dissonância não perturba.
Como disse Montaigne, as palavras pertencem metade a quem fala e metade a quem ouve.
Há mais coisas de alma do que palavras. Silêncios são ricos em significado. Contam histórias inteiras.
Baltasar Gracián, “será celebrado tudo que não for entendido”.
Nietzsche: “o infortúnio dos escritores claros é que são tidos por pouco profundos. Pouco esforço é empregado em sua leitura”.
perderei todas as piadas que possam entristecer quem quer que seja. Não só os amigos. Porque a alegria do contador de piada vale menos do que a tristeza de qualquer um ofendido por ela.
Um que se crê ignorante – por ser consciente da própria ignorância – torna-se o mais sábio. Sabichões que se creem sábios – iludidos pelo que acreditam saber – são os mais ignorantes.
chateação decorre de expectativa tola. Aliás, o erro é sempre de quem espera. Relativo a coisas que passam pela nossa cabeça. Porque as coisas do mundo são o que são. E nunca estão erradas.
Você vale pelo bem que decide fazer. Pelo mal que não se autoriza fazer.
Quando estamos nas mãos do acaso, todo equilíbrio justo é uma doce ilusão. Pura ingenuidade.
A força se curva diante do amor.
Kant. “Aja sempre de acordo com uma máxima tal que você queira que ela se torne uma lei universal.”
Muito do que cada um pensa sobre si provém de discurso alheio. Do olhar do outro. De comparação. Contraste.
Magoar alguém é agredir sua essência.
Uma ação útil permite ao agente obter algo que – no instante que em age – ainda lhe falta. Só a utilidade torna uma ação aceitável por qualquer um.
O valor de utilidade de uma coisa ou de uma conduta não se esgota nela mesma. Nada que é útil tem valor em si mesmo. A utilidade depende de alguma relação.
Um colírio não é útil em si. Nem para si. Precisa de olhos. E não em qualquer estado. Olhos agredidos. Olhos doentes. Olhos sujos.
a utilidade depende muito das carências do agente, da sua situação, do momento que está atravessando na vida, das pessoas com quem convive
Ter consciência do mal que fazemos a alguém é um precioso aprendizado. A natureza crua é uma força que nos conduz ao próprio prazer. É esforço por perseverar no ser. É luta pela própria potência. É pulsional. É egoísta.
Se piedade for sentimento, aparece e desaparece sem que você possa fazer nada. Você está à mercê do que não controla. Se for jeito de pensar, cabe a você – pelo uso da razão – inseri-la no seu cardápio de deveres, ou não.
Quem ama suporta a diferença. De afetos, de gostos, de opiniões, de valores. Suporta porque ama. Mas também é possível suportá-las por decisão de inteligência. Virtude da tolerância.
O livro é escrito num formato com capítulos curtos e com uma linguagem simplificada, o que não é um problema em si. Segue na forma e num certo nível de simplificação dos conteúdos, o modelo de auto-ajuda. Ainda sim, o autor consegue tratar do tema de forma cuidadosa e sem simplismo. Mais ainda sim, uma discussão mais abrangente entre moral e ética e onde shinsetsu se enquadra nisto daria mais força ao livro.
Apresentação interessantes em capítulos curtos que permite que se leia de forma fluida e agradável. Permite também uma boa reflexão a cada capítulo pela brevidade dos mesmos.
Preciso dizer que, li o livro inteiro com a voz do professor. Uma leitura fácil, mas uma lição difícil para muitos de nós. O livro propõe um modelo de pensamento que usa a gentileza como um meio para trazer mudanças positivas para a vida das pessoas. O livro explora como a gentileza pode ser usada para melhorar relacionamentos, promover ajustes na comunidade e ajudar a construir um mundo melhor.