Há vinte e cinco anos, a primeira missão a Marte terminou em tragédia e todos os tripulantes morreram. Mas, na verdade, houve um sobrevivente Valentine Michael Smith encontra na Terra uma realidade muito diferente da que experienciou em Marte. As crenças e os rituais sagrados que aprendeu em Marte em nada se assemelham aos que encontra na Terra. A própria existência de Valentine torna-o alvo de uma intriga política. Neste 2.º volume de Um Estranho numa Terra Estranha, Robert A. Heinlein continua a apresentar-nos a história de Valentine e do seu processo de integração numa cultura marcada pela anarquia, partilha, amor livre e vida comunitária. Este clássico da ficção científica ainda hoje nos leva a questionar as nossas aspirações mais profundas e continua a despertar sentimentos fortes – por vezes contraditórios – nos leitores.
Robert Anson Heinlein was an American science fiction author, aeronautical engineer, and naval officer. Sometimes called the "dean of science fiction writers", he was among the first to emphasize scientific accuracy in his fiction, and was thus a pioneer of the subgenre of hard science fiction. His published works, both fiction and non-fiction, express admiration for competence and emphasize the value of critical thinking. His plots often posed provocative situations which challenged conventional social mores. His work continues to have an influence on the science-fiction genre, and on modern culture more generally. Heinlein became one of the first American science-fiction writers to break into mainstream magazines such as The Saturday Evening Post in the late 1940s. He was one of the best-selling science-fiction novelists for many decades, and he, Isaac Asimov, and Arthur C. Clarke are often considered the "Big Three" of English-language science fiction authors. Notable Heinlein works include Stranger in a Strange Land, Starship Troopers (which helped mold the space marine and mecha archetypes) and The Moon Is a Harsh Mistress. His work sometimes had controversial aspects, such as plural marriage in The Moon Is a Harsh Mistress, militarism in Starship Troopers and technologically competent women characters who were formidable, yet often stereotypically feminine—such as Friday. Heinlein used his science fiction as a way to explore provocative social and political ideas and to speculate how progress in science and engineering might shape the future of politics, race, religion, and sex. Within the framework of his science-fiction stories, Heinlein repeatedly addressed certain social themes: the importance of individual liberty and self-reliance, the nature of sexual relationships, the obligation individuals owe to their societies, the influence of organized religion on culture and government, and the tendency of society to repress nonconformist thought. He also speculated on the influence of space travel on human cultural practices. Heinlein was named the first Science Fiction Writers Grand Master in 1974. Four of his novels won Hugo Awards. In addition, fifty years after publication, seven of his works were awarded "Retro Hugos"—awards given retrospectively for works that were published before the Hugo Awards came into existence. In his fiction, Heinlein coined terms that have become part of the English language, including grok, waldo and speculative fiction, as well as popularizing existing terms like "TANSTAAFL", "pay it forward", and "space marine". He also anticipated mechanical computer-aided design with "Drafting Dan" and described a modern version of a waterbed in his novel Beyond This Horizon. Also wrote under Pen names: Anson McDonald, Lyle Monroe, Caleb Saunders, John Riverside and Simon York.
É uma honra ler um livro tão aclamado e elogiado na sua versão original, que a viúva de Heinlein conseguiu publicar apenas em 1991. Um Estranho Numa Terra Estranha nasceu na era de ouro da fantasia e da ficção científica, o início dos anos 60, em que estes sub-géneros ganharam uma visibilidade e um impacto até então nunca vistos. Bastante polémico e pouco consensual, Robert A. Heinlein escreveu uma obra que nos parece actual desde o momento em que lhe pegamos.
É um livro moderno, avançado para o seu tempo, que traz a lume uma série de questões pertinentes sobre o nosso quotidiano, sobre a forma como vivemos e como nos portamos diante das circunstâncias, diante dos preconceitos e das nossas crenças. Extremamente reflexivo e profundo de uma ponta à outra, é também um livro repleto de personagens interessantes e cheias de conteúdo. Mas apesar de ser uma obra de mérito, tenho de confessar que não é livro para mim.
A primeira expedição humana a Marte acabou numa tragédia. Não houve sobreviventes a bordo da Envoy. Vinte e cinco anos depois, uma segunda expedição descobre algo incrível. Houve um sobrevivente, nascido da relação entre dois membros da expedição. Valentine Michael Smith foi resgatado e criado por marcianos, pelo que nunca antes vira um terrestre. Ao regressar à Terra, conhece pela primeira vez o seu povo e os seus hábitos.
Pouco a pouco, Michael trilha um percurso de aprendizagem sobre a natureza humana, os seus costumes e idiossincrasias, ao mesmo tempo que mostra também a sua cultura e as características únicas dos marcianos aos demais. Ele tem uma grande importância para o governo e para as grandes organizações terrestres, uma vez que pode servir como elo de comunicação entre humanos e marcianos durante a colonização. Para além disso, é herdeiro dos seus falecidos pais e dos outros membros da primeira expedição falecidos, o que faz dele muito rico.
Aproveitando-se do seu desconhecimento e ingenuidade, muitos tentarão aproveitar-se dele para ganhar poder, influência e dinheiro. Completamente alheio às intenções dos que o circundam, Valentine Michael Smith terá ainda de se adaptar às características estranhas dos terrestres. Em Marte, não existem mulheres, sendo a atividade sexual um ato puramente mecânico com vista à reprodução, realizado entre os marcianos adultos e as ninfas, um estado primário de existência.
A morte é outra das assunções que os marcianos encaram de forma diversa. Eles escolhem quando morrer, para assim se desintegrarem, optando também por fazerem os seus familiares e amigos comerem o cadáver como forma de celebrar a vida. De forma gradual, Michael obriga aqueles que o tentam proteger a compreender a sua forma de vida e, ao invés de se adaptar, obriga o mundo que o rodeia a adaptar-se àquilo que ele é e ao mundo de onde veio.
Personagens riquíssimas ataviam a obra, como Gillian Boardman (Jill), a enfermeira do hospital que acolhe Michael e por quem nutre desde logo uma afeição especial, Ben Caxton, eterno pretendente de Jill e jornalista de investigação que empreende uma verdadeira jornada para o proteger, Jubal Harshaw, um escritor popular que se torna uma espécie de mentor e líder espiritual de Michael na Terra e os empregados deste, Anne, Miriam, Dorcas, Larry e Duke, que de uma forma ou de outra ficam conectados emocionalmente a Michael.
Destaque ainda para Pat, uma artista circense coberta de tatuagens que fica intimamente ligada ao protagonista, o muçulmano Dr. Mahmoud, que se converte à teologia marciana, ou Gil Berquist, assistente do pouco ortodoxo secretário Douglas, líder da Federação dos Estados Livres. Várias expressões tornam-se importantes na narrativa para compreender o modo de estar do protagonista. Uma delas é o verbo grocar, que significa entender na plenitude algum assunto ou experiência, a outra é irmão de água, que corresponde ao estado de filiação de Michael para os restantes personagens que se tornam seus amigos após a partilha de um copo de água.
Um Estranho Numa Terra Estranha é um importante livro que nos convida a refletir sobre cultura, religião, filosofia e acima de tudo sobre as nossas próprias certezas. A primeira metade foi mais leve, focada na adaptação de Mike ao planeta Terra e uma quase corrida contra o tempo para o proteger dos interesses corporativos, mas apesar de me agradar mais em termos narrativos, pareceu meio vazia em conteúdo para aquilo que esperava desta obra.
Na segunda metade percebi o real interesse do livro. Bastante mais imersiva e profunda, ela é igualmente parca em ação mas debate temas fortes e polémicos. É acima de tudo neste segundo volume que vemos discutidos temas religiosos e, sinceramente, foi o que menos gostei no livro. Apesar de estar bem escrito e organizado, ele quase tenta forçar-nos a acreditar numa nova religião, ao mesmo tempo que transforma o protagonista num Messias.
Valentine Michael Smith é um Tarzan na primeira metade e um Jesus Cristo na segunda. E é terrivelmente insosso nas duas. O livro é relevante, intenso e de leitura fácil, mas não consegui comprar ideias, gostar dos credos marcianos nem gostar da história em si. De qualquer forma, não deixa de ser um livro bem escrito e extremamente importante para a ficção científica. Uma obra de qualidade dos anos 60, que como não agradou a mim, não agradará a todos.
Obviamente depois de ler o primeiro volume, teria de ler o segundo e continuar a deleitar-me com esta história que me encantou na adolescência e que me volta a encantar uns anitos (poucos, vá) depois.
Robert A. Heinlein é, sem dúvida, o mestre da ficção cientifica, até por nos fazer questionar os seus pressupostos. Humanos a fazerem levitar copos e afins? Humanos a gerir o seu organismo de modo a não terem fome ou frio? (por favor, ensinem-me como que me daria muito jeito).
Um Estranho numa Terra Estranha fala-nos de Mike, um humano criado por marcianos, numa sociedade totalmente dispare da nossa e capaz de fazer coisas que nós apenas poderemos imaginar. E quando Mike regressa à Terra e começa a grocar os seres humanos quer ensiná-los a serem mais felizes e mais capazes. Mas fazê-lo é ir contra as convicções dos seres humanos que não estão preparados para ver a verdade como Mike a apresenta.
Robert A. Heinlein põe em causa, neste livro, a religião e a forma como esta regula a vida dos fieis. Mas não só. Numa abertura muito pouco própria para a altura em que foi escrito (o livro foi apresentado, pela primeira vez, em 1961), Um Estranho numa Terra Estranha fala-nos também na liberdade sexual e na homossexualidade. Não posso, ainda assim, concordar - nem sequer de perto - com uma das frases do livro: Nove em cada dez violações, a culpa é da mulher. Não, Robert A. Heinlein, não é de todo verdade. Dez em cada dez violações, a culpa é exclusivamente do violador.
Tirando este pequeno "detalhe" Um Estranho numa Terra Estranha é um livro a ler com calma, com serenidade e com a mente aberta para as criticas à nossa sociedade. Tão actuais hoje como em 1961, o que o torna um livro intemporal.
It is the story of an Earthling, Valentine Michael Smith, also called Mike or the "Man from Mars," who was born and raised on Mars by Martians. He is found and brought to Earth at the age of 20, possessing fantastic powers acquired during his time on the Red Planet. The narrative begins excitingly with his escape from the hospital where Mike was "detained," the kidnapping of a journalist, the refuge at a farm, and Mike's intervention with his fantastic powers to prevent the invasion of the farm. However, midway through Volume I, the narrative starts to lose strength and focus. In Volume II, it no longer seemed like I was reading the same story; "Man from Mars" becomes a juvenile delinquent leading a strange religious sect with sexual purposes. I don't believe the book fits into the science fiction genre. Despite all the good ratings and reviews the work has received, it frustrated my expectations. I didn't "grok"!
O primeiro volume está muito bom, mas este está qualquer coisa de muito estranho... Para além das reviravoltas religiosas ganharem um papel de destaque que aborrece, também diálogos de homofobia e coisas como "nove vezes em dez, se uma rapariga é violada, isso é pelo menos em parte culpa dela" surgem nos longos diálogos... Reconheço o seu potencial valor, mas não gostei.
An excellent read for a Scifi fan. An enjoyable story for everyone else. The author makes you cringe every once in a while with some of his social thoughts, but it is a fiction book, not a political manifesto. I recommend reading it.