Mulheres do Brasil – A história não contada resgata a história de mais de 200 mulheres das mais variadas épocas que tiveram suas biografias alteradas, deturpadas ou que simplesmente sequer apareceram nos registros convencionais. Depois de desmistificar as figuras dos imperadores d. Pedro I e d. Leopoldina, o escritor e pesquisador Paulo Rezzutti se dedica a mulheres conhecidas ou ignoradas pela história do Brasil: das guerreiras às vilãs, das mulheres do poder a artistas. Também ilumina trajetórias pouco conhecidas de indígenas e negras escravizadas e avança até os dias atuais, com mulheres como Marielle Franco, a vereadora carioca assassinada em março de 2018 por “ousar” não ser invisível. O livro chega num momento em que a discussão sobre o papel das mulheres na sociedade se intensifica, surpreendendo o leitor ao reapresentar acontecimentos da história do Brasil com as personagens femininas finalmente reinseridas nos papeis de destaque que lhes foram negados pela narrativa oficial.
Em 2010, durante pesquisas documentais para a biografia da Marquesa de Santos, Paulo Rezzutti encontrou no arquivo histórico da Hispanic Society of America em Nova York 94 cartas inéditas do imperador D. Pedro I para sua amante Domitila de Castro do Canto e Melo, a Marquesa de Santos. Em 2011, organizou a obra Titília e o Demonão, cartas inéditas de D. Pedro I à Marquesa de Santos, publicado pela Geração Editorial.
Prosseguindo seus estudos sobre a Marquesa de Santos, publicou em 2013 a obra Domitila, a Verdadeira História da Marquesa de Santos finalista, na categoria biografia do Prêmio Jabuti de 2014 e do 2º Prêmio Brasília de Literatura de 2014. Em setembro de 2015, lançou pela editora LeYa a obra D. Pedro, a história não contada. A obra foi vencedora, na categoria biografia, do 58º Prêmio Jabuti de Literatura, em 2016.
Em 2012, devido aos seus conhecimentos a respeito da família imperial brasileira, participou como consultor do trabalho da arqueóloga Valdirene do Carmo Ambiel, que estudou os remanescentes humanos dos primeiros imperadores do Brasil sepultados na Cripta Imperial do Monumento à Independência, em São Paulo. Como arquiteto, Rezzutti foi o responsável técnico pelo trabalho de retirada do esquife da Imperatriz D. Amélia, que se encontrava emparedado no local.
É autor de diversos artigos a respeito da história do Primeiro Reinado e seus personagens, bem como a respeito de História de São Paulo. É colaborador da Revista Aventuras na História, Revista de História da Biblioteca Nacional, Revista Carta Fundamental, Revista História Viva, entre outras.
Em 9 de julho de 2012, tomou posse como membro titular do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e, em dezembro de 2015, foi nomeado membro correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Campos dos Goytacazes.
Apesar de escrito por um homem, o livro esforça-se exemplarmente em buscar explorar a perspectiva feminina a respeito das mulheres de que trata.
Segundo o autor, o livro baseia-se no dicionário organizado pela Viscondessa de Cavalcanti (quase uma absolvição ao gênero do autor). Busca sempre o uso adequado dos pronomes de gênero, e sempre busca a fundamentação com base na obra de autoras mulheres.
Mais importante, esclarece como a história brasileira está longe de ser obra exclusivamente dos homens, sendo, pelo contrário, determinada pela obstinação, inteligência e coragem das mulheres que dela participaram. Dos princípios da colônia aos casos mais recentes de misoginia, passando pelo processo de Independência, a intervenção feminina foi fator definidor do país que somos hoje - para bem ou para mal.
Um livro que busca retratar a verdade sobre as biografias de 200 mulheres que foram influentes de alguma forma ou aspecto para a História do Brasil, porém que tiveram suas vidas distorcidas e papéis ocultados por aqueles responsáveis por escrever e a ensinar para as futuras gerações.
Embora eu não tenha gostado do estilo da escrita, que é muito mais política que em outras obras do autor, o conteúdo é muito importante e foi abordado da forma mais clara e didática possível. Mesmo quando moças que pessoalmente achei pouco relevantes eram referidas, suas história contribuíram para dar um ótimo panorama da época que viviam e do que no geral outras como elas passavam.
Por isso é um trabalho que eu indico, apesar das ressalvas, porque acredito que para todos é interessante conhecer esse lado não contado do nosso país e de, em primeiro lugar, de pessoas que foram sistematicamente esquecidas e diminuídas pelo machismo que impera desde aquela época até os dias de hoje, em menor escala mas ainda bem atuante infelizmente.
Mulheres do Brasil, de Paulo Rezzutti, apresenta a trajetória de brasileiras que marcaram a história, indo além das figuras mais conhecidas. Com escrita envolvente e pesquisa rigorosa, o autor revela vidas complexas, desafios enfrentados e contribuições muitas vezes invisibilizadas. A obra resgata protagonismos femininos esquecidos e amplia nossa compreensão sobre o país. É uma leitura ágil, informativa e essencial para quem busca uma visão mais completa da história do Brasil.
mesma sensação de quando li antes da prova de antropologia a página toda do wikipedia sobre antropologia capa feia. livro feito por homem, logo, desprovido de estética. 3,5 pelas histórias e pela boa seleção, porém muita informação despejada. não vou lembrar o nome e nem os tributos de grande parte logo logo