No ano em que completa 70 anos, Ruy Castro, um dos maiores escritores brasileiros, reúne neste A arte de querer bem mais de uma centena de crônicas em que exercita o amor por sua profissão, por seus amigos, por seus ídolos, por sua cidade, pela música, pela vida. Escritos entre 2008 e 2017, os pequenos textos que compõem este livro nos permitem conhecer um pouco mais da alma desse escritor multifacetado.É hora de celebrar o amor.
Rui Castro, na ortografia oficial. Nasceu em 1948. Começou como repórter em 1967, no Correio da Manhã, do Rio, e passou por todos os grandes veículos da imprensa carioca e paulistana. A partir de 1990, concentrou-se nos livros. Publicou, entre muitos outros, as biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues, e obras de reconstituição histórica, sobre a Bossa Nova, Ipanema e o Flamengo. É cidadão benemérito do Rio de Janeiro.
O único defeito desse livro é que ele termina. Como todo bom autor, Ruy deixa o gosto de quero mais.
Comprei esse livro para ter meu primeiro contato com ele antes de mergulhar em Metrópole à beira mar. O problema é que agora eu quero me fundir com a obra dele!
Fui fazendo pequenas resenhas a cada divisão do livro e resolvi repetir a dose por aqui:
“Exercício de amor”: primeira seção de crônicas do livro já se foi e deixou um conjunto delicioso de textos sobre afeto familiar, o carinho ao país, a si mesmo e gratidão, até mesmo, a estranhos.
“Ofício de escrever”: ainda é a segunda seção de crônicas, mas acho que será minha favorita (percebi que é difícil escolher uma favorita ao fim da leitura). Sempre achei que ser escritor e, especialmente, jornalista de coluna cultural no Brasil do passado devia ser uma delícia, Ruy confirmou. Relatos incríveis, delicados e deliciosos
“A companhia dos amigos”: esse trecho de crônicas é mais um exemplo de como ser escritor ou jornalista no Brasil do passado devia ser incrível. Imagina sair para almoçar toda tarde com Paulo Francis e Jorge Zahar, encontrar seus amigos pelo Centro do Rio antes de voltar correndo para a redação? Creio que até faço coisas similares na minha rotina. Passo em um café pelo Centro e esbarro com alguém conhecido, compro algo em um sebo no Largo da Carioca, almoço com amigos antes de voltar correndo para o escritório. Porém, minha companhia, apesar de muito honrada e agradável, não é composta pelos maiores nomes da cultura e jornalismo brasileiro. Mas não faz mal, o importante é que os amo e admiro, assim como Ruy faz com os seus amigos.
“Meus monstros”: gosto demais dessa expressão para retratar heróis e pessoas admiradas. Representa bem as sensações de temor e curiosidade que temos para com elas. A diferença de Ruy é que ele conheceu muitos dos seus monstros e, por fim, se tornou um também.
“Ausências súbitas”: relatos sobre a morte de amigos próximos e de pessoas bem distantes também, mas que a ausência se faz sentir ou vale o registro.
“A cidade amada”: Ruy Castro desenterrou todo o meu golden age thinking. Aquela nostalgia de um Rio que foi, mas não vingou.
“O coração em campo”: entre relatos e anedotas relacionados a jogadores e torcedores só resta a certeza de que futebol não é mero esporte, é uma experiência quase que religiosa. De quebra ainda descobri o time de muita gente graúda da cultura brasileira do século passado.
“Coisas sem as quais”: sorvete, livros e mídias físicas, como viver sem?
“Unívocos e equívocos”: a saideira.
P.S.: esse livro é receita certa para curar ressaca literária.
Crônicas sobre assuntos diversos, passeando por assuntos e personagens de várias épocas, relevantes para a vida cultural da cidade e do país. Um jeito de escrever que encanta, e muitas vezes diverte. Me peguei várias vezes dando risadas (muito necessárias neste momento). Citação de pessoas e fatos sobre elas que, se ainda não as admirávamos, não nos resta opção se não nos convertermos. Adorei ler sobre João Cabral de Melo e Zico, e sobre personagens que me fizeram lembrar meus pais (ícones da música de muitas décadas atrás, cujos nomes já estavam apagados da memória superficial). Uma leitura leve mas consistente, sobre uma cultura que anda ou desaparecida ou escondida e muito negligenciada.
Es un libro dedicado a la ternura del día a día, a las cosas cotidianas, a nuestros gustos, la literatura, el futbol, la playa, los animales. Una demostración de que en todos lados podemos encontrar belleza y ternura. ** Quiero dejar destacado que este es el primer libro que leo en un idioma que no es el mío, gracias a la librera de una pequeña librería de Buzios por recomendarmelo, fue una hermosa aventura.
Deliciosas pequenas crônicas sobre o amor de Ruy ao Rio, envolvendo décadas passadas e dias presentes. Uma declaração de amor à cidade que o autor tanto ama, e que nos faz imaginar o que poderia ter sido este país tão anacrônico e dissociado. E Ruy Castro, sempre um mestre em sintetizar sensações, impressões e ideias em poucos parágrafos. Um quitute.
Um livro delicioso - eu não esperava menos de Ruy Castro (sou super fã). São dezenas de crônicas doces, algumas sobre casos engraçados, outras sobre momentos agridoces, todas maravilhosas.
Por que são crônicas escritas nos últimos 20 anos e o Ruy já ultrapassou os 60, o livro às vezes soa como um longo obituário. Mas quem gosta de jornal sabe que obituário bem feito é coisa rara –e na prosa de Ruy até bula de remédio é gostoso de ler.