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Dora sem véu

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Francisca é uma mulher de meia-idade, casada e sem filhos, que decide se aventurar numa romaria a Juazeiro em busca de Dora, a avó que nunca conheceu — e que nem sabe se está viva. Leva consigo Afonso, o marido com um passado obscuro que tenta renegar.
Na caçamba de um caminhão, enfrentam o calor e a sede. Na cidade dos romeiros, a violência e a impunidade. Nesta viagem reveladora, ambos irão enfrentar o amor, as suspeitas e a morte.
Dora sem véu é um livro múltiplo e marcante, genial, de um dos autores mais importantes da literatura brasileira contemporânea.

248 pages, Paperback

Published June 1, 2018

2 people are currently reading
25 people want to read

About the author

Ronaldo Correia de Brito

23 books21 followers
Nasceu na cidade de Saboeiro, no sertão dos Inhamuns, no Ceará. Quando tinha cinco anos, sua família mudou-se para o Crato, na região dos Cariris. Aos 17, foi estudar Medicina em Recife. Sempre dividiu seu tempo entre o trabalho como médico e as atividades artísticas.
Sua carreia artística envolve as mais diferentes linguagens, como literatura, teatro e música. São de sua autoria O baile do menino deus (teatro), Lua Cambará (disco em parceria com Antúlio Madureira), Faca , Galiléia (romance ganhador do Prêmio São Paulo de Literatura) e o mais recente Estive lá fora (romance).

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Displaying 1 - 5 of 5 reviews
Profile Image for Haymone Neto.
330 reviews5 followers
February 17, 2023
Livro denso e complexo sobre mulheres, pobreza e violência. A narradora Francisca faz uma romaria a Juazeiro e ao próprio passado e encontra um Sertão contemporâneo, muito vivo, mas ainda ferido e sangrando. Eu tive a oportunidade de entrevistar o autor para a TV Alepe; o programa está disponível neste link: https://www.youtube.com/watch?v=GJNjv...
Profile Image for Tiago Germano.
Author 21 books124 followers
February 22, 2019
A fusão de narradores e a inserção de personagens sem uma devida apresentação me soou um tanto confusa de início, prejudicando (à minha leitura, pelo menos) toda a seção do romance voltada para a expedição amazônica. A busca por Dora, na romaria a Juazeiro, parece funcionar muito mais como um mero estopim (não à toa abandonado) que propriamente como um motor da narrativa, que ganha mais fôlego no desenrolar do conflito amoroso entre Francisca/Wires/Daiane/Hermógenes. De resto, a prosa de Ronaldo lembra-me muito a de Maria Valéria Rezende, são dois projetos literários que parecem se alinhar nesse retorno ao Sertão e no choque de uma cultura nordestina urbana com suas raízes ancestrais.
Profile Image for Alysson Oliveira.
386 reviews48 followers
August 16, 2018
“Dora” e a modernização conservadora


No último parágrafo de Dora sem véu, novo romance de Ronaldo Correia de Brito, mencionam-se um Iphone e um MacBook, duas lembranças da tecnologia de ponta diante do se leu nas mais de 200 páginas anteriores do livro. A expressão “modernização conservadora” aparece uma vez ao longo da narrativa, e parece ser a chave de compreensão dessa história sobre uma socióloga em busca de sua avó que por conta de um conselho do Padre Cícero migrou para o Acre.

A avó é a Dora do título, e a protagonista-narradora é Francisca, socióloga que viaja de caminhão, ao lado do marido, para Juazeiro tentando recuperar a história da avó, uma dívida que contraiu com o pai, no leito de morte que lhe contou como abandonou a mãe e três irmãos mais novos, e foi para Recife tentar a vida, aos 12 anos. Esse foi um segredo que lhe guardou a vida toda – um peso que o consumiu e transferiu para a filha.

Os pessoas que passam de pai para filha, de marido para mulher, de homem para mulher são uma das questões centrais do filme. O peso do patriarcado que não só draga mulheres, mas também as mata, é a força gravitacional que prende todas as personagens femininas aqui – sejam elas Francisca, Dora, ou jovem Daiane, que sobreviveu a um aborto, e, agora, forçada pela mãe paga promessa vestida de noiva. Logo no inicio do romance, a protagonista trava um diálogo com a mãe da garota, quando ainda estão no caminhão rumo a Juazeiro, sobre o poder que a mulheres deve(riam) ter sobre seus corpos, o que inclui o direito de aborta. É um diálogo repleto de boas intenções, mas literariamente forçado dentro do livro, mais para fazer um argumento, e, por isso, soa antinatural. Esse é, no entanto, o único senão dentro da narrativa, que logo encontra seu eixo.

Correia de Brito, que é médico, tem um olhar especial para os dramas humanos – tanto os físicos e emocionais, como os sociais. Há um capítulo que se passa num hospital, quando um personagem resgata sua temporada numa enfermaria, relatando diversos dramas que é tocante em sua composição e forte em seu efeito. As doenças físicas, lembra o livro, estão, muitas vezes, ligadas a mazelas sociais, e só pioram com o descaso com a saúde pública. Ao contrário do diálogo sobre o direito ao aborto, aqui a crítica e denuncia sociais são feitas de maneira sutil e eficiente.

Ainda no plano da investigação social, o autor resgata uma história pouco conhecida – ou lembrada – os “campos de concentração”, mais conhecidos como “currais do governo”, no nordeste brasileiro, no século passado. Pobres, obviamente, em sua maioria migrantes, eram colocados num lugar fechado distante da visão dos ricos. Mais um sintoma da modernização conservadora, que dá a chance de modernização de maneira bastante desigual.

A visita de Francisca a Juazeiro prova, no entanto, que, como diria Roberto Schwarz, o tempo passou e não passou. Os paralelos entre os currais humanos e a peregrinação abarrotada de gente não são poucos. Dessa maneira, o livro investiga estruturas de poder que permanecem e se fortalecem com o tempo, à medida em que podem ser mantidas de maneiras sutis e ainda mais eficientes. Não passa batido também como essas estruturas podem se repetir de maneira um tanto homologas na periferia do capitalismo. “De tempos em tempos as expressões extermínio em massa e genocídio reaparecem, como no caso de Alepo. Nos confrontos de brancos e negros nos Estados Unidos, na década de 60, alguém identificou uma tentativa de extermínio”, comente um personagem.

A estrutura, no entanto, que permanece com mais força ao longo da história e da narrativa é a da dominação sobre as mulheres. Francisca, mais do que as outras, consegue, não sem muito esforço, uma certa ascensão social – ao contrário de todas as outras mulheres em cena. “Por que matam mulheres em Pernambuco? Por que matam mulheres no mundo? Quem estabeleceu esse sacrifício?”, pergunta-se a narradora. Dora é um fantasma que persegue sua neta – mas mais do que uma manifestação pessoal, é uma manifestação social, o retrato de mulheres quase sempre abandonadas pelos pais dos filhos que tentam levar uma vida digna à margem da margem.

Correia de Brito, que tem em sua bibliografia o potente Galileia, é um escritor que encontra poesia na dura aridez da vida do nordestino. Sua obra investiga as relações de classe na região, mostrando como uma elite extremamente rica diante de uma vasta camada de pobres. Dora sem véu descortina os véus da herança escravocrata e colonial – o que já é um grande feito.
Profile Image for Mario Soares.
220 reviews6 followers
July 13, 2018
Mais um livro regular da cambaleante Literatura Brasileira contemporânea.
116 reviews
June 18, 2021
É um romance que leve a gente a pensar que a personagem vai3m algum momento encontrar a avó. É um livro de reflexões.
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